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Monday, October 26, 2026

Acampada de Lisboa desmobiliza para "refletir"

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Tempo para “refletir”, tempo para organizar “forças” e tempo para recuperar da “violência física e mental” que a ação policial na madrugada de domingo deixou aos manifestantes da Acampada de Lisboa. Foi esta a justificação dada por vários porta-vozes do protesto pelo direito à habitação para a decisão de desmobilizar da Praça Dom Pedro IV, no Rossio, sem nova tentativa de acampada ou “aconchada”.

“Peço-vos que tiremos um tempo para refletirmos e para nos organizarmos”, afirmou através de um megafone um dos porta-vozes do movimento, já passava da meia-noite e meia, hora que tem sido apontada pela PSP para que o barulho em excesso termine na praça da capital lisboeta. A mensagem era clara para as centenas de manifestantes que ainda não tinham arredado pé do protesto: “A luta não se faz numa semana, não se faz em duas, a luta é permanente.”

A decisão de não tentar pernoitar no Rossio só ficou fechada depois de um “plenário de delegados”, com a organização da acampada a pedir aos manifestantes que se reunissem em grupos de “afinidade”, elegendo depois um representante que participaria na reunião que iria determinar o desfecho da madrugada desta segunda-feira. A única tenda à vista na praça acabou por ser a que foi colocada num tejadilho de um carro de manifestantes, que passou diversas vezes pela praça ao longo da noite.

Divulgar os protestos marcados para a próxima semana foi a prioridade da organização da Acampada durante as duas horas de Assembleia Popular e no encerramento da manifestação. Desde logo duas vigílias populares marcadas para segunda e terça-feira, em solidariedade com as dezenas de pessoas detidas nas madrugadas de dia 20 e 25 de outubro, junto ao Campus de Justiça. “Chamamos todas as pessoas e coletivos solidários a virem apoiar quem foi atacado pela polícia”, apela a organização.

Os apelos para que a Assembleia da República se torne o próximo palco de uma grande manifestação também não pararam até ao final da noite neste domingo. Um protesto marcado para as 18h30 desta terça-feira tem em vista o debate de discussão e votação do Orçamento do Estado para 2027. Durante a Assembleia Popular, vários manifestantes destacaram que o documento que será votado na generalidade na quarta-feira “não tem qualquer proposta para a habitação”.

Assembleia Popular marcada pelos apupos à polícia e a Seguro

A concentração deste domingo estava marcada para as 17h00 da tarde e pelas 18h00, na Praça D. Pedro IV, já eram milhares os manifestantes reunidos para protestar contra a noite de violência. A Assembleia Popular arrancou uma hora depois com foco nos feridos e na polícia. “É um trabalho bater em pessoas?”, questionou um dos manifestantes que subiu ao palco improvisado no Rossio, acusando os agentes da PSP que avançaram na madrugada de domingo contra os manifestantes de terem “perturbações psiquiátricas”.

Aos gritos de protesto contra Luís Neves, ministro da Administração Interna, que este domingo correu em defesa da ação da polícia, e os já habituais apelos à demissão do primeiro-ministro Luís Montenegro juntou-se uma onda de críticas e apupos a António José Seguro. “Não me sinto representado por si”, chegou a ouvir-se. As declarações sobre o Presidente da República geraram vaias e apupos muito intensos entre os manifestantes na praça lisboeta.

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