Como a PSP 'varreu' a Praça D. João I em poucos minutos

A assembleia votou duas vezes a pernoita na praça (com resultados distintos) e as negociações dividiram organização e manifestantes antes de uma atuação muito rápida da polícia na Praça D. João I.
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O diálogo cordial entre PSP e organizadores da Acampada no Porto chegou a uma aparente solução que agradaria a ambos os lados: os manifestantes poderiam dormir na Praça D. João I, mas iriam retirar as cerca de 50 tendas montadas nas horas anteriores. A decisão, no entanto, não foi bem recebida pela maioria dos presentes no protesto, que não arredaram pé e sentiram prontamente a rápida carga policial que em menos de dez minutos ‘limpou’ o palco dos protestos. A promessa é a de um regresso do protesto às ruas, já este domingo.
Antes dessa investida da PSP, o silêncio da expectativa de espera pelo próximo passo da polícia era interrompido ocasionalmente pelo ladrar intenso dos seis cães-polícia. De um lado da praça, os manifestantes (alguns equipados com capacetes); do outro, os agentes da Unidade Especial da Polícia. Apesar de estarem organizados em formações quase paralelas, os agentes não avançaram uniformemente da rua até à parede da praça (assim, encontrariam os manifestantes a meio caminho), mas antes, discretamente, pelas escadas em frente à Rua Sá da Bandeira.
Seguiu-se uma ação fulminante que, em poucos minutos, deixou a Praça D. João I sem manifestantes, que seguiram até à Avenida dos Aliados, antes de rumarem à 3.ª Esquadra da PSP, onde estavam os seis detidos durante esta operação da polícia. À saída dessa esquadra, João Silveira, um dos detidos, admitiu que já era esperada essa intervenção da polícia, só não sabiam “como” ou com que grau de “violência”. Ainda assim, disse que terá sido um movimento “menos violento” do que na madrugada da primeira quinta-feira de protestos, quando, segundo a organização, mais de 30 manifestantes ficaram feridos. “Mas mesmo assim [foi] demasiado violento”.
Até surgir essa intervenção, o movimento Acampada viveu uma assembleia popular conturbada (com votações repetidas e resultados distintos), negociações que dividiram os manifestantes e a organização e uma carga que voltou a deixar a Praça D. João I sem manifestantes e sem tendas, recolhidas pelos serviços de limpeza da Câmara Municipal do Porto.
Em poucos minutos, a PSP retirou todos os manifestantes da Praça D. João I
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Polícias chegaram a usar tasers e levaram vários cães para intimidar os manifestantes
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Equipa de limpeza da câmara entrou em ação poucos segundos depois da limpeza da praça
Guilherme Costa Oliveira/Observador
A assembleia conturbada com votações opostas para o mesmo tema
O percurso entre a Praça da Batalha a Praça D. João I foi pautado, como tem sido habitual, por gritos de ordem e críticas ao poder político. A meio caminho, quando passavam pelo movimentado e turístico Mercado do Bolhão, uma ação imprevista: os manifestantes na fila da frente ergueram fotografias enquanto cantavam. Nas imagens, viam-se pessoas com hematomas, cortes e cabeças ensanguentadas, todas elas fruto da intervenção policial violenta da madrugada da passada quinta-feira no acampamento.
A mensagem era clara e tem estado bem refletida numa das tarjas que nos últimos dias tem estado pendurada na praça: “A rua não tem medo da retaliação.” Ao segurarem aquelas fotografias, queriam assegurar que não temeriam nova ação policial a um novo acampamento. E a ideia de voltarem a pernoitar na praça não era apenas uma miragem. Se é certo que essa decisão ainda teria que ser votada numa nova e rotineira Assembleia Popular, também é verdade que a opção dos organizadores já estaria tomada, uma vez que fizeram esse trajeto já munidos de mantimentos e dezenas de tendas.
