Jorge Palma. "Uma banda sonora das nossas vidas"

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Temos ainda tempo para ouvir o presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Autores, José Jorge Letria. Obrigada por estar também conosco. A SPA atribuiu o prémio Pedro Rosário, o prémio Língua-Mãe a Jorge Palma. É um autor que foi sobejamente reconhecido enquanto vivo?
Sim, sem dúvida. Eu estou a falar da perda de um grande cantor, de um grande criador de canções, dos mais importantes criadores de canções de toda a história da música portuguesa. E estou a falar também da perda de um amigo. Eu tinha uma ligação de amizade com ele há pouco mais de 50 anos. Conheci o percurso dele, vi-o partir para o estrangeiro quando ele decidiu pegar na viola e aceitar cantar em corredores de estações de metro para fazer um percurso que não era muito comum. As pessoas todas queriam atuar em estúdios, em palcos, mas ele aceitou esta itinerância que o levou a amar mais o mundo e a conhecer o mundo de outra maneira. Ele era um cantor inspiradíssimo, era um compositor notável, que cantou o amor, cantou a viagem, cantou a relação de amizade com os outros e com o mundo. Era um homem inspiradíssimo. Eu tinha com ele uma relação muito forte, que se intensificou também no meu empenhamento com outras pessoas, como o José da Ponte e outros, para que ele suspendesse o consumo de bebida, que ele fazia muito e que o fragilizava bastante, para ter capacidade para recuperar. E também por isto eu estive na origem da atribuição dos prémios a ele, do prémio Pedro Rosário, que é o prémio de conservação de carreira musical, e também do prémio Língua-Mãe. E só lamento que ele não continue connosco para lhe atribuirmos ainda mais distinções, que ele tanto merecia, por tudo aquilo que nos deu, que partilhou connosco e que o tornou absolutamente insubstituível. Se houvesse uma banda sonora das nossas vidas, ele seria sem dúvida o compositor preferido para fazer alguns dos temas que resumem a nossa passagem por este mundo e a importância que temos uns para os outros, também ao som da música dele. É um vazio insubstituível, que eu lamento muito, porque me dói profundamente do ponto de vista musical, estético, afetivo e também institucional por parte da Sociedade Portuguesa de Autores.
Ficou aqui muito claro, José Jorge Letria, e obrigada por ter partilhado connosco também este sentimento que é
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