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Monday, November 2, 2026

Democratas ganham força em estados decisivos nas midterms nos EUA

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Os democratas estão à frente dos republicanos em quase todos os sete estados decisivos que determinarão qual partido controlará o Senado, segundo a última rodada de pesquisas do The New York Times e da Universidade Siena antes das eleições de meio de mandato.

As pesquisas constataram que os democratas têm vantagens expressivas no Texas, que não elege um democrata para o Senado desde 1988, e no Kansas, que não elege um desde 1932.

Para conquistar a maioria no Senado, os democratas precisam manter todos os assentos que ocupam atualmente e conquistar pelo menos quatro cadeiras hoje controladas pelos republicanos. A disputa tem sido vista como uma batalha difícil, porque muitas das cadeiras de que precisam estão em redutos republicanos.

Mas as novas pesquisas mostraram candidatos democratas à frente em cinco estados que hoje têm senadores republicanos e tecnicamente empatados em um sexto. Eles lideram no Kansas, no Maine, em Ohio e no Texas e têm uma pequena vantagem no Alasca. Em Iowa, estão tecnicamente empatados.

Em Michigan, o único dos principais estados decisivos na disputa pelo Senado cuja cadeira já é ocupada pelos democratas, a pesquisa mostrou o candidato democrata com vantagem de dois dígitos —ela foi realizada antes de uma disputa interna entre democratas eclodir em Michigan no último fim de semana. Os levantamentos não incluíram a Carolina do Norte, onde há muito tempo as pesquisas mostram o democrata na liderança e os republicanos reduziram os gastos de campanha.

A insatisfação com o presidente Donald Trump e a frustração com sua gestão da economia estão prejudicando os republicanos, segundo as pesquisas. Apenas 38% dos eleitores propensos a votar aprovavam o desempenho do presidente nos sete estados pesquisados —um índice surpreendentemente baixo, considerando que Trump havia vencido em cinco deles por margens de dois dígitos apenas dois anos atrás.

A nova força dos democratas foi impulsionada pelo aumento da confiança no partido para conduzir a economia —a principal questão que mobiliza os eleitores neste ano. Os democratas têm uma vantagem de nove pontos na questão do custo de vida no conjunto dos estados decisivos e lideram nesse indicador crucial em todos eles.

Se as pesquisas estiverem corretas e essas tendências se mantiverem, os democratas conquistarão o controle do Senado.

Mas havia alguns motivos de preocupação para os democratas: ainda há eleitores indecisos, e aqueles que tomaram uma decisão apenas no último mês favoreceram os republicanos por uma margem de nove pontos.

Na disputa pelo Senado no Texas, James Talarico, deputado estadual democrata, tinha sete pontos de vantagem sobre Ken Paxton, procurador-geral republicano do estado: 50% a 43% entre os eleitores com maior probabilidade de votar. Paxton tinha, de longe, a pior imagem entre todos os candidatos incluídos na pesquisa.

No Maine, a senadora Susan Collins, última republicana remanescente no Senado pela região da Nova Inglaterra, está atrás na tentativa de reeleição de Troy Jackson, ex-senador estadual democrata. Jackson lidera por 51% a 45% entre os eleitores propensos a votar.

Pesquisas não são perfeitas. Seis anos atrás, Collins aparecia atrás em todos os levantamentos anteriores à eleição —e venceu a reeleição com folga.

Mas as novas pesquisas revelaram uma série de claros sinais de alerta para os republicanos — tanto em relação a seus candidatos quanto ao ambiente político mais amplo.

Em todos os estados, exceto no Maine, o candidato democrata ao Senado era visto de forma mais favorável que o republicano.

Além disso, os eleitores propensos a votar estavam insatisfeitos, de modo geral, com a liderança de Trump e disseram acreditar que os democratas fariam um trabalho melhor no enfrentamento do custo de vida e das guerras no exterior, além de agirem de acordo com o que é melhor para as pessoas comuns.

Trump vem percorrendo intensamente estados republicanos numa tentativa de reanimar sua base nas últimas semanas antes do dia da eleição, mas as pesquisas sugerem que o entusiasmo pelo presidente está diminuindo até mesmo dentro de seu partido. Em Ohio, onde 82% dos republicanos aprovam o presidente, a parcela dos que o aprovam "enfaticamente" caiu para 51%, ante 63% em junho.

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E, em uma pesquisa Times/Siena na semana passada, a disputa pelo Senado estava empatada na Carolina do Sul, estado fortemente republicano.

Uma vantagem fundamental dos candidatos democratas é que eles lideram entre os eleitores independentes em todos os estados pesquisados. Isso inclui Iowa, onde Josh Turek, deputado estadual democrata, estava tecnicamente empatado com a deputada federal Ashley Hinson, candidata republicana.

As pesquisas mostraram que a recuperação democrata foi impulsionada pelo fortalecimento do partido entre eleitores mais jovens e latinos, bem como pela relativa fraqueza dos republicanos junto à base partidária formada por eleitores brancos da classe trabalhadora.

Trump havia avançado entre eleitores latinos e mais jovens em 2024. Neste ano, porém, os candidatos de seu partido ao Senado conquistavam apenas cerca de um quarto dos votos dos jovens e dos latinos.

