ESPN DeportesBears dominan a Eagles en ChicagoThe Jerusalem PostNew film reveals previously undisclosed details of Mossad's Hezbollah pager operationInquirerNBI: Velasco, wife currently out of the country한겨레산모 배처럼 부푼 따스한 벽…우순옥의 개념미술을 추억하다UOLJato que derrubou avião da Gol em 2006 continua voando por empresa mexicanaالنهارسيمون كرم في الفاتيكان: قناة ضغط جديدة لإنقاذ مسار التفاوض؟SBS 뉴스장동혁 "김정은, '패가망신' 시켜야 하지 않는가?"CBS NewsSenate approves sweeping bill to regulate college sportsالشرقبوتين يقر زيادة قوام الجيش الروسي.. وموسكو ترفع الإنفاق العسكري 27%Malay MailHazy conditions descend on Malaysia again as 31 areas hit ‘Unhealthy’ APISportstarAsian Games 2026: India women’s trap shooting team clinches silver, Neeru qualifies for finalEl Comercio¿Trump le preguntó a Xi Jinping si China quería comprar armas de EE.UU.? Lo que hay detrás de la polémica
The Daily Newsstand · Free, Always
Tuesday, September 29, 2026

Quando deixamos de ser cidadãos e somos apenas idosos?

Translate

No dia 1 de outubro assinala-se o Dia Internacional das Pessoas Idosas. Provavelmente veremos centenas de iniciativas sobre envelhecimento ativo, atividades recreativas e mensagens sobre a importância de cuidar dos mais velhos. Tudo isto tem valor. Mas talvez a data também devesse servir para fazer uma pergunta mais desconfortável: em que momento da vida deixamos de ser vistos como cidadãos e passamos a ser vistos apenas como idosos?

Portugal tem hoje mais de 2,6 milhões de pessoas com 65 ou mais anos. Falamos de quase um quarto da população como se constituísse um grupo relativamente homogéneo, definido sobretudo pelas necessidades que associamos à idade: alimentação, higiene, medicação, segurança, acompanhamento e cuidados. São dimensões fundamentais e, para muitas pessoas, determinantes para uma vida digna. O problema começa quando a nossa ideia de dignidade termina aí.

Uma pessoa não deixa de precisar de propósito porque envelheceu. Não deixa de querer aprender, decidir, participar, apaixonar-se, discordar, criar, trabalhar ou contribuir para a comunidade. Não perde a sua sexualidade aos 70, nem a curiosidade aos 80, nem o direito ao risco aos 90. E, no entanto, construímos muitas das respostas ao envelhecimento a partir de uma lógica em que proteger significa frequentemente decidir pelos outros.

A Organização Mundial da Saúde define envelhecimento saudável não como a ausência de doença, mas a partir da capacidade funcional que permite às pessoas ser e fazer aquilo que valorizam. Esta diferença é importante. Obriga-nos a deixar de perguntar apenas se uma pessoa está alimentada, medicada e em segurança e a começar a perguntar se continua a conseguir viver uma vida que reconhece como sua.

Também a Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos dos Idosos, embora não seja aplicável a Portugal, traduz uma mudança internacional relevante na forma de pensar o envelhecimento: autonomia, independência, participação, consentimento e integração na comunidade são direitos, não extras que acrescentamos quando os cuidados básicos já estão assegurados.

Talvez uma das manifestações mais subtis do idadismo esteja precisamente aqui. Nem sempre se apresenta como hostilidade ou discriminação evidente. Às vezes aparece sob a forma de proteção. “É melhor não ir.” “É melhor alguém decidir.” “Já não tem idade para isso.” “Para quê aprender agora?” Frases aparentemente cuidadoras que, repetidas vezes, podem ir reduzindo o espaço de decisão de uma pessoa até que quase toda a sua vida seja organizada por outros.

Isto coloca um desafio enorme às políticas públicas. Se vivemos cada vez mais anos, não podemos continuar a organizar a sociedade partindo do princípio de que envelhecer significa necessariamente perder autonomia e tornar-se dependente. Precisamos de políticas de longevidade que pensem participação cívica, aprendizagem ao longo da vida, cultura, habitação, relações sociais, mobilidade, acesso digital, trabalho e voluntariado com a mesma seriedade com que pensamos cuidados.

E precisamos, sobretudo, de envolver as próprias pessoas mais velhas nessas decisões. É difícil falar de participação enquanto continuamos a desenhar respostas para uma parte tão significativa da população sem garantir que está representada nos lugares onde se decide sobre os seus bairros, serviços, instituições e comunidades.

No próximo 1 de outubro, talvez devêssemos celebrar menos a ideia abstrata de “os nossos idosos” e recordar algo bastante mais simples: estamos a falar de cidadãos.

Pessoas com direitos, desejos, opiniões, relações, contradições e projetos. Algumas precisarão de muitos cuidados, outras de poucos ou nenhuns. Todas continuarão a precisar de poder decidir sobre a própria vida.

Porque cuidar de alguém é fundamental. Mas uma sociedade que apenas sabe cuidar das pessoas quando elas envelhecem, mas deixa de saber ouvi-las, incluí-las ou dar-lhes poder de decisão, corre o risco de confundir proteção com cidadania. E viver mais só será verdadeiramente uma conquista se pudermos continuar a pertencer à sociedade durante todos esses anos.

O Observador associa-se à comunidade PortugueseWomeninTech para dar voz às mulheres que compõe o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.