SCP x MFC. “Sem cartões e acertado nas áreas”

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está dado o apito inicial para mais um "Sem Falta", na Rádio Observador. A 11ª jornada tivemos Sporting 1, Moreirense 0, estreia de Paulo Fonseca, mas aquilo que nos interessa é o trabalho do árbitro João Gonçalves Pedro Henriques, num jogo sem cartões amarelos, raro no nosso campeonato. Temos ao minuto dois, um lance a envolver Quaresma com Vonic, da equipa do Moreirense. Resta saber se havia aqui motivos para grande penalidade. Acho que se queixaram qualquer coisa os homens de Moreira de Cónegos.
Sim, mas sem motivo para penal. Teve a bola cruzada, conforme a equipa do Moreirense estava a atacar da direita para a zona central, e o Leonardo Vonic, que está a ser marcado por Ricardo Quaresma, é ele, o Vonic, que toca na bola, um ligeiro desvio no esférico, mas o central leonino, o Quaresma, não toca no Vonic, ou seja, está só a marcá-lo, contato físico, sem rasteira, sem pontapear. Portanto, tudo certo, sem falta. De qualquer maneira, uma primeira nota de chamada para uma repetição muito a fugir e muito amanhada quando a bola já está a chegar à área e podemos, às vezes, ser induzidos em erros por situações que têm a ver com as imagens que não nos são facultadas. De qualquer maneira, fico com a ideia em movimento corrido e também nessa repetição muito defeituosa que não há motivo para apontar penal.
Como dissemos, não houve qualquer cartão neste jogo, mas ao minuto 12, na tua opinião, Max Erauz riscou um amarelo. Resta saber se arriscou ao ponto de, na tua opinião, dever ter levado amarelo.
Arriscou no sentido de que eu acho que o árbitro fez bem em não ter mostrado cartão amarelo e, portanto, vou validar a decisão, mas para um jogador que sabia que não podia levar cartão amarelo neste jogo, tal como Suárez, por causa de ficar de fora e os cinco amarelos, a punição é na própria competição, portanto, o que há pelo meio não conta. Arriscou, obviamente, porque é uma situação em que o Iracunda só falta na zona de meio-campo. O árbitro bem dá a vantagem, o Max Erauz corre pelo corredor esquerdo e já à entrada da área, o Guilherme Liberato estica a perna direita e o Max Erauz força claramente aquele contacto. Eu não vou dizer que tenha havido simulação, porque simulação para mim é sobretudo quando alguém não toca em alguém e o próprio Max Erauz força ali o contacto relativamente ao Guilherme Liberato. Agora, uma coisa que eu sei é que não foi rasteirado. E a questão aqui nem está tanto na ser ou não ser falta, porque eu acho que o árbitro fez bem, é a maneira como depois o Max Erauz acaba por reagir. Como o jogo não para e o árbitro tira os olhos dali, isso também acaba por ser um matiz nuante a favor do Max Erauz, porque não é uma situação em que a bola para e depois o jogador está na cara do árbitro a reclamar. Mas arriscou, pôs os joelhos e depois fez um bracejar que poderia, eventualmente, noutro contexto, levar ao cartão amarelo. Mas eu concordo com a decisão, não é propriamente aquelas situações excessivas, mais evidentes, e numa situação de gestão de jogo, acho que fez muito bem o árbitro em deixar seguir, não marcando falta, mas também não dando amarelo.
E temos depois ao minuto 14, um lance a envolver Silas Anderson, que chegou e quase introduziu a bola na baliza do Moreirense, mas houve uma bola no poste primeiro e depois o corte in extremis em cima da linha. Resta saber se, na tua opinião, aqui entrou ou não na baliza do Moreirense, mas sem perspetiva disso.
