Pouca polícia na Acampada do Porto que pernoitou com tendas

Uma assembleia popular e a decisão. Na noite de domingo para segunda-feira, os manifestantes da Acampada do Porto decidiram pernoitar, com tendas, na praça D. João I. Cerca de 10 foram montadas, menos do que as habituais nas noites em que a polícia investiu sobre os manifestantes.
Ao início da noite havia cerca de uma centena de manifestantes na praça portuense que foram desmobilizando. As tendas ficaram, juntamente com algumas dezenas de manifestantes.
As tendas ficaram além da meia-noite e meia, que tem sido a hora que a PSP tem dado como limite para a sua permanência no espaço público. Os organizadores garantiram, durante a noite, que não tinham intenção de desmobilizar, mas ao Observador admitiram que retirariam as tendas caso fosse pedido pela polícia porque com poucos manifestantes não conseguiriam resistir a uma eventual intervenção.
O pedido da polícia não chegou. Ao longo da noite, e pelo menos até às 4h00, as tendas ficaram. Ao contrário do forte dispositivo policial que cercou a praça na madrugada de domingo, até cerca da meia-noite e meia não houve sinal de agentes — nem polícias nem carros da PSP ou da Polícia Municipal — que só chegaram perto da hora que tem sido indicada como limite. Um carro chegou, então, fazendo prever que se iniciaria o habitual diálogo dos agentes com os manifestantes a apelar à retirada das tendas.
No entanto, não houve na madrugada desta segunda-feira essa abordagem da polícia junto dos manifestantes, permitindo, assim, o acampamento com cerca de dez tendas na Praça D. João I. Desde que chegou o primeiro carro da polícia, pouco depois da 00h30, que o número de agentes mobilizados não se alterou. Uns manifestantes estavam dentro das tendas, outros a conviver na praça. Ao Observador explicaram, nesse momento, que esta madrugada ouviram da PSP “mais do mesmo”, sem concretizar.
Do outro lado, a polícia não esclareceu aos jornalistas a diferença de atuação para os últimos dias, tendo em conta que os manifestantes mostraram abertura para retirar as tendas caso a polícia o peça, uma vez que têm poucas pessoas para reagir a uma carga. Um dos agentes remeteu mais esclarecimentos para um superior, que não estava no local.
Pouco depois das duas e meia a polícia acabou mesmo por abandonar o local. O carro da PSP que transportou quatro agentes para a Praça D. João I foi-se embora, deixando, por momentos, a praça, de novo, sem vigilância policial. Mas escassos minutos depois regressou à Praça D. João I outro carro das forças de segurança, passando a estar dois polícias a vigiar os poucos manifestantes que ainda resistem a partir das três da manhã.
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