Baixas expectativas marcam o novo encontro entre Xi e Trump
A corrida armamentista do século 21 não deve se aproximar de uma solução com a nova cúpula entre China e Estados Unidos, quando os presidentes dos dois países discutirem o dragão da inteligência artificial.
É natural arrumar a casa para receber hóspedes. Uma boa faxina é obrigatória. Mas construir um salão de bailes e fazer outras reformas radicais numa residência que faz parte do patrimônio histórico nacional?
Como veterano empresário do ramo de hospitalidade, Trump expressou preocupação, em maio passado, a repórteres contemplando o canteiro de obras em que havia se transformado a Casa Branca. A expansão "era necessária para acomodar grandes eventos diplomáticos", inclusive a visita do dirigente chinês, Xi Jinping. "Xi está vindo, e não temos onde acomodá-lo", queixou-se o chefe de Estado.
O hóspede desembarca nesta quarta-feira (23). Mas, se o sisudo e inescrutável Xi Jinping não vai poder dançar um foxtrote no salão em construção, quando seu avião pousou na base Andrews, da Força Aérea, teve uma recepção antes dispensada exclusivamente aos papas Bento 16, em 2008, e Francisco, em 2015.
O presidente americano foi até a base militar desenrolar o tapete vermelho para o interlocutor que chama de "grande líder" e "bom amigo". Quando visitou Pequim, em maio, Trump foi recebido pelo vice-presidente Han Zheng, oitavo na hierarquia de poder na China.
Ao fazer campanha, em 2016, Trump chegou a dizer, num comício, que "não ia continuar a deixar a China estuprar" os EUA. Na campanha de 2024, anunciou uma guerra comercial contra o gigante asiático. A incongruência pode ser explicada pelo fato de que o isolacionismo vendido à sua fiel —ainda que encolhida— base eleitoral, é, de fato, um modelo transacional de conduzir política externa.
Quando viajou a Moscou, em 1988, Ronald Reagan saiu levando um Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário. Quando partiu da mesma capital, em 1994, Bill Clinton havia convencido a Ucrânia, ex-república soviética, a renunciar ao seu vasto arsenal nuclear.
A poucas semanas das eleições que podem devolver o controle da Câmara e do Senado ao Partido Democrata, dificilmente o americano vai perturbar a trégua na guerra comercial com a China, obtida no ano passado e que evitou um choque econômico mundial.
Lá Fora
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A questão que mais assusta o público americano —o poder disruptivo da inteligência artificial desregulada— não está sendo enfrentada com seriedade numa administração obsequiosa com os titãs dessa indústria. Uma reunião preliminar entre assessores de Trump e Xi tratou de salvaguardas para a inteligência artificial e temas vagos de comércio.
A China se aproxima de um superávit de US$ 1 trilhão na sua balança comercial. Xi acredita que pode usar como arma seu quase monopólio em terras raras usadas em produtos eletrônicos.
No encontro de maio, o chinês pressionou repetidamente o americano a suspender as vendas de armas e as garantias de proteção a Taiwan, a democracia de 23 milhões de pessoas que a ditadura de Pequim considera parte integral de seu território.
Os taiwaneses temem ser as próximas fichas do cassino porque, como disse Scott Kennedy, conselheiro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, "o mundo agora é de Xi Jinping, e nós estamos vivendo nele".
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