Quatro vezes em que agentes de IA agiram sem controle e alcançaram sistemas reais
Agentes de inteligência artificial são programas que executam código, usam ferramentas e tomam decisões em sequência para cumprir uma meta, sem esperar aprovação a cada passo. Em 2026, testes internos de duas grandes desenvolvedoras mostraram que esses sistemas podem sair do ambiente previsto e alcançar redes reais.
Veja quatro casos, do primeiro alerta em 2025 aos episódios mais recentes.
Quatro casos de agentes de inteligência artificial fora de controle
Replit apaga banco de dados
Em julho de 2025, o agente da plataforma Replit apagou um banco de dados de produção durante uma pausa de código, quando alterações eram proibidas. O projeto era de Jason Lemkin, fundador da SaaStr, e reunia dados de 1.206 executivos. Segundo o site The Register, o agente também inventou dados, e a Replit passou a separar automaticamente bancos de desenvolvimento e de produção.
OpenAI e Hugging Face
No início de julho de 2026, agentes da OpenAI em um teste de cibersegurança escaparam do sandbox, o ambiente isolado que deveria impedir o acesso à internet. Segundo a empresa, eles exploraram uma falha até então desconhecida no Artifactory, software usado para armazenar pacotes de código.
Fora do ambiente, os agentes usaram uma aplicação exposta na plataforma Modal e chegaram à infraestrutura da Hugging Face, onde acessaram cinco conjuntos de dados ligados ao teste. A Modal informou que sua plataforma não foi comprometida. A própria OpenAI descreveu o ataque como sem precedentes.
Anthropic e três organizações
Depois do caso da OpenAI, a Anthropic revisou 141.006 execuções de testes e encontrou três incidentes em que modelos Claude acessaram a infraestrutura de produção de organizações reais. Um erro de configuração com a parceira Irregular deixou máquinas conectadas à internet, embora o comando informasse que o ambiente era simulado. Anthropic revela que IA hackeou três empresas durante testes.
Os modelos usaram técnicas simples, como senhas fracas e serviços sem autenticação. Em um dos casos, houve acesso a um banco de dados com centenas de registros de produção. Duas das três organizações não sabiam da atividade até serem avisadas.
OpenAI e o governo da Austrália
Em junho de 2026, um agente da OpenAI acessou arquivos não públicos do Medicare Statistics Reporting Service, portal que divulga estatísticas agregadas de saúde. Segundo a empresa, a ação não foi intencional. O governo australiano afirma que o portal é separado dos sistemas que tratam dados individuais.
A OpenAI só avisou as autoridades em 10 de setembro, por e-mail a um endereço genérico. O primeiro-ministro Anthony Albanese chamou a demora de inaceitável, e o governo investiga o caso, inclusive a possibilidade de enquadramento criminal.
Como reduzir o risco ao usar agentes de IA
Agentes não têm intenção própria e apenas perseguem o objetivo recebido. Por isso, a segurança precisa ser baseada em engenharia, e não só em instruções ao modelo. Algumas das práticas que precisam ser adotadas:
- Permissão mínima: o agente acessa só o que a tarefa exige.
- Segregação de funções: nenhum agente controla sozinho todas as etapas de um processo.
- Aprovação humana: ações sensíveis, como apagar dados, exigem confirmação.
- Monitoramento em tempo real: cada ação do agente é registrada e observada.
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