ESPN🏈 NFL Week 3 picks, predictions, fantasy tips and moreRTP DesportoFinalíssima em Pontevedra. Vasco Vilaça procura título mundial de triatloThe Jerusalem PostAuthenticity and Modernity Party wins Morocco vote, Islamists return to oppositionPunchPeter Obi not godfather to Soludo’s children — First Lady’s aideCNN TürkTürkiye’nin en sıcak ve en kurak yılları belli olduInquirerAfrican swine fever on pigs confirmed in Agutaya, PalawanESPN DeportesRussell le gana a Max en emocionante final en GP de AzerbaiyánObservador DesportoQuatro corpos recuperados após explosão em AtenasThe GuardianSlovenia v Scotland: Nations League – liveBBC SportRepublic of Ireland confirm Israel game will go aheadFox NewsKate Upton retires, high school football game rocked by what some say is a cheap shot & iOSU's new kicker?BBC عربيالبيت الأبيض يمنع "سي إن إن" من مرافقة ترامب على متن الطائرة الرئاسية "إير فورس وان"
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, September 26, 2026

Aos 81 anos, Ana Lúcia Torre defende sexualidade na maturidade: 'O corpo envelhece, mas a mente, o coração e o desejo não'

Translate

Aos 81 anos, Ana Lúcia Torre continua enxergando a vida com curiosidade, disposição e vontade de experimentar o novo. Prestes a estrear no cinema Um Tio Quase Perfeito 3, no dia 8 de outubro, a atriz vive a trambiqueira Cecília no longa. Conhecida pelo jeito irreverente e pelas situações inusitadas em família, ela também se abre para a possibilidade de encontrar um novo amor.

Na terceira parte do filme, Cecília vive a mãe do protagonista Tony (Marcus Majella), que ressurge se sentindo abandonado, uma vez que os sobrinhos cresceram e se tornaram independentes. Sua vida muda, contudo, quando ele se depara com um bebê deixado em sua porta. Além de Ana Lúcia, estão no elenco Letícia Isnard e Danton Mello, entre outros. Pedro Antonio assina a direção.

Em entrevista à Quem, a atriz fala sobre a importância de representar o amor e a sexualidade na maturidade e critica o preconceito que ainda associa o envelhecimento à perda de desejos e possibilidades. "O corpo envelhece, mas a mente, o coração e o desejo não", afirma.

Com seis décadas de trajetória no cinema, no teatro e na televisão, a artista também revisita a própria carreira e conta como a passagem do tempo trouxe mais liberdade, tanto na vida pessoal quanto na escolha de personagens. Mãe e avó, ela lembra as responsabilidades que assumiu ao longo dos anos e explica por que hoje se permite fazer coisas que antes pareciam impossíveis.

Ana Lúcia Torre no elenco do filme 'Um Tio Quase Perfeito 3' — Foto: Daniel Chiacos /H2O Films
Ana Lúcia Torre no elenco do filme 'Um Tio Quase Perfeito 3' — Foto: Daniel Chiacos /H2O Films

Confira a entrevista:

Cecília está de volta em Um Tio Quase Perfeito 3 e, desta vez, aparece também interessada em encontrar um novo amor. O que te atraiu nessa história de uma mulher mais velha que continua aberta ao romance, ao desejo e à possibilidade de recomeçar?
A Cecília sempre teve uma vibração com a vida que é raro você ver em personagens mais velhos. Ela estava sempre pronta para tudo, ensinando as piores bobagens para os netos, mas sendo sempre muito compreensiva com a família toda. E a oportunidade de um novo amor apareceu como um susto para a Cecília. Como tudo que ela faz na vida, ela embarcou, e embarcou com uma alegria enorme. Então eu acho que essa é uma mulher que já está na terceira idade avançada, mas tem muita alegria de viver e não teme novos compromissos.

A vida amorosa depois dos 70 ainda é pouco representada no cinema e na televisão. Por que você acha que existe esse 'apagamento' do desejo e da sexualidade na maturidade?
É verdade. A vida amorosa depois dos 70, eu diria que até depois dos 60, é pouco representada no cinema e na televisão. Eu acho que é um preconceito, porque toda pessoa depois dos 60, pelo menos no nosso país, é considerada velha. O velho tem que ficar em casa, a mulher fazendo tricô e o homem vendo televisão. Realmente é uma mentalidade que, muito lentamente, está se modificando. Eu costumo dizer o seguinte: o corpo envelhece, mas a mente, o coração e o desejo não envelhecem. Quanto mais alegria de viver, mais prazer de estar com as pessoas, de observar a natureza, de ver o ciclo da vida, mais você se empolga com a vida, com os amigos.