Sem rodeios, depois de uma acidentada assembleia popular, Pedro Manuel confirmou que essa vontade já teria adesão quase garantida antes de se saber o resultado da votação. “Sempre foi ponto assente que ficaríamos [a dormir nas tendas]. Era só uma questão de quantos e como. E estamos cá, somos muitos e temos tendas e a luta continua”, disse o porta-voz do movimento ao Observador. As declarações surgiram na sequência de duas votações com resultados distintos como resposta à pergunta se os votantes quereriam dormir na praça.
Num primeiro momento, poucas pessoas levantaram os braços, notando pouca adesão a essa pernoita nas tendas. A assembleia seguiu com o discurso de quase uma dezena de manifestantes, com muitos deles a apelarem insistentemente a uma maior mobilização das pessoas, tentando convencê-las a dormir na praça. Antes do final da assembleia, nova votação com um resultado diferente. “Foram mais de 100 pessoas que votaram para ficar cá connosco”, disse Pedro Manuel, sem explicar o motivo para ter havido duas votações (com deliberações diferentes) do mesmo assunto.
O porta-voz atiraria para cerca de 130 o número de pessoas que votaram a favor da pernoita, apesar de na quarta-feira o movimento ter decidido que iria deixar de revelar estes números “por questões de segurança”. Ainda assim, Pedro Manuel reforçou que esse “receio” estaria sempre presente na mente das pessoas, que não esquecem a carga mais violenta da polícia na praça. “Todos se lembram, pessoalmente ou através da dor de amigos e colegas”.
Foi com essa vontade de regressarem à praça que decidiram voltar a montar tendas, o que já não acontecia desde a noite de segunda para terça-feira, interrompida também com uma intervenção da polícia. Ao 15.º dia de protestos na Praça D. João I, voltava a pairar no ar a possibilidade de nova investida policial sobre os manifestantes. Mesmo assim, estes não desmobilizaram e aguardaram, entre convívio, músicas e danças, o início das negociações com a PSP.
A demorada negociação que dividiu a organização e os manifestantes
A noite foi avançando sem que se notasse, na praça, grande desmobilização dos manifestantes. Longe dos milhares da marcha que horas antes tinha percorrido algumas das ruas mais emblemáticas, continuavam centenas — uns disponíveis para dormir nas tendas, outros a dar número a um protesto que tem sido muito vocal no Porto contra a crise na habitação.
Enquanto se dançavam danças tradicionais portuguesas no centro da praça, muitas pessoas iam assistindo ao cenário ainda calmo (e animado). Mas, nos bastidores e longe dos olhares curiosos, já começavam as negociações entre os responsáveis da PSP e o movimento Acampada — representados nessas conversas pelo advogado Tiago Machado e por Henrique Blanc Rocha, um dos organizadores.
As primeiras indicações foram claras: a polícia mostrou-se intransigente com a continuidade das tendas na praça, mas concedeu que os manifestantes poderiam pernoitar ao relento, com as tendas desmontadas. Apesar de o advogado ter apontado contradições nesta posição das autoridades, os representantes do movimento iniciaram um diálogo para perceber que decisão iriam tomar.
Pouco depois da 00h30, a animação na praça deu lugar à apreensão, com um silêncio pouco comum neste protesto, ao mesmo tempo que todos os olhos acompanhavam os organizadores do movimento, à espera de uma decisão ou um simples esclarecimento sobre o que estava a ser discutido com as autoridades. Quase em simultâneo, Pedro Colaço reuniu os jornalistas e explicou as negociações. “Foi dito aos manifestantes que a partir da 00h30 estão a incorrer num crime e então dissemos-lhes para que, de forma voluntária, retirem as tendas”. O intendente referiu que teria sido dado “algum tempo” para os manifestantes “conversarem entre eles”. “Vamos dar-lhes mais tempo, para eles pensarem melhor, para sensibilizarem os colegas deles e para que, de forma ordeira, pacífica, possam retirar as tendas”.
