Regresso a um triste passado em Arroios

Soube-se recentemente que João Jaime Pires vai abandonar a presidência da Junta de Freguesia de Arroios, cargo para o qual foi eleito nas últimas eleições autárquicas, a 12 de Outubro de 2025, há menos de 1 ano, numa aliança que uniu o PS e as esquerdas mais extremistas – Livre, BE e PAN – com a excepção do PCP.
Aceitei democraticamente a derrota, com total respeito pela vontade expressa nas urnas, num combate político que sabia ser extremamente difícil contra todos os extremos, à esquerda como à direita. Mas não posso agora continuar calada ao ver que os eleitores de Arroios foram enganados e que a candidatura de João Jaime Pires foi afinal uma autêntica fraude.
Segundo rezam as crónicas, o senhor não se terá “adaptado” à função. Alegadamente inadaptado, com o seu passado algo dissimulado como professor do Liceu Camões, mas também como líder de uma candidatura comunista em Alhandra, o senhor foi assim simplesmente a máscara utilizada para tentar credibilizar uma aliança que representou o regresso a um triste passado.
Um triste passado de que todos os habitantes de Arroios bem se recordam, com a presidência miserável de Margarida Martins, que perdeu as eleições e acabou a sua carreira política como arguida por suspeitas de peculato e abuso de poder na Junta, para além de ter oferecido atestados de residência a milhares de imigrantes ilegais, seguindo assim a política do PS de António Costa de portas escancaradas às redes de tráfico de pessoas em Portugal.
Um triste passado que agora regressa e se torna actual quando ficamos a saber, também pelos jornais, que o novo presidente da Junta se chama Vítor Carvalho, vogal no último mandato de Margarida Martins, sendo na altura considerado como o seu braço direito, ou esquerdo, mantendo-se depois, durante a minha presidência, como membro da Assembleia da Freguesia de Arroios.
Como se pode ler na sempre bem informada página dos Vizinhos de Arroios nas redes sociais, “é lamentável que o professor Pires se tenha prestado a ser uma barriga de aluguer” para Vítor Carvalho, que aliás foi bem escondido como número 4 na lista de candidatos. Mais, cito, “o regresso do Sr. Carvalho é o regresso aos negócios e acordos obscuros” do passado, com “os duvidosos concursos públicos, as adjudicações diretas a associações culturais” e “as empreitadas de obras que acabavam mal” ou nem sequer acabavam. A isto, acrescenta-se, sem “falar dos atestados de residência à borla!”. Que é como quem diz, à vontade das redes de tráfico ilegal de pessoas.
Arroios está paralisada. A higiene urbana, o pelouro tutelado por Vítor Carvalho, está cada vez pior. Se não faz nada com o lixo, o que é vai conseguir fazer com o resto? As obras no espaço público estão paradas, outras nem se iniciaram. O acesso ao Mercado do Forno do Tijolo está interdito.
No fundo, a única coisa que tem funcionado é a organização das manifestações do Bloco de Esquerda, no Largo do Intendente, com os meios da Junta de Freguesia. Arroios merece mais, merece melhor.
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