O que gostaria que o público enxergasse na Cecília?
Eu queria que o público enxergasse na Cecília não só essa mulher doidinha como ela parece, mas uma mulher que, apesar dessa doidice, está sempre atenta à família, aos netos, aos filhos, à vida. Eu acho que é isso: tendo alegria de viver, tendo o desejo de conhecer mais e mais, não há envelhecimento.

Aos 81 anos, existe uma liberdade que você sente hoje e que talvez não tivesse quando era uma atriz mais jovem?
Agora, aos 81, existe uma liberdade, sim, que eu não tinha quando era uma atriz mais jovem. Eu tenho hoje uma liberdade na minha vida maior do que tinha, por exemplo, aos 40. Eu tinha muita responsabilidade: tinha que cuidar do meu trabalho, do meu filho, da casa, e fiz tudo isso sozinha. Eu tinha muita responsabilidade. Às vezes me atrelaram um pouco, e por isso deixei de fazer outras coisas que eu gostaria de ter feito.

O que mudou na sua relação com o trabalho e com você mesma?
Atualmente, tudo bem: eu já tenho uma carreira, no mês que vem vou fazer 61 anos de carreira. Isso também me dá mais liberdade para entrar em determinados personagens, porque eu já tenho uma carga de trabalho muito grande. Não que eu vá imitar o que já fiz, mas o acesso a coisas diferentes já é mais fácil. E na minha vida também: filho criado, netos grandes. Então agora eu posso me permitir uma série de coisas que antes eu não me permitia, de jeito nenhum.

São seis décadas entre cinema, teatro e televisão, passando por personagens dramáticos, comédia, cinema autoral e produções populares. Existe algum tipo de personagem que hoje você gostaria de fazer e que ainda não teve a oportunidade de interpretar?
Este ano eu vou completar 61: no próximo mês, em outubro, completo 61 anos de carreira. Então, realmente, já fiz comédia, já fiz drama, já fiz farsa, já fiz musical, já fiz um bocado de coisa. Mas tem um personagem que eu gostaria muito, muito de fazer. Eu gostaria de ser uma senhora, bem senhora, dona de um bordel chique, onde eu receberia com muita elegância todos os senhores que se apresentassem, mas onde eu também defenderia com unhas e dentes as minhas meninas (risos). Esse é um desejo que eu tenho.

Cecília tem esse lado 'descolado', esperto e até trambiqueiro, enquanto você também ficou muito marcada por personagens mais dramáticas. O humor ganhou um espaço diferente na sua carreira nos últimos anos? O que a comédia te permite fazer como atriz?
Ah, a comédia é fantástica, né? Eu já fiz muita coisa de comédia, tanto no teatro quanto na TV. Eu gosto de pegar personagens que são hilários e fazê-los muito seriamente, porque o teatro é o espelho do que a gente faz na vida. Quantas vezes, depois de passar por uma situação tensa ou meio desesperada, quando a situação passa e você vai contar a história, você dá muita risada com aquilo, com a situação que aconteceu? Um personagem cômico é muito bom. O personagem de humor é interessantíssimo, porque você pode mostrar ao público, através do humor, coisas que são muito sérias, muito difíceis de enfrentar. E, quando você faz o público rir com determinado comportamento de um personagem, ao mesmo tempo você faz o público refletir sobre aquela situação. Eu já fiz na televisão muita coisa de humor. Por exemplo, em O Outro Lado do Paraíso, eu fazia uma mãe amorosíssima de um filho gay total e que pregava aos quatro ventos que ele era muito macho. No teatro eu fiz coisas incríveis, fiz um clássico, que é Arsênico e Alfazema, em que duas velhinhas matam pessoas que elas acham que estão sozinhas e que não têm ninguém para protegê-las. Então o humor faz a plateia refletir através do riso. E isso é muito difícil: fazer humor é muito difícil, e é o que eu mais adoro fazer.