E caso não retirassem as tendas (como, aliás, acabou por acontecer)? “Esse é o passo seguinte”, respondeu, sem dar detalhes, lembrando apenas que, tal como já tinha dito o presidente da Câmara do Porto, a praça “não é um parque de campismo”. “Se eles não as retirarem depois do prazo que lhes demos, estão a cometer um crime de desobediência e a polícia terá que agir em conformidade”, reiterou, enquanto o cronómetro já fazia a contagem decrescente de dez minutos para os manifestantes apresentarem a solução às autoridades.
▲ Intendente Pedro Colaço explicou diálogo entre a PSP e os manifestantes. Organizadores admitiram, num primeiro momento, retirar tendas
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Reconhecendo que o diálogo com os manifestantes teria sido “fácil, frontal e ordeiro”, frisou que a atuação da PSP “não tem nada a ver com ordens políticas”. “A questão operacional tem a ver só com a PSP”, garantiu o intendente. Antes do final desses dez minutos, os organizadores do protesto voltaram a falar com a PSP, com uma decisão que procuraria evitar uma “intervenção” da polícia para a retirada das tendas. “Não vale a pena vocês darem a ordem”, garantiu Blanc Rocha aos polícias, dizendo que ele mesmo iria comunicar a decisão da organização: a retirada das tendas.
“Podem ficar a pernoitar sem tendas”, clarificou a polícia. Caso as tendas não sejam desmontadas, acrescentaram, “vamos ter que retirar”. “Não é necessário”, garantiu o movimento, com a PSP a dizer que iria, então, “aguardar” pela transmissão dessa indicação aos manifestantes.
Já com dezenas de agentes da Unidade Especial da Polícia (UEP) dentro das carrinhas estacionadas na praça, os polícias aguardavam uma decisão dos manifestantes que, do outro lado da praça, também se iam organizando. Em frente às tendas, formou-se um cordão humano com muitos manifestantes, alguns equipados com capacetes, já antevendo uma eventual carga policial.
Por essa altura, Henrique Blanc Rocha, cansado e a correr de um lado para o outro da praça, explicou aos jornalistas a decisão da organização: “Para evitar conflitos e manter a reivindicação dos nossos direitos de forma pacífica, evitando o tipo de confrontos que existiram na semana passada, acordámos em desmontar as tendas e ainda assim continuar aqui, no entanto, sem tendas”. Ao mesmo tempo que fazia este anúncio aos microfones, a poucos metros do largo cordão humano, ouviam-se críticas dos manifestantes que interromperam o raciocínio de Henrique Blanc Rocha.
Face a esta divisão entre os manifestantes e a organização, acrescentou: “A minha sugestão é essa [da retirada das tendas], no entanto, não posso nunca garantir a responsabilidade individual de cada um”. Com esta garantia de que a polícia iria permitir a pernoita, mas sem tendas, voltou a dirigir-se aos manifestantes através de um megafone, comunicando essa intenção. Novamente, não foi bem recebido e o movimento viu-se obrigado a corrigir a posição, voltando a decidir, através de voto com braço no ar, quem queria dormir e manter as tendas na praça e, com isso, sujeitar-se a nova carga policial.
A continuidade na praça ganhou a votação, para desespero de Henrique e do advogado Tiago Machado, que pouco antes tinham garantido à polícia que iriam retirar as tendas. Depois da 1h, iniciava-se o período de maior antecipação na praça, com membros da organização a explicarem como se deviam posicionar e como deviam atuar quando surgisse a carga policial. Catarina dos Santos, outra porta-voz, ia explicando aos jornalistas que o movimento ainda esperava um auto da PSP a justificar a proibição de permanência no local. Se alguns se preparavam para cantar “Grândola, Vila Morena”, outros pediam silêncio e relembravam a proibição de fazer ruído de madrugada.
