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Saturday, September 12, 2026

Onde estão as vespas? Calor extremo pode explicar sumiço no Reino Unido

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As vespas parecem estar mais escassas no Reino Unido durante o verão de 2026, e as sucessivas ondas de calor podem ajudar a explicar o fenômeno. A percepção, porém, ainda não foi confirmada por dados nacionais. A avaliação é da bióloga Seirian Sumner, professora de Ecologia Comportamental da University College London (UCL), em artigo publicado no The Conversation.

A pesquisadora afirma que sua equipe tem enfrentado dificuldades para encontrar vespas para experimentos e relata que profissionais de controle de pragas também registram menos pedidos para retirada de ninhos neste ano.

o Big Wasp Survey, levantamento nacional que monitora as populações desses insetos no Reino Unido, ainda não começou a coletar as amostras deste verão.

O que pode estar acontecendo com as vespas?

Uma das possíveis explicações está nas condições meteorológicas incomuns registradas desde a primavera britânica. O início quente e seco poderia favorecer as novas rainhas, que deixam a hibernação e precisam construir seus ninhos, colocar ovos e procurar alimento sozinhas até o surgimento das primeiras operárias.

Em 2026, no entanto, períodos de calor intenso foram intercalados com dias frios e úmidos e noites inesperadamente geladas. Segundo Sumner, essas oscilações podem ter levado algumas rainhas a abandonar seus ninhos ou morrer antes de estabelecer as colônias. Isso poderia ter reduzido o número de vespas desde o início da temporada.

Depois vieram sucessivas ondas de calor, trazendo outro possível problema para os insetos.

Ondas de calor podem ajudar a explicar o sumiço

Insetos possuem um limite de tolerância ao calor conhecido como temperatura máxima crítica, ou CTmax. Quando esse limite é ultrapassado, podem ocorrer desidratação, espasmos musculares e perda de movimentos.

No caso das vespas, esse limite pode ficar em torno de 45 °C, segundo as pesquisas citadas por Sumner. Durante as ondas de calor deste verão, a temperatura do solo no Reino Unido ultrapassou 50 °C.

Isso não significa que o calor seja a causa já comprovada da aparente redução das vespas. A pesquisadora levanta a possibilidade de que as temperaturas extremas tenham contribuído para o fenômeno.

As vespas também possuem mecanismos que ajudam a enfrentar o calor. Elas podem, por exemplo, movimentar as asas para resfriar as larvas, enquanto a própria estrutura dos ninhos ajuda a proteger as crias das variações ambientais. Mesmo assim, temperaturas extremas podem ultrapassar essa capacidade de adaptação.

Tamanho das vespas chama atenção

O tamanho das vespas observadas neste verão também chamou a atenção da pesquisadora. Nos insetos, o comprimento do indivíduo adulto é determinado durante o desenvolvimento e depende, entre outros fatores, da quantidade e da qualidade dos alimentos recebidos na fase larval. Depois de chegar à fase adulta, a vespa não cresce mais.

As primeiras operárias da primavera normalmente são menores porque a rainha ainda precisa alimentar as crias sozinha. Conforme a colônia cresce e ganha mais operárias, aumenta a capacidade de buscar alimento e as novas vespas tendem a nascer maiores.

Uma das hipóteses apontadas é a escassez de alimento. Uma menor diversidade ou quantidade de presas poderia limitar a nutrição das larvas. O calor também pode ter influência direta. Larvas de insetos submetidas a temperaturas mais altas podem se desenvolver mais rapidamente e atingir a fase de pupa com tamanho menor.

Estudos anteriores citados no artigo já relacionaram o aquecimento global à redução do tamanho de vespas sociais ao longo dos últimos 100 anos. Ainda não é possível determinar, porém, se esse processo explica o que está sendo observado no Reino Unido neste ano.

Vespas têm papel importante nos ecossistemas

Apesar da fama de visitantes indesejadas em refeições ao ar livre, as vespas desempenham diferentes funções nos ecossistemas. Elas atuam no controle de pragas, na polinização e na decomposição. Por isso, uma eventual redução significativa de suas populações poderia ter consequências ambientais.

Para descobrir se 2026 realmente representa um ano atípico, os pesquisadores ainda precisam de dados de monitoramento. A equipe de Sumner também está reunindo observações feitas pela população sobre o comportamento alimentar das vespas. Os registros devem ajudar os cientistas a entender melhor o que esses insetos estão comendo e como estão respondendo às condições deste verão.

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