Bellão desabafa sobre má fase no Botafogo: "Recebi crítica até buscando meu filho na escola"

Sob os olhares atentos de Tite, anunciado nesta quarta-feira como novo treinador do Botafogo, Bellão viu Montoro e Danilo brilharem na vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio e se despediu do comando interino da equipe. Na coletiva, ele comemorou o fato de poder passar o bastão com uma vitória importante para a equipe no Brasileirão.
Com o resultado, o Botafogo chegou aos 35 pontos e assumiu a 11º posição na tabela, se distanciando da zona de rebaixamento e permitindo à equipe olhar para cima na classificação.

Botafogo 3 x 2 Grêmio | Melhores momentos | 21ª rodada | Brasileirão 2026
- Sentimento de alegria porque batia-se muito em relação a não estar ganhando, de quatro vitórias sem vitórias, e agora são três jogos invictos. Eu sempre falei de olhar o lado cheio do copo, da gente conseguir pontuar. O resultado hoje era muito importante, era uma final para a gente. Eu falei antes do jogo que, na preleção, eu falei com os jogadores que não era jogo de seis pontos, era jogo de sete pontos porque a gente distanciaria sete pontos do adversário - disse Bellão.
- É uma alegria imensa poder passar esse passo para o professor Tite, com a equipe bem, lá em cima, na primeira página do campeonato, sempre se afastando da parte debaixo. Como eu disse, o Botafogo tem que olhar para cima. Não pode esquecer de olhar para trás, mas tem que olhar para cima sempre. Minha felicidade é poder entregar a equipe mais uma vez nesse momento de olhar para cima - acescentou.
Rodrigo Bellão na partida contra o Grêmio — Foto: Vitor Silva / Botafogo
O Botafogo volta a campo no próximo sábado para enfrentar o Mirassol, às 17h (de Brasília), no Maião, em jogo da 28ª rodada do Brasileirão.
Com a chegada de Tite, Bellão passará a exercer a função de auxiliar fixo da comissão técnica do Botafogo. Ele comentou essa mudança de papel na coletiva:
- Em relação à segunda pergunta, estou muito feliz com essa oportunidade de estar participando aqui do principal, mais agora fixo, de poder participar dessa fase de transição com o professor Tite, para a adaptação dele, da comissão dele, para conhecerem o que é o Botafogo. Acho que isso é muito importante, as pessoas que estão aqui. Então, eu tenho certeza de que o estafe todo vai abraçar ele, vai recebê-lo muito bem, e eu quero muito fazer parte disso. Estou muito feliz com essa oportunidade - disse ele.
- Não quero deixar de olhar para a base também, de manter o legado que talvez eu tenha deixado aqui dentro. Então, vou tentar ser uma pessoa muito participativa aqui dentro nessa parte de transição, juntamente com o Carli, que faz hoje, e acredito que eu possa estar agregando muito com ele. E esse é o ponto que eu quero deixar também nessa minha nova função aqui dentro - completou.
Veja outras respostas da coletiva de Bellão:
Qual o balanço dessa segunda passagem como técnico interino do Botafogo?
- Em relação à experiência, é uma experiência muito importante na minha vida. Acho que é deixar sempre a marca e o legado de muito trabalho, dedicação e sacrifício para o Botafogo. E isso, para mim, me enche muito de orgulho, de ver as pessoas que fazem o Botafogo enxergando isso, seja de qualquer funcionário, seja qualquer atleta. O carinho que eu tenho recebido, de muitos torcedores, o carinho que eu recebo aqui, é algo que é muito importante na minha vida e é uma coisa que me marca. Como eu sempre falo, eu sou muito feliz no Botafogo, e acho que isso é uma das coisas que faz o meu olho estar sempre brilhando. Então, essa nova experiência foi muito importante no momento mais difícil, no sentido de pegar adversários no topo da tabela. Acho que, de início, esse foi o primeiro desafio. Ter que reverter uma goleada e, depois, os três desafios de topo de tabela. Acho que foram importantes para a minha carreira, de aprendizado, de vivência. Já vivi isso muitas vezes como auxiliar, mas como treinador tinha sido a primeira vez.
Sobre as substituições no segundo tempo do jogo
- Primeiro, a situação da linha de cinco não foi uma ideia minha, não foi algo que a gente foi trabalhar, ideia minha inicial. O Grêmio colocou dois noves com a entrada do Braithwaite, aí com uma linha de quatro, defender dois centroavantes e dois pontas é muito difícil. Eu diria quase impossível, e eu tive que fazer essa troca. Então, foi uma situação de reajuste em relação ao que o adversário propôs.A grande força do Grêmio são cruzamentos na área, então a classificação deles na Copa do Brasil se passa por colocar bolas na área, o Carlos Vinícius é um excelente finalizador de cruzamentos. Então, a ideia de construir essa linha de cinco foi em relação a isso. Eu mantive três volantes e dois atacantes justamente para a gente não baixar demais, e a gente conseguiu suportar isso por um bom tempo, mas depois disso eles começaram a lateralizar demais o jogo, e aí começaram a botar dois caras pelo lado para ter esse cruzamento, e aí com uma linha de três eu não conseguia mais evitar esse cruzamento.
- E aí o meu reajuste foi tentar puxar o Danilo Pereira, só que, como eu já fiz substituições pelo número de substituições que eu tive fazendo no intervalo, ele me tira oportunidade de substituir mais para o final do jogo. Então, a ideia foi tentar puxar o Danilo Pereira para manter uma linha de quatro, e aí a gente conