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Saturday, October 10, 2026

Cheval des Andes: a aposta francesa em um único grande vinho argentino

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RESUMO +

A vinícola argentina Cheval des Andes, parceria entre o Château Cheval Blanc, de Bordeaux, e a vinícola Terrazas de los Andes, recebeu sua primeira safra em instalações próprias em 2026. Criado em 1999, o projeto produz um único vinho com uvas próprias de cerca de 50 hectares em Mendoza e amplia a presença de Cabernet Sauvignon no corte.

Em um mercado em que muitas vinícolas buscam crescer ampliando seus portfólios, a Cheval des Andes escolheu um caminho diferente: produzir apenas um vinho. O projeto nasceu em 1999, de uma parceria entre o Château Cheval Blanc, um dos grandes nomes de Bordeaux, e a Terrazas de los Andes, na Argentina. Quase três décadas depois, a empresa vive uma nova fase, com uma equipe jovem, investimentos importantes e uma vinícola própria que recebeu sua primeira safra em 2026.

Estive recentemente em Mendoza e tive a oportunidade de conhecer de perto essa operação. Fomos recebidos por Noelia, responsável pela hospitalidade, que aos 33 anos é a mais velha entre os cinco integrantes da equipe de liderança. Uma curiosidade que ajuda a entender o momento da empresa: uma nova geração conduzindo um projeto que carrega a tradição e os padrões de qualidade de Bordeaux, mas que procura construir sua própria identidade na Argentina.

A origem da Cheval des Andes também é interessante. Pierre Lurton, ligado ao Cheval Blanc, encontrou em Las Compuertas um vinhedo de Malbec plantado em 1929, com videiras de pé-franco, algo que praticamente desapareceu de Bordeaux depois da filoxera. Ali surgiu a oportunidade de unir o conhecimento francês ao potencial argentino. Hoje são aproximadamente 50 hectares entre Las Compuertas e o Valle de Uco, com produção anual próxima de 100 mil garrafas. Toda a uva vem de vinhedos próprios e apenas os melhores lotes entram no único rótulo da empresa.

Influência de Bodeaux

Durante a visita, chamou minha atenção o nível de cuidado com os vinhedos. Cada parcela recebe um manejo específico, com coberturas vegetais, árvores frutíferas e sistemas de irrigação que permitem controlar o uso da água com precisão. A empresa também mantém uma troca constante de conhecimento com o Cheval Blanc, enviando profissionais para trabalhar na França e trazer essa experiência de volta a Mendoza. Não se trata apenas de ter um nome francês no rótulo, mas de aplicar uma filosofia de trabalho que começa muito antes da colheita.

O investimento mais recente é a nova vinícola, ainda em fase final de construção quando estivemos lá. O edifício impressiona pela arquitetura, mas principalmente pela funcionalidade. Cada parcela pode ser vinificada separadamente, permitindo maior controle sobre o resultado final. A safra de 2026 foi a primeira produzida nessas instalações, encerrando uma etapa em que a empresa dependia de estruturas externas. É um investimento significativo para quem decidiu continuar produzindo apenas um vinho, sem buscar crescimento pela quantidade de rótulos.

O próprio vinho também passou por mudanças. Nos últimos anos, a Cheval des Andes vem recuperando uma presença maior de Cabernet Sauvignon, aproximando-se da ideia original do projeto e buscando mais frescor, elegância e capacidade de envelhecimento. Essa transformação exige tempo, incluindo mudanças nos vinhedos e na maneira de trabalhar cada safra. Na degustação, provamos os vinhos de 2021, 2022 e 2023, e o 2021 foi, para mim, o grande destaque. Um corte praticamente equilibrado entre Cabernet Sauvignon e Malbec, com pequena participação de Petit Verdot, mostrou uma combinação muito interessante de profundidade, delicadeza e frescor. Um vinho ainda jovem, mas com enorme potencial de evolução.

Saí da visita com uma impressão interessante sobre o negócio. A Cheval des Andes não está tentando produzir mais vinhos ou aumentar rapidamente seu volume. Está investindo em pessoas, vinhedos e infraestrutura para melhorar um único produto. É uma estratégia que exige paciência e decisões de longo prazo, algo nem sempre comum em empresas que precisam apresentar crescimento a cada ano.

Talvez essa seja a maior influência de Bordeaux no projeto. Mais do que reproduzir um estilo francês na Argentina, a Cheval des Andes trouxe uma maneira de pensar o vinho como um patrimônio construído ao longo de gerações. E a safra 2021 mostrou que essa combinação entre as duas culturas pode produzir resultados extraordinários.

'Perguntas frequentes'

O que é a Cheval des Andes? +

A Cheval des Andes é uma vinícola argentina criada em 1999 por meio de uma parceria entre o Château Cheval Blanc, de Bordeaux, e a Terrazas de los Andes. A empresa produz apenas um vinho.

Quando a Cheval des Andes começou a produzir em vinícola própria? +

A safra de 2026 foi a primeira produzida na nova vinícola própria da Cheval des Andes. Antes disso, a empresa dependia de estruturas externas para a produção.

Quantas garrafas a Cheval des Andes produz por ano? +

A Cheval des Andes produz cerca de 100 mil garrafas por ano. As uvas vêm de aproximadamente 50 hectares de vinhedos próprios em Las Compuertas e no Valle de Uco, e apenas os melhores lotes entram no rótulo.

Qual é a influência de Bordeaux na Cheval des Andes? +

A influência de Bordeaux aparece na filosofia de trabalho, no manejo dos vinhedos e na troca de conhecimento com o Château Cheval Blanc. Profissionais da Cheval des Andes trabalham por períodos na França e levam a experiência de volta a Mendoza.

Como é o vinho Cheval des Andes da safra 2021? +

A safra 2021 tem um corte quase equilibrado entre Cabernet Sauvignon e Malbec, com pequena participação de Petit Verdot. Na avaliação do autor, o vinho se destacou pela combinação de profundidade, delicadeza, frescor e potencial de evolução.

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