É fácil de ver, só porque como a repetição focou um bocadinho exatamente nesse aspeto, para mostrar claramente que a bola não tinha entrado. Aí é pacífico, nem sequer é daquelas situações que está sobre a linha e nos pode deixar alguma dúvida. Não entrou, ficou no poste, regressou para as quatro linhas e não no sentido de ir para a linha de baliza. Eu só quero relembrar é que vamos tendo sempre alguns lances desses, são raros, mas vão acontecendo e alguns deles deixam-nos dúvidas. E a Liga Portuguesa continua sem a tecnologia de linha de gol, como continua sem o fora de jogo semiautomático e também compete a nós, em termos de comunicação social, e no meu caso concreto, que falo de arbitragem, para ir massacrando, porque se há dinheiro para tantas festas, tem que haver dinheiro para coisas que são realmente importantes para o futebol e, neste caso, para a arbitragem. Não é para a arbitragem, é para o jogo de futebol, porque depois temos aquele tal lance, pode ser no Porto-Sporting, pode ser noutro jogo qualquer, e depois que entra, que não entra, fica ali por cima e uma tecnologia resolve e acaba a polêmica. Ainda hoje recordamos alguns casos de jogo de há 10 anos, e de 15 e 20, de bolas que entraram, que não entraram, do tempo até do Vítor Baía, que as pessoas se lembram de certeza disso, e as tecnologias são para isso mesmo, são para ajudar, sobretudo nestes lances, que não são de interpretação e que são mais factuais. E tardam em vir. Os clubes reclamam muito a arbitragem, mas depois ajudar e contribuir, e a própria Liga e a Federação resolverem este problema, continua. Agora parece que com tantas críticas começaram a pensar no assunto. Não é para pensar, é para fazer.
Temos ainda na primeira parte, para fechar os lances da primeira parte, um lance a envolver Luís Guilherme, do lado direito do ataque do Sporting. O João Castro ficou com a ideia de que podia haver falta, o mesmo aconteceu contigo. Não tivemos acesso à grande repetição, mas depois na emissão foste avançando e havia mesmo motivos para falta, mas acho que sem cartão também aqui.
Exato, sem cartão, mas é um lance sem cartão, isso é o que é o mais importante. É um lance em que realmente há falta e só se percebe numa repetição bem mais à frente. E a repetição, depois, é feliz, porque o Guilherme Liberato com a mão direita puxa de forma muito clara e evidente a manga esquerda da camisola do Luís Guilherme. E com isso retarda a possibilidade do jogador desenvolver a jogada. Isto é mesmo no que a gente chama no bico da área, entre a parte perpendicular e a parte paralela da área, e há mais jogadores. Não é propriamente a situação em que o jogador vai entrar na área com velocidade e depois é travado. Aí seria livre direto e cartão amarelo. Aqui não, era só mesmo o livre direto que ficou por assinalar e é talvez das poucas falhas que o árbitro teve, que depois na nota vou explicar por que o árbitro teve algumas dessas falhas.
E temos ao minuto 46, já na segunda parte, um lance com o Iracunda a cair na área do Moreirense. Reclamou-se penalty, pelo menos o próprio jogador, mas na tua opinião, sem motivo para tal.
Sim, sem motivo. Dão duas repetições e depois mais à frente eram duas melhores repetições. E estas quatro repetições, neste lance, sim, tudo correto em termos de repetições, não há qualquer infração do Gilberto Batista. O braço direito do Gilberto está nas costas do Iracunda, do Bravo, mas não o empurra, não o carrega, não o desequilibra. Peço desculpa. Deu-me aqui uma trevadinha.
Sem problema, estamos todos a ficar afetados pela chegada do outono. Já está há algum tempo, mas neste momento está mesmo a confirmar-se em termos de temperatura. Força.
Também estou a ficar aqui um bocadinho aflito E depois com o pé direito, há um ligeiro contacto lateral em relação ao pé esquerdo, mas não rasteira. Quando coloca o apoio no chão, fica o pé direito do Gilberto Batista ao lado do pé esquerdo do Iracunda, quando digo ao lado é mesmo em contacto, mas sem que isso o tenha desequilibrado. Isto é, não pontapeou, não rasteirou. Estes dois contactos, que são muito ligeiros e inconsequentes, e eu recordo que para haver falta, é a chamada causa e efeito, tem que haver uma consequência, tem que haver que o jogador perde a bola, não chega à bola, não consegue rematar, porque efetivamente uma determinada ação física faz com que o jogador tenha exatamente essa tal consequência, porque é empurrado, porque é agarrado. Aqui não foi o caso, o contacto do braço nas costas é só em termos de controlo, é uma repetição lateral, percebe-se que ele não empurra e depois o pé ao lado um do outro, nem sequer é aquela situação de uma rasteira ou de um toque, é mesmo ao apoiarem os pés um e o outro, que os pés ficam ao lado um do outro. Há contacto, mas sem infração. E para mim, correta a decisão, até porque é um lance que, para além da questão do pontapé de penalty, estaríamos a falar eventualmente até de um cartão vermelho, porque claro, é oportunidade de golo. No meu ponto de vista, bem decidido por parte do árbitro e confirmado pelo VAR.