A rápida carga policial na Praça D. João I
O silêncio continuou a dominar o ambiente na praça, interrompido à 1h07 com o primeiro aviso da PSP. “Têm dez minutos” para retirar todos os pertences. Pouco depois, o silêncio foi novamente interrompido, desta vez pelos ruidosos latidos de pelo menos seis cães-polícia cuja mobilização gerou fortes críticas dos manifestantes.
O tempo passou devagar e, mesmo com o atrasar dos relógios para o horário de inverno, os dez minutos de aviso da PSP prolongaram-se até surgir o segundo aviso, desta vez com apenas “cinco minutos” de tolerância. Mantinha-se um cenário de tabuleiro de xadrez na Praça D. João I, com os polícias armados e com os cães de um lado e separados por uma “terra de ninguém” das dezenas de manifestantes, em cordão humano. Nas escadas, reuniam-se dezenas de pessoas curiosas que não se quiseram juntar ao cordão dos manifestantes, apesar dos apelos de quem estava pronto para enfrentar a polícia.
Um desses grupos nas margens da praça, já na Rua de Sá da Bandeira, esteve no centro de uma pequena confusão que obrigou a uma primeira intervenção musculada da PSP, que foi empurrando esse grupo para longe do centro da confusão. Nas imediações, apesar dos cortes das ruas promovidos pela polícia, mantinham-se muitas pessoas, algumas delas com críticas aos agentes e com gritos.
Foi só às 2h, bem depois dos cinco minutos de tolerância dados no último e terceiro aviso da PSP, que surgiram as primeiras movimentações. Pouco antes disso, numa resposta pacífica a essa carga, alguns manifestantes sentaram-se a meio caminho entre o cordão de pessoas do protesto e o contingente policial com cravos nas mãos.
Mas, e ao contrário do que poderia ser esperado pela disposição da polícia, o avanço dos agentes não se deu uniformemente. Isto é, a fila de polícias que ia quase desde a Rua de Sá da Bandeira até à Rua do Bonjardim não seguiu em frente em direção ao cordão de manifestantes que desenhava uma linha paralela à dos polícias. Antes, os polícias que cercavam a praça e estavam nas escadas do lado da Rua de Sá da Bandeira começaram a furar o cordão humano junto a uma das estátuas dos corcéis.
Foi nesse instante que surgiram os maiores confrontos entre polícia e manifestantes. Em poucos segundos, já havia pessoas no chão e chegou a ser audível a utilização de um taser — fonte oficial da PSP garante ao Observador que não foi utilizado diretamente numa pessoa, mas apenas para dissuadir. Os manifestantes responderam com o arremesso de objetos, enquanto a polícia começava a manietar e a retirar quem se opunha à ação, levando-os para junto das carrinhas da polícia. A ação da PSP foi fulminante: em menos de dez minutos empurraram todos os manifestantes para fora da praça, deixando à vista tendas viradas do avesso e estruturas destruídas, com muitos mantimentos espalhados pelo chão.
A ação da polícia foi sendo recebida com gritos de ordem e protestos, mesmo quando os manifestantes já estavam todos concentrados nas escadas em frente ao Rivoli, do lado contrário de onde tinha começado, minutos antes, a intervenção policial. Coordenados com a atuação da polícia, os serviços de limpeza da Câmara Municipal entraram em ação segundos depois de os manifestantes terem sido retirados da praça, tendo começado prontamente a recolher todos os pertences (sobretudo tendas) deixados para trás pelo movimento Acampada.
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Guilherme Costa Oliveira/Observador
Guilherme Costa Oliveira/Observador
A contagem dos feridos e a solidariedade com os seis detidos
Empurrados pela PSP para fora da Praça D. João I, os manifestantes viram-se impedidos de regressar, uma vez que vários cordões policiais cortavam as ruas adjacentes. No momento final da intervenção, a polícia dividiu a multidão em dois grupos, tendo levado um dos grupos para a Rua de Rodrigues Sampaio e outro pela Rua do Dr. Magalhães Lemos. Os dois grupos juntaram-se pouco depois na Avenida dos Aliados, onde começaram a tentar contabilizar os feridos, chegando a uma contagem de mais de 30 vítimas.