A perda de confiança nos republicanos em relação à economia — e em Trump, em particular — ajuda a explicar como os democratas conseguem ser competitivos em um estado como o Kansas. Trump venceu no Kansas pela maior margem entre os sete estados pesquisados, e o estado não elege um senador democrata há quase um século. Mas a alta do preço do diesel após a guerra com o Irã e a decisão do governo de eliminar tarifas de importação sobre a carne bovina estrangeira desagradaram aos agricultores.

Adam Hamilton, candidato democrata e pastor da maior igreja do estado, lidera sobre o senador Roger Marshall, republicano que busca a reeleição, por 49% a 44%.

Marshall enfrentou críticas depois que o New York Times noticiou que ele havia processado pacientes por dívidas médicas não pagas, o que levou a prisões em alguns casos.

O NYT havia pesquisado anteriormente os sete estados em setembro. Na pesquisa final, os democratas avançaram em seis deles —Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Ohio e Texas— e perderam terreno em apenas um, o Alasca.

Eleitores brancos da classe trabalhadora têm sido a espinha dorsal da coalizão de Trump. Em 2024, ele conquistou aproximadamente 74% dos votos de brancos sem diploma universitário, segundo pesquisas de boca de urna. Agora, nesses sete estados, os republicanos obtinham apenas 56% dos votos desse grupo.

Eleitores brancos de perfil operário têm se mostrado particularmente difíceis de alcançar nas pesquisas, e os erros dos levantamentos estiveram, no passado, entre os maiores nesse segmento demográfico, que representa um grupo numeroso nos sete estados.

Em Michigan, onde fica a única cadeira do Senado atualmente ocupada por um democrata entre as incluídas na pesquisa, o levantamento mostrou Abdul El-Sayed com ampla vantagem de 11 pontos percentuais sobre Mike Rogers, ex-deputado federal republicano que perdeu por pouco uma disputa ao Senado em 2024.

El-Sayed, que aprecia o embate político como poucos outros democratas, teve desempenho especialmente bom entre os homens, grupo que historicamente tende a apoiar os republicanos. Ele está praticamente empatado nesse segmento, uma melhora em relação a setembro.

Mas, nas primárias democratas, as pesquisas superestimaram a força de El-Sayed. Além disso, ele se envolveu em uma amarga disputa pública com sua rival nas primárias, a deputada federal Haley Stevens, que declarou apoio a Rogers no domingo, em uma rara aliança entre adversários partidários que renovou as esperanças republicanas. Ainda assim, El-Sayed está bem à frente em todas as questões avaliadas pela pesquisa, inclusive imigração, tema em que os republicanos tradicionalmente são fortes.

Em Ohio, o ex-senador Sherrod Brown, democrata, lidera sobre o senador Jon Husted, republicano, por 49% a 44%, em uma disputa que movimentou US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) em gastos. Os republicanos gastaram US$ 80 milhões (R$ 440 milhões) a mais em publicidade, segundo a AdImpact, serviço de monitoramento de anúncios.

No Maine, Jackson, o desafiante democrata, melhorou sua imagem desde setembro, embora, no geral, ainda seja visto de forma desfavorável. Um ponto crucial é que ele concorre no estado mais democrata do mapa de disputas decisivas e continua muito mais popular que Trump.

No Texas, 49% dos eleitores propensos a votar têm uma opinião favorável sobre Talarico, enquanto 39% o veem desfavoravelmente, o que lhe dá uma vantagem de dez pontos em popularidade, apesar de uma enorme e extremamente negativa campanha publicitária contra ele, financiada principalmente por Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo.

A imagem de Paxton piorou nos últimos meses. Agora, 54% dos eleitores propensos a votar no estado o veem de forma desfavorável, enquanto apenas 33% têm uma opinião favorável sobre ele.

Veja os principais pontos sobre estas pesquisas do New York Times/Siena:

— Os entrevistadores conversaram com 610 eleitores no Alasca, 705 em Iowa, 714 no Maine, 717 em Ohio, 736 no Kansas, 1.011 em Michigan e 1.215 no Texas, entre 23 de outubro e 1º de novembro de 2026.

— As pesquisas foram realizadas por telefone, com entrevistadores humanos. No total, quase 98% dos participantes foram contatados pelo celular.

— Os eleitores de cada pesquisa foram selecionados a partir de uma lista de eleitores. A lista contém informações sobre as características demográficas de todos os eleitores registrados, o que nos permite garantir que seja alcançado o número adequado de eleitores de cada partido, raça e região. Para essas pesquisas, os entrevistadores fizeram mais de 915 mil ligações para mais de 400 mil eleitores.

— Para assegurar ainda mais que os resultados reflitam toda a população votante, e não apenas aqueles dispostos a participar de uma pesquisa, atribuímos maior peso às respostas de integrantes de grupos demográficos sub-representados entre os participantes, como pessoas sem diploma universitário.

— A margem de erro amostral entre os eleitores propensos a votar varia de 4,8 pontos percentuais para mais ou para menos no Alasca a 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos no Texas, e é de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos quando os sete estados são analisados em conjunto. Em tese, isso significa que os resultados devem refletir, na maior parte das vezes, as opiniões da população em geral, embora muitos outros desafios criem fontes adicionais de erro.

— As pesquisas realizadas no Maine em 2026 foram conduzidas em colaboração com o Portland Press Herald e parcialmente patrocinadas pelo The Maine Trust for Local News.

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