Você se tornou meme por personagens como Débora em Alma Gêmea. Como é perceber que cenas e personagens que você fez há tantos anos continuam circulando entre uma geração que talvez nem tivesse nascido quando a novela foi exibida? Você se diverte com isso?
Ah, essa coisa de virar meme eu adoro, eu adoro. Porque, veja, faz o quê? 22, 23 anos que essa novela foi feita, se não me engano. E até hoje, em situações diferentes, aparece a Débora como marco de alguma coisa nova que aconteceu, seja na política, seja em uma coisa social, enfim. A Débora se tornou um símbolo: através dela, você pode criticar e fazer gozação em cima de fatos da realidade. Isso é maravilhoso, eu me divirto muito. Às vezes eu estou aqui em casa, toca o celular e vou ver: é um novo meme da Débora. A Débora sempre naquela ceninha de tomar o veneno. É muito bom, gente. Eu me sinto lisonjeada, acarinhada e agradecida a esse público que não se esquece dessa personagem, que para mim foi muito, muito gostoso de fazer. Porque, veja bem, ela era o cão chupando manga, e as pessoas riam muito dela, muito. Aconteceu uma vez de eu estar na rua, no Flamengo, no Rio de Janeiro, e uma pessoa me parar e dizer: 'Estou indo correndo para casa porque quero ver o que a Débora vai aprontar hoje.' E dava risada. Então é muito bom, é muito bom, eu fico muito feliz.

Hoje se fala muito sobre etarismo no mercado de trabalho, inclusive no audiovisual. Você sente que ainda precisa provar que uma atriz de 81 anos pode protagonizar, ser desejada, fazer comédia e ocupar diferentes espaços?
Ah, meus queridos, eu estou com 81 e estou fazendo um monólogo. Estreou em outubro de 2025 e nós já estamos com agenda marcada pelo menos até julho de 2027. Então eu acho que isso é mais do que prova de que um ator, depois dos 80, pode fazer muita, muita coisa. Basta ver o que faz o Ary Fontoura, o que faz a Suely Franco, o que faz o Othon Bastos. Enfim, fora a Fernanda [Montenegro] e a Nathalia [Timberg]. É aquilo que eu falei: a sociedade está começando a mudar. Mas ainda acreditam que, depois dos 60, a pessoa é velha e tem que ficar em casa. E a nossa geração está provando que não. Não tem que ficar em casa, tem que ir para a luta. Se não pode trabalhar, gente, tem grupos de ginástica, tem grupos de leitura, tem grupos de auxílio a entidades filantrópicas, tem, sei lá, infinitas coisas que se pode fazer. Então eu estou muito feliz fazendo o que eu faço, vou continuar. E é isso: eu acho que isso faz a gente ficar sempre jovem, porque, se a cabeça está jovem, a gente está sempre jovem.

Você continua trabalhando enquanto muitos profissionais da sua geração já estão afastados da televisão e do cinema. O que ainda te dá vontade de entrar em um set, decorar um texto e começar um novo personagem?
É essa fonte que não seca. É aquilo que eu falei: você tem que ficar atento ao corpo, fazer alguns exercícios, porque o corpo enferruja, mas, lubrificando o corpo, ele fica um pouquinho melhor. Agora, a cabeça estando bem, a sua vontade de viver estando bem, a sua alegria estando bem, por que não?

Existe algo que faria você pensar em parar?
Não existe nada, nada, agora, que me faria pensar em parar. De jeito nenhum, de jeito nenhum. A minha mãe costumava dizer: 'Cabeça vazia, casa do diabo.' Eu acho que é isso. Não tem jeito, eu tenho muita atividade em mim. Então, nada, por enquanto, me faz pensar em parar.

No filme, Cecília está atrás de um novo casamento. Na vida real, como você enxerga a ideia de recomeçar afetivamente em qualquer idade? Você acha que, com o passar dos anos, ficamos mais exigentes ou mais disponíveis para viver uma relação?
Recomeçar afetivamente em qualquer idade? Sim, por que não? Existem vários tipos de relação. É porque as pessoas falam assim: 'Como vai casar com 70? Como vai ser o sexo?' É estranho isso, né? Quando a gente é mais jovem, um casamento, uma relação implica muito em sexo, ou só em sexo. E quando você está mais avançado na idade, uma relação tem muito a ver com companhia, com carinho, com compreensão, com dar risada junto. Não quer dizer que não tenha sexo, mas é óbvio que não é aquele sexo que era aos 20, 30, 40. Mas, realmente, com o passar dos anos, a gente vai ficando mais exigente. Disponíveis, talvez, mas a exigência cria uma certa distância para você chegar ou encontrar um parceiro legal. Mas eu acho que realmente recomeçar afetivamente, em qualquer idade, sim.

Ana Lúcia Torre no elenco do filme 'Um Tio Quase Perfeito 3' — Foto: Daniel Chiacos/H2O Films
Ana Lúcia Torre no elenco do filme 'Um Tio Quase Perfeito 3' — Foto: Daniel Chiacos/H2O Films
View the original on Quem →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.