Temos depois ao minuto 48, o Quaresma num lance na área do Sporting contra o Dinis Pinto. Queixaram-se também de penalty os homens do Moreira de Cónegos. Resta saber se havia motivos para o castigo máximo ou se escapou aqui algo depois ao árbitro.
Exatamente. É uma repetição, um cruzamento. Isto é tudo no enviamento e depois até é curioso, repare que isto foi tudo quase em enfiada e o que vem a seguir é o golo anulado ao Sporting e estas repetições do minuto 46 do Iracunda, esta agora do minuto 48, aparecem curiosamente depois do golo e do anulado do golo. Ou seja, primeiramente focaram-se no golo anulado e só na sequência disto é que depois vieram dar estas repetições mais à frente. Mas isto para dizer que o Quaresma tem o cuidado de recolher. O Quaresma está à direita do Dinis Pinto e o Dinis Pinto está à sua esquerda. A bola é cruzada pelo lado direito para o interior da área e o Quaresma tem o cuidado, e fez bem, em recolher e puxar a sua perna esquerda para evitar aquilo que muitas vezes acontece, que é entradas fora de tempo e pontapés ao adversário. E o Quaresma tem tido alguns azares esta época com alguns lances desses, inclusivamente, todos se recordam daquele do Sporting com o Famalicão, do penalty que ele comete. Isto para dizer o quê? Que o Quaresma, neste caso, porventura escaldado com essas situações que tem tido algumas, puxou a perna esquerda para dentro, recolheu-a, evitou o contacto e o Dinis Pinto acaba por cair, não se percebe bem porquê, porque no fundo ele não é carregado ou neste caso rasteirado. Portanto, boa decisão, sem motivo para pontapé de penalty.
Temos depois ao minuto 49, um golo anulado ao Sporting, Iracunda, mas por fora de jogo no enviamento da jogada a Silas Anderson, que foi por uma unha negra, uma unha negra do tamanho total de oito centímetros. Um corta-unhas precisa-se.
Exatamente. O golo é de Iracunda, o assistente deixou a jogada ir até ao fim, e bem, e depois levantou a bandeirola e o VAR confirmou. O Luís Soares quando passa a bola para o Anderson, ele está adiantado oito centímetros. E eu aqui vou relembrar, tivemos no outro dia os sete centímetros do Porto, no outro dia tivemos cinco centímetros, se não estou em erro, o Benfica. Temos andado aqui com umas métricas bastante pequenas e não deixa de ser curioso que em alguns casos fizeram muito barulho. Penso que agora, por grande coincidência, tem havido tudo métricas deste género e vale para todos. Ou seja, não deixa de ser curioso que os clubes que levantam a voz, depois acontece-lhes o mesmo, ou porque os beneficiam porque marcam, ou porque beneficiam no sentido de verdade desportiva, etc. Ou porque os adversários são penalizados por estarem fora de jogo, quer que seja, e depois os tais guiados de vídeo todos os clubes têm. É só relembrar que o vídeo é o árbitro, neste caso, na cidade do futebol, as linhas de fora de jogo são sempre colocadas da mesma maneira. Depois, quando os centímetros são poucos, como é o caso, desde que tivemos tido nos últimos jogos e hoje os oito centímetros, o VAR volta a desfazer todo o sistema de colocação do momento do passe, os dois jogadores, o avançado e o defesa, ou quem está a atacar e quem está a defender, e volta a colocar e para que isto possa ser uma decisão final, a métrica tem que bater sempre igual. E portanto, só quando bate pelo menos em duas métricas, eles fazem normalmente três vezes, e se duas dessas métricas derem oito centímetros, seja neste caso para validar ou neste caso para invalidar, é aí que o VAR coloca essa decisão. E sobretudo neste caso, até foi mais simples porque não foi para anular ou para reverter uma decisão, foi até para confirmar uma decisão. Mais importante, a tecnologia existe, não é perfeita, que era a tal que falámos há um bocadinho, que essa sim vai tirar o ónus todo do ser humano nesta análise fora de jogo, mas esta métrica é igual para todos os clubes e, portanto, neste caso, para terminar, golo bem anulado ao Sporting, Luís Soares quando passa para o Silas Anderson, está em fora de jogo e, portanto, tudo correto, oito centímetros.
