10h. Livre quer explicações de Luís Neves
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Vamos às notícias. Jornal das 10 com Miguel Vitor Dias. Miguel, foram detidas mais de 30 pessoas nas manifestações em Lisboa e Porto, estão agora a ser libertadas durante esta manhã.
25 detenções na Praça do Rossio, em Lisboa, seis no Porto, aconteceram na sequência de uma intervenção policial sobre os manifestantes. As autoridades avisaram que as centenas de manifestantes poderiam ficar a pernoitar nas praças, desde que não fossem montadas tendas, o que acabou por não acontecer. O movimento Casa para Viver emitiu, entretanto, um comunicado em que fala na existência de 60 feridos, alguns deles graves, e critica o governo por preferir reprimir. As autoridades falam apenas em 11 feridos. Foi também convocada, já esta manhã, uma manifestação para terça-feira à porta da Assembleia da República. É o dia em que começa a discussão do orçamento do Estado para 2027. A carga policial desta noite começou por volta das duas da manhã, depois de um terceiro aviso da Polícia de Segurança Pública, que justifica esta operação com a ocupação ilegal do espaço público, depois de vários avisos e negociações, como dá conta o porta-voz da PSP, Sérgio Soares.
A PSP encetou diversas ações de diálogo, sensibilização, comunicação, mediação com os manifestantes, até de negociação, se quisermos, para tentarmos demover os mesmos relativamente à questão temporal, aos limites impostos pelo Decreto de Lei 406/74 e relativamente às estruturas de acampamento, que, não estando licenciadas, não poderiam manter-se naquele local, uma vez que havia uma ocupação do espaço público de forma indevida. Apesar dessas ações da Polícia de Segurança Pública de diálogo, não houve esse acatamento por parte dos manifestantes, quer na cidade do Porto, quer na cidade de Lisboa, o que nos motivou a intervir.
Sérgio Soares, subintendente da PSP, que falou esta manhã depois da intervenção policial em Lisboa e no Porto. Um dos detidos mais a norte, João Silveira, também é o porta-voz do movimento Acampada, relata à Rádio Observador o momento da detenção.
Estávamos na praça, em cordão. Fui detido nos primeiros momentos da avançada da polícia. Estávamos a resistir pacificamente, ordeiramente, como fazemos, quando fui separado do resto do grupo e colocado numa carrinha.
E depois foram levados pela polícia para a esquadra do Heroísmo. O que aconteceu entretanto? Do Bom Fim. O que aconteceu entretanto?
Nada, fomos simplesmente identificados e vamos a tribunal na segunda-feira. Agora o importante é voltar a centrar na luta para a habitação, centralizar com o resto dos camaradas para chamar toda a gente hoje para a Praça das Sete, como temos feito até agora. Não é isto que nos vai parar, o que é preciso é que isto valha a pena.
Ou seja, mesmo apesar desta detenção, não têm vontade de desmobilizar, pelo menos da tua parte?
Não, não temos vontade de parar a luta, obviamente. Sabemos dos riscos que estamos envolvidos e sabemos o que podemos ou não fazer. Temos imensa gente que estaria disposta também a estar aqui.
João Silveira, porta-voz do movimento e um dos seis detidos no Porto, entrevistado pelo jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia.
A PSP avançou com uma operação conjunta em Lisboa e Porto durante a madrugada para levar ao fim estas manifestações.
Em Lisboa, a operação policial começou no Rossio, seguiu depois para a Praça da Figueira e outras zonas da baixa da capital, até que a PSP garantisse que o protesto tinha dispersado totalmente, como dá conta o relato do jornalista David Biléu.
Ainda estiveram na Rua dos Cavaleiros, onde montaram uma espécie de barricada, onde puseram vários caixotes do lixo a bloquear a entrada da rua, mas a situação não durou muito tempo, porque os caixotes foram repostos muito rapidamente e depois de terem subido a Rua dos Cavaleiros, a verdade é que esta manifestação se dispersou completamente.
David Biléu em Lisboa. Já no Porto, o jornalista Miguel Pinheiro Correia descreve a forma como a polícia pôs fim aos protestos na Praça Dom João I.
Iniciou-se uma negociação com a PSP que chegou a dizer, como conseguimos testemunhar, que poderiam dormir na praça, mas não com as tendas e que, caso mantivessem as tendas, a polícia teria que intervir. Ora, os organizadores do movimento concordaram com a polícia, os que estavam a dialogar com a polícia concordaram e transmitiram essa decisão aos outros manifestantes, a uma grande multidão, que não concordaram e que, por isso, a decisão foi revertida. Acabaram por decidir manter a pernoita com tendas na Praça Dom João I. Em breves instantes, a polícia chegou em peso à praça e quando atuou, fê-lo de forma muito rápida. Começaram a atuar a partir de um dos lados da Praça Dom João I, perto da Rua Sá da Bandeira, e numa questão de menos de 10 minutos, conseguiram afastar e retirar todos os manifestantes da Praça Dom João I.
O jornalista Miguel Pinheiro Correia, no epicentro das manifestações no Porto, na Praça Dom João I.
O Livre quer explicações do ministro da Administração Interna.
O porta-voz do partido, Jorge Pinto, anunciou esta manhã que o Livre vai pedir explicações ao ministério liderado por Luís Neves. Jorge Pinto diz que o bastão é a saída fácil. Numa mensagem publicada na rede social Bluesky, o líder do Livre acrescentou ainda que vai falar do assunto ao presidente da República, na reunião marcada para a próxima semana, para pedir uma posição firme a António José Seguro. Também a vereadora do PS em Lisboa, Alexandra Leitão, publicou uma mensagem na rede social X, em que acusa o governo de ter ordenado a carga policial utilizando uma lei anterior à Constituição, pedindo também ao presidente da República para tomar uma posição.
