70 empresas do calçado portuguesas em Milão

Mais de 70 empresas portuguesas da fileira do calçado participam a partir de domingo, em Milão, Itália, nas feiras Micam, Lineapelle e Simac, que decorrem num contexto de “desaceleração geral no comércio global de calçado”, segundo a associação setorial.
Para além das 32 empresas de calçado que de domingo até terça-feira expõem na Micam, Portugal estará também representado, de terça a quinta-feira, com 31 companhias na feira de peles, materiais, acessórios e componentes Lineapelle e com mais oito empresas na feira de máquinas e tecnologias para o calçado, marroquinaria e curtumes Simac Tanning Tech, destaca a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS).
Segundo salienta, a presença em Itália insere-se na dezena de iniciativas no exterior que o setor português do calçado vai promover a partir de setembro, em parceria com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e com o apoio do programa Compete 2030.
“Em apenas dois meses, praticamente 100 empresas portuguesas integrarão ações em mercados internacionais, confirmando o dinamismo e a ambição exportadora do setor”, avança o presidente da APICCAPS, Luís Onofre.
Numa altura em que se prepara para concluir, até final do ano, “o maior ciclo de investimento da sua história”, com mais de 100 milhões de euros aplicados em sustentabilidade, digitalização, inteligência artificial e novas tecnologias, o calçado português promete levar a Milão toda a “nova geração” de materiais, componentes, equipamentos e processos produtivos desenvolvidos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Depois de três anos de investimento, investigação e desenvolvimento, é tempo de apresentar estas inovações aos compradores internacionais e de transformar o conhecimento criado em novas oportunidades de negócio”, afirma o presidente da APICCAPS.
Assim, os resultados dos projetos BioShoes4All e FAIST vão estar em destaque na Lineapelle e na Simac, dois dos principais pontos de encontro mundiais para as indústrias do calçado, componentes, curtumes, marroquinaria, máquinas e tecnologias.
Na Lineapelle, o BioShoes4All irá apresentar-se como “o maior projeto colaborativo alguma vez desenvolvido pela indústria portuguesa do calçado nas áreas da bioeconomia, sustentabilidade e inovação industrial”, ao reunir 69 parceiros e mobilizar um investimento de cerca de 60 milhões de euros.
Ao longo de quatro anos, este projeto gerou mais de 200 resultados científicos, tecnológicos e industriais, contando-se entre as soluções desenvolvidas materiais que incorporam resíduos de origem agroindustrial, novos couros e acabamentos de base aquosa, componentes reciclados ou recicláveis, borrachas com elevada incorporação de matérias-primas biológicas e processos destinados a reduzir a utilização de energia, água e produtos químicos.
“Várias destas soluções já ultrapassaram a fase de laboratório e estão prontas para aplicação industrial”, refere a APICCAPS, salientando que a participação na Lineapelle “permitirá apresentá-las diretamente a marcas, fabricantes, ‘designers’ e compradores internacionais, num momento em que o setor procura transformar o conhecimento criado pelo projeto em produtos comercializáveis e numa vantagem competitiva duradoura”.
“O objetivo do setor é claro: queremos que Portugal seja a grande referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a indústria do calçado”, sublinha Luís Onofre.
“Temos empresas, centros de conhecimento e talento altamente qualificado. O desafio passa agora por levar estas soluções ao mercado e conquistar a confiança das principais marcas internacionais”, acrescenta.
Já na feira Simac Tanning Tech estará em evidência o projeto FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica, que se propôs desenvolver a “fábrica do futuro”.
Liderada pela empresa Carité, a agenda FAIST representa um investimento próximo dos 50 milhões de euros e pretende reforçar a capacidade tecnológica e produtiva do ‘cluster português’ do calçado.
O projeto envolveu o desenvolvimento de 34 novos produtos, processos e serviços, entre equipamentos avançados, linhas automáticas, sistemas digitais e unidades-piloto para testar e validar novas tecnologias.
Segundo a APICCAPS, as soluções que a indústria nacional vai levar à Simac “procuram responder a alguns dos principais desafios da indústria”: Produzir séries pequenas e personalizadas com maior eficiência, automatizar operações exigentes, melhorar as condições de trabalho e reduzir o consumo de matérias-primas e energia.
Com a participação em Milão, Portugal aposta assim em reforçar a sua imagem não só como produtor de calçado, mas também como fabricante de componentes e tecnologias de elevado valor acrescentado, combinando conhecimento industrial, sustentabilidade, flexibilidade produtiva e capacidade de inovação.
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