The Jerusalem PostJerusalem Reform synagogue egged on Rosh Hashanah in second attack in a monthESPNNBA Future Power Rankings: We stacked the three-year outlooks for all 30 teamsESPN DeportesDJ Moore también quedó fuera del partidoInquirerQuezon priest urges DOE review of Atimonan coal plant project한겨레영국 국왕, 젠슨 황 등 AI 리더 만나…“더 늦기 전 통제권 지키자”Sözcü6 nüfus 7 ekmek ve gözyaşlarıSouth China Morning PostByteDance spin-off Anew Labs raises US$290m as AI drug developers enjoy fundraising boom경향신문호우 피해로 집 못 돌아간 거제·통영 이재민 107가구에 월세·체재비 지원한다Anime News NetworkAnimeJapan Opens Entry Submissions for 'New Creator Awards 2027' on October 1ESPN CricinfoLahore High Court dismisses Rizwan's petitionBillboard‘It Was Very Homemade’: Dave Stewart Went ‘Back to Front’ For His New AlbumEl ComercioUn campo de batalla: la gresca entre los jugadores de Cienciano y City Torque tras el 3-0 | VIDEO
The Daily Newsstand · Free, Always
Friday, September 18, 2026

Afinal, a corrente não é imparável

Translate

Vão-se sucedendo um após outro os países que legalizam a eutanásia e/ou o suicídio assistido, como se de uma corrente imparável se tratasse e como se fosse inglório e votado ao insucesso o esforço de a contrariar. O último foi a França. A Itália parece seguir o mesmo caminho, no que ao suicídio assistido diz respeito, por imposição do Tribunal Constitucional. Era de esperar que se seguisse o Reino Unido, onde a questão vinha sendo discutida nos últimos dois anos, depois de em anos mais recuados ter sido recusada tal legalização mais de uma vez. Mas, para surpresa de muitos, essa legalização foi rejeitada (com sucedeu também na Escócia em março). Afinal, a corrente não é imparável…

Numa primeira votação da Câmara dos Comuns, em 2024, a legalização do suicídio assistido foi aprovada por uma diferença de 55 deputados. Numa segunda votação, em 2025, essa diferença foi reduzida para 26 deputados. Os prolongados debates na Câmara dos Comuns e na Câmara dos Lordes fizeram caducar o projeto inicial. Um novo projeto igual ao inicial foi agora de novo submetido à Câmara dos Comuns e foi rejeitado por uma maioria transversal de 286 deputados de vários partidos contra 270. Vários deputados do Partido Trabalhista mudaram, entretanto, o seu sentido de voto.

O que poderá explicar esta mudança?

Como tem sucedido noutros países, os representantes da Igreja Católica foram claros e firmes nos seus apelos para a rejeição da proposta em discussão, convidando os cidadãos seus fiéis a transmitir esse apelo escrevendo aos deputados que os representam. Embora de modo não tão unânime, também apelaram a essa rejeição os representantes da Igreja Anglicana.

Particularmente significativo foi um estudo de iniciativa governamental sobre o possível impacto da legalização.

Nesse estudo se salienta, sobretudo, o risco de as pessoas mais vulneráveis (com deficiência, doenças mentais, com menor acesso aos serviços de saúde, em situação de pobreza e/ou solidão, vítimas de doença doméstica, minorias étnicas) recorrerem ao suicídio como possível saída para os seus problemas, ou serem de várias formas pressionadas nesse sentido. A legalização do suicídio assistido encerra uma mensagem social que pode reforçar tal ideia, assim como a de que essas pessoas são um peso para os familiares e para a sociedade, facilitando essa opção em detrimento de alternativas que supõem o mais exigente reforço dos apoios de que elas carecem (a verdade é que também houve quem calculasse as poupanças financeiras daí decorrentes).

Esses receios foram também expressos pelas ordens e associações profissionais de médicos (designadamente, paliativistas, psiquiatras e geriatras), enfermeiros, farmacêuticos e técnicos de serviço social, assim como associações de defesa de pessoas com deficiência e de vítimas de violência doméstica.

O novo primeiro-ministro, Andy Burnhan, embora não rejeite por princípio a legalização da eutanásia e do suicídio assistido, manifestou sua posição contrária à aprovação dessa legalização enquanto não estiver assegurado o acesso generalizado aos cuidados paliativos (posição diferente da do seu antecessor).

Uma sondagem publicada por ocasião desta última votação parlamentar revelou que uma esmagadora maioria dos cidadãos partilha os referidos receios do impacto da possível legalização do suicídio assistido sobre as pessoas mais vulneráveis, assim como a referida posição do atual primeiro-ministro.

Este exemplo deve servir de lição para outros países e também para Portugal. Afinal, não é inglório, nem necessariamente votado ao insucesso o esforço de lutar contra a legalização da eutanásia e do suicídio assistido (é verdade que também nunca o será, mesmo quando não conduza ao sucesso no plano da política legislativa, sempre será frutífero no plano pedagógico da formação das consciências). Vale sempre a pena nadar contra a corrente.

Entre nós, foi aprovada a legalização da eutanásia e do suicídio assistido, mas a entrada em vigor da lei depende ainda da correção de algumas apontadas inconstitucionalidades que não atingem, porém, o cerne da questão em jogo, que é da quebra do princípio da inviolabilidade da vida humana. Numa democracia, leis como esta não são irreversíveis. A lição do Reino Unido deveria favorecer a pura e simples revogação dessa lei.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.