Em Lisboa, o deputado do Bloco de Esquerda, Fabián Figueiredo, falou com a PSP para tentar intervir essa intervenção policial.
Fabián Figueiredo participou na manifestação, ficou no Rossio durante a noite, tendo chegado à fala com a Polícia de Segurança Pública há poucos minutos da carga policial para tentar impedir esta ação.
O que eu queria era se poderia nos ajudar a que as pessoas pudessem retirar as tendas sem haver necessidade de intervenção policial.
Repare, isso cabe a quem cá está.
Pronto, OK.
Mas deixe-me concluir. Se a senhora me deixar concluir. Qual é a necessidade de mobilizar esse dispositivo policial? Você estudou ciências policiais. Sabe perfeitamente que a mobilização do corpo de intervenção da UEP tem o efeito contrário à pacificação.
Estamos a perder tempo.
Não estamos nada a perder tempo. Repare, cada dia em que o emprego das forças de segurança é feito para combater o crime, é bem empregado. Para reprimir gente que está cá pacificamente, é um mau emprego.
Fábian Figueiredo em conversa com o responsável da PSP na Praça do Rossio. Poucos minutos depois, a polícia deu início à intervenção policial para dispersar os manifestantes e pôr fim às tendas nesta praça em Lisboa.
Mudamos de assunto. O Brasil escolhe hoje o presidente para os próximos quatro anos. Em Lisboa, as urnas já estão abertas e com manifestações à porta.
Os eleitores são chamados a escolher entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Em Lisboa, as urnas abriram esta manhã na Cidade Universitária, na Alameda das Universidades. É por lá que está a jornalista Marinês Rocha. Marinês, durante a manhã já houve espaço para pequenas manifestações por aí?
Sim, os brasileiros não escondem as intenções de voto. Há pouco, vários eleitores gritavam Lula da Silva, momento seguido de aplausos. Há aqui também algumas pessoas que trouxeram cartazes a apoiar esse candidato com palavras como: "Se o Bolsonaro estiver certo, Jesus estava errado." Conseguimos falar com esse grupo e um deles, Mateus, explica que o objetivo é tentar mudar a opinião de alguns eleitores.
A gente acredita na democracia, acredita que o bolsonarismo não traz nada disso, só traz ódio, dissemina o cristianismo, que a gente acredita que não é o que eles estão dizendo.
E acha que esta forma de se manifestar é o mais correto para vocês?
Sim, como a gente tem 1% de chance, trazendo aqui, vai que a gente pode mudar a opinião de algumas pessoas no último momento.
Neste momento vejo uma troca de insultos junto a este grupo que apoia Lula da Silva, falam num desrespeito de opiniões. Vejo também várias camisolas vermelhas como símbolo de apoio a este candidato do Partido dos Trabalhadores, mas há também muitas pessoas com camisolas verdes e amarelas associadas a Flávio Bolsonaro. Outro momento de tensão foi protagonizado por um grupo que estava a tocar com uns tambores. Foi-lhes pedido pela polícia que se afastassem das filas de pessoas para não causar distúrbios. Mas, de modo geral, o ambiente está pacífico. As urnas abriram há cerca de duas horas e fecham às 17h, nesta que é a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil. E neste momento já é possível ver milhares de pessoas aqui na Cidade Universitária para votarem, divididas em três filas que, Miguel, andam a um ritmo acelerado.
A jornalista Marinês Rocha, em direto da Cidade Universitária, acompanhando das urnas de milhares de brasileiros que podem exercer o direito ao voto em Portugal. Na primeira volta, Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula da Silva.
Logo à noite, uma emissão especial aqui para acompanhar na Rádio Observador e também no YouTube do Observador com estes primeiros resultados das eleições no Brasil. Vamos ao futebol. O Sporting recebe hoje o Académico de Viseu. Ontem, o Porto venceu o Gil Vicente.
Os Dragões venceram por 1 x 0, gol solitário de Borja Sáenz. Assim, a equipa de Farioli mantém-se invicta no Campeonato Português e no final do jogo, o treinador do Futebol Clube do Porto assume que era particularmente importante vencer este jogo.
Foi muito importante ter uma boa reação após a derrota na Liga dos Campeões, com uma performance com muita atitude, mas acima de tudo, conseguir mais três pontos e chegar aos 27.
Francesco Farioli em declarações depois da vitória do Futebol Clube do Porto em Barcelos por 1 x 0. Hoje é o Sporting a entrar em campo frente ao Académico de Viseu, com Rui Borges a afastar os fantasmas da derrota na Liga dos Campeões.
Dentro daquilo que foi o jogo, nós identificamos claramente o porquê das coisas, o que poderíamos ter feito melhor em termos individuais e coletivos, para que no futuro não volte a acontecer da mesma forma. Por isso, em relação ao jogo do Académico, é totalmente diferente, equipes diferentes, dinâmicas diferentes, levam-nos a ter comportamentos diferentes dentro daquilo que é a nossa ideia de jogo. E focamo-nos muito mais naquilo que temos que fazer com o Académico do que propriamente agora naquilo que fizemos com o Lasc ou que temos que dar continuidade. Não, no Lasc nós olhamos, percebemos e falamos naquilo que não fomos tão bons. E agora pro Académico, estamos dentro daquilo que é a estratégia e dentro daquilo que é os comportamentos que nós temos, individuais e coletivos pra equipe.
Rui Borges, que mantém a dúvida sobre quem vai ser o guarda-redes do Sporting depois de Rui Silva ter sido afastado nos últimos dois jogos. O Sporting que entra em campo quando forem 20h30.
E a emissão especial de desporto da Rádio Observador para acompanhar essa partida arranca depois do Jornal das 8.
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