Na Saúde, Lula aposta em Mais Médicos; Flávio quer uso de rede privada


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência, têm propostas em comum para a saúde, como a redução das filas do SUS, o uso de inteligência artificial, a ampliação do atendimento especializado e parcerias com a rede privada.
As diferenças estão nas estratégias: Lula prioriza a expansão dos serviços públicos e de programas existentes, como o Mais Médicos e o Farmácia Popular, enquanto Flávio aposta no aproveitamento da estrutura privada, na revisão dos pagamentos a hospitais conveniados e na criação de programas voltados a mulheres e idosos.
Redução das filas e parcerias privadas
Lula propõe ampliar o programa Agora Tem Especialistas, com mutirões, carretas de saúde e atendimento em um terceiro turno. O plano também prevê parcerias com hospitais privados para a realização de exames e cirurgias em troca de créditos financeiros ou abatimento de dívidas fiscais.
Por sua vez, Flávio pretende contratar horários ociosos de hospitais e clínicas particulares para realizar consultas e exames de pacientes do SUS. O candidato também propõe reajustar a Tabela SUS, que define os valores pagos a hospitais, Santas Casas e clínicas conveniadas pelos atendimentos.
Prontuário digital e inteligência artificial
Os dois candidatos defendem a integração dos dados dos pacientes e o uso de inteligência artificial na saúde. Lula propõe consolidar o Prontuário Único do Cidadão, integrado à Rede Nacional de Dados em Saúde, e permitir o agendamento de consultas nas UBS pelo celular. A inteligência artificial seria utilizada para identificar casos graves, organizar atendimentos e apoiar diagnósticos.
Flávio prevê um prontuário eletrônico vinculado ao CPF e ao Gov.br, com integração entre as redes pública e privada. Também propõe usar inteligência artificial para encontrar vagas disponíveis para consultas e exames e identificar pacientes com maior risco de desenvolver doenças.
Medicamentos e Farmácia Popular
O atual presidente promete manter a gratuidade dos medicamentos do Farmácia Popular e ampliar os serviços oferecidos pelo programa. Entre as propostas está a inclusão de exames laboratoriais e de acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
O senador propõe entregar medicamentos em domicílio para idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas. A medida busca reduzir a necessidade de deslocamento para a retirada de remédios.
Saúde da mulher
O plano de governo de Lula prevê ampliar o acesso a contraceptivos de longa duração, como o Implanon, pelo SUS. O plano também inclui a continuidade da distribuição gratuita de absorventes, o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e colo do útero e ações para reduzir a mortalidade materna.
Já o plano de governo de Flávio propõe criar o programa Saúde para Elas, com atendimento preventivo presencial e por telemedicina. A iniciativa prevê unidades móveis instaladas em ônibus, caminhões e barcos para oferecer serviços relacionados à gestação, menopausa, endometriose e prevenção de cânceres.
Atendimento aos idosos
Candidato à reeleição, Lula propõe ampliar o atendimento domiciliar aos idosos, por meio do PADI Brasil, e expandir vagas públicas em instituições de longa permanência. O plano também prevê fortalecer as equipes de Saúde da Família para atender às necessidades do envelhecimento populacional.
Por seu lado, o senador pretende criar o programa Casa Segura para Envelhecer, com subsídios para adaptações de acessibilidade nas residências e um aplicativo de alertas. Também prevê ampliar instituições de longa permanência e criar um programa específico de atendimento aos idosos no SUS.
Vacinação, saúde mental e autismo
Lula propõe ampliar a cobertura vacinal, com campanhas em escolas, expansão da vacinação contra a dengue e inclusão de novos imunizantes no calendário. Na saúde mental, prevê fortalecer os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com atenção a crianças e jovens.
Flávio defende manter as campanhas de vacinação e incentivar a produção nacional de vacinas. Na saúde mental, propõe ampliar o diagnóstico e o tratamento de transtornos como ansiedade, depressão e TDAH, além de criar Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fortalecer o atendimento a pessoas com doenças raras.
Hospitais e produção de medicamentos
O presidente prevê ampliar hospitais regionais e universitários e investir na produção nacional de medicamentos, vacinas e insumos. O plano inclui o fortalecimento da Hemobrás e a expansão da estrutura pública de diagnóstico e tratamento do câncer.
O senador propõe modernizar hospitais universitários federais, por meio da Rede Nacional de Hospitais Inteligentes, e atualizar os valores pagos pelo SUS aos prestadores conveniados. O objetivo, diz, é melhorar a capacidade de atendimento, especialmente no interior do país.
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