Temos para terminar a análise aos lances, casos deste jogo que não teve qualquer cartão. Pedro, ao minuto 93, a regra dos cinco segundos. Maxi Iara Urru, acredito que tenha sido o Maxi Iara Urru do Sporting, ficou tempo a mais com a bola na mão, o lançamento passou para a equipa adversária.
Sim, e o Maxi Iara Urru depois até reclamou com o árbitro. Não faz sentido. Nós sabemos que essa foi uma das alterações. Nem sequer os jogadores podem ser surpreendidos com a contagem, porque os árbitros são obrigados a fazer a contagem. E o árbitro não começa a contar quando a bola sai para fora. O árbitro começa a contar quando vê que o jogador que vai fazer o lançamento já está em condições para o executar, ou seja, já está sobre a linha lateral e já tem a bola nas mãos. E portanto, o árbitro deu esse tempo ao Maxi, depois apitou, que é isso que tem que fazer, levantou a mão, fez uma contagem decrescente, cinco, quatro, três, dois, um, e portanto, o Maxi teve todo o tempo para fazer a execução do lançamento. Não é que reclame, mas fica ali chateado com o árbitro, como se o árbitro é que tivesse a culpa de uma alteração da lei e como se o árbitro tivesse estado errado. Não, quem errou foi o Maxi Iara Urru. E ele tem que compreender isso e quando ele compreender isso, vai-se tornar muito melhor jogador em todos os aspetos. De qualquer maneira, correta a decisão do árbitro, viu-se a contagem, excedeu os cinco segundos, o lançamento passou para a equipa do Moreirense.
Resta saber que nota merece João Gonçalves, que apitou este Sporting 1, Moreirense 0, na estreia de Paulo Fonseca, Pedro Henriques.
Nota 7. Sem cartões e com acerto nas áreas e com estas três características muito invulgares na nossa liga. 18 faltas, muito pouquinho para a nossa liga, nenhum cartão mostrado, e neste caso, até de forma assertiva, e 68% de tempo útil. Vai aparecer com certeza no final desta época, no top 10 de tempo útil de jogo. Portanto, que é fora do vulgar para aquilo que é a nossa liga, este 68% de tempo útil, mas obviamente tem a ver com o não puxar de cartões e naturalmente com a questão das poucas faltas. Qual é o ponto menos positivo destas questões? E eu sei, porque era a minha maneira de arbitrar também. É quando se deixa jogar, quando se privilegia o contato físico e não se valorizam muito os contactos, ficam às vezes faltas por assinalar, que no campo parecem contactos e depois na televisão, com as repetições, realmente eram faltas. E é aqui que o árbitro, sem ter grande impacto no jogo, mas às vezes pode ter, mas aqui não teve grande impacto, houve aqui óbvio lá, nós focamos vários lances, alguns lances em que eram mesmo faltas e o árbitro não as assinalou. Mas este é o risco que se corre quando se deixa jogar. E neste caso concreto, saiu-lhe bem. Nota 7, nota positiva, o jogo sem cartões e com muito acerto nas áreas.
Está dado o apito final de mais um "Sem Falta", a analisar o trabalho da equipa de arbitragem, hoje liderada por João Gonçalves, num jogo em que merece nota 7 o árbitro, uma boa nota, num jogo com apenas 18 faltas, muito bom tempo útil, sem cartões e contudo acertado nas áreas. Pedro Henriques, amanhã dose dupla. Primeiro em Guimarães com o Vitória Sport Clube, Futebol Clube do Porto, a partir das 15h e depois a partir das 20h30, também na Reboleira, Estrela Amadora, Benfica, com relato em direto aqui na Rádio Observador e áudio arbitragem do Pedro Henriques. Um bom abraço, Pedro, um bom descanso e até amanhã.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.