The Daily Newsstand · Free, Always
Tuesday, October 13, 2026

Voz de Madonna desafia limites da idade, diz pesquisa

Translate

Linguistas da Universidade de Copenhague analisaram quatro décadas de entrevistas da artista, entre 1980 e 2021, utilizando técnicas de medições acústicas de tom e medição da pronúncia de vogais

Gabriela Nangino (@gabinangino)

COMPARTILHE WhatsApp Icon Facebook Icon Flipboard Gmail
Madonna
Madonna (Foto: Kevin Mazur / Getty Images para Coachella)

Aos 68 anos de idade, a voz de Madonna desafia os padrões biológicos do envelhecimento. É isto que aponta uma pesquisa conduzida por linguistas das universidades de Copenhague e Aarhus, na Dinamarca, publicada no periódico científico Nordic Journal of English Studies.

Os pesquisadores analisaram quatro décadas de entrevistas da artista, entre 1980 e 2021, utilizando técnicas de medições acústicas de tom e medição da pronúncia de vogais, e encontraram conclusões intrigantes sobre o comportamento vocal da Rainha do Pop.

Biologicamente, a voz feminina tende a engrossar e ficar mais grave após a menopausa devido à perda de elasticidade muscular nas cordas vocais. Alterações fisiológicas relacionadas à idade também podem afetar a pronúncia de certas vogais. Segundo o estudo, a voz de Madonna de fato ficou mais grave “por volta de 2013”, quando ela tinha 55 anos, porém a tendência se inverteu nos anos seguintes, voltando a soar mais aguda.

“Nosso estudo mostra que a voz de Madonna parece mais jovem do que sua idade. Seu tom não segue os padrões que normalmente esperaríamos de uma mulher na casa dos 60 anos, e a maneira como ela pronuncia várias vogais não corresponde aos padrões de fala tipicamente associados à sua geração ou aos lugares onde ela viveu”, afirmou a líder da pesquisa, a linguista Anna Bothe Jespersen, da Universidade de Copenhague (via Physorg).

Para os cientistas, é quase impossível estimar a idade cronológica de Madonna apenas ouvindo a sua fala. Eles ressaltam que as oscilações nas medições podem indicar um esforço e controle consciente da cantora para projetar uma identidade jovem, embora terapias de reposição hormonal também possam ter influenciado o resultado.

Sem sotaque?

Além disso, as vogais de Madonna também não acompanham os sotaques das regiões onde ela cresceu ou morou, como Michigan e Nova York. “É quase impossível identificar uma origem geográfica a partir de sua pronúncia”, afirmou a cientista.

A análise de palavras específicas (como trap, dress, kit e thought) indicou que ela projeta as vogais mais à frente na boca e com forte distinção. Pesquisas linguísticas sugerem que esse tipo de pronúncia está associado à “jovialidade, atratividade e sensualidade”.

“Em outras palavras, sua voz é difícil de situar tanto em termos de idade quanto de geografia. Argumentamos que essa é uma estratégia deliberada, com a voz reforçando a imagem de uma artista jovem, atraente e com visão global, que não está limitada pela idade cronológica”, acrescentou Anna.

Ao longo dos 40 anos que estudamos, foi extremamente difícil estimar a idade dela apenas com base na voz. Observamos várias variações na altura do tom. De fato, alguns dos valores mais baixos ocorreram durante a década de 1980, quando ela era jovem, enquanto sua voz, em geral, tornou-se mais aguda desde o final da década de 1990.

Mudança cultural

Os pesquisadores concluem que Madonna provavelmente trabalhou intencionalmente para modificar aspectos de sua voz e manter uma imagem vocal jovem à medida que envelhecia. Segundo Anna, o estudo também reflete uma mudança cultural na forma como o envelhecimento é compreendido na sociedade contemporânea.

As pessoas podem usar a aparência, a linguagem e a voz para influenciar a forma como os outros as percebem ao longo da vida. Madonna é um caso particularmente interessante porque sempre desafiou as expectativas de como as mulheres devem se comportar e se apresentar à medida que envelhecem.

+++ LEIA MAIS: Por que esta faixa (surpreendente menos conhecida) de Taylor Swift está viralizando?

Gabriela Nangino (@gabinangino)

Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.

View the original on Rolling Stone Brasil →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.