Junto à estátua de homenagem a Almeida Garrett (vandalizada pouco antes por manifestantes, que escreveram “Isto não acabou” — e que foi apagada já esta manhã) os organizadores da Acampada falavam à multidão e pediam que quem estivesse ferido levantasse o braço, para proceder a uma contagem. Foi dessa forma que o movimento chegou às mais de 30 vítimas, ainda longe dos seis feridos confirmados pela PSP na ação do Porto (sendo que dois serão polícias). Certo é que a poucos metros do edifício da Câmara Municipal foram levadas de ambulância pelo menos duas pessoas, depois de terem sido assistidas pelas equipas de socorro do acampamento.
“A leitura quente é avassaladora, é a terceira noite onde somos reprimidos com um método de intimidação total que jamais se esperava num país democrático e de direito. A contagem preliminar é de cerca de 37 feridos ligeiros aqui connosco, mais cinco a serem assistidos neste momento ainda pelos cuidados médicos, cujo estado não temos a certeza”, adiantava Catarina dos Santos aos jornalistas, dando conta de que ainda haveria “pessoas em falta”.
A própria porta-voz reconheceu que, em comparação com a carga mais violenta na passada quinta-feira, esta poderá ter sido menos violenta. “Eu sinto que a repetição em si mesma é gravíssima, talvez não tenha sido da mesma violência, garantidamente, isso também porque tivemos muito mais companheiros do nosso lado, muito mais solidariedade e muito mais pessoas a observar o que aconteceu. Havia também muita gente nas suas casas que quando se apercebeu que estava a acontecer nos diretos de televisão juntou-se a nós na praça”.
Sem adiantar grandes passos para o futuro, a porta-voz referiu que agora os manifestantes iam procurar descansar e deixou um aviso: “Ninguém arreda pé da praça até as nossas intervenções serem ouvidas”.
Guilherme Costa Oliveira/Observador
A concentração na Avenida dos Aliados terminou assim que surgiu a informação de que os detidos durante a carga da polícia teriam sido levados para a 3.ª Esquadra da PSP, na Rua do Heroísmo. Os advogados foram os primeiros a chegar e por lá ficaram até surgir a confirmação de que todos os seis detidos durante a intervenção policial estariam naquela esquadra.
Por lá ficaram várias horas, enquanto se reuniam dezenas de manifestantes em solidariedade para com os colegas detidos. Com o passar do tempo, alguns foram saindo, mas outros ainda estavam presentes quando os seis jovens começaram a sair da esquadra, tendo sido aplaudidos. Ao Observador, João Silveira, um dos detidos, disse que esta detenção não desmobilizará estes manifestantes, que querem voltar à praça já este domingo. “Estávamos na praça em cordão e fui detido nos primeiros momentos. Estávamos a resistir ordeiramente, quando fui separado do resto do grupo e colocado numa carrinha”. Durante essa ação, reiterou, não ficou com nenhum ferimento.
“Fomos identificados. Vamos a tribunal na segunda-feira. Agora o importante é voltar a centrar na luta pela habitação. Chamar toda a gente para a praça. Não é isto que nos vai parar, não temos vontade de parar a luta, sabemos dos riscos em que estamos envolvidos”, acrescentou. Estes manifestantes já esperavam a atuação da polícia. “Estávamos em contacto com Lisboa e sabíamos que Lisboa estava completamente cercada. Tínhamos informações de que estariam a trabalhar em conjunto”.
Tal como João, os restantes cinco detidos serão presentes a juiz na segunda-feira. Até lá, os manifestantes contam voltar à Praça D. João I, mas com menos tendas, já que pelo menos 54 terão sido removidas pelas equipas de limpeza da câmara, tendo a PSP apreendido ainda um petardo, três latas de tinta (arremessadas aos polícias) e uma embalagem de gás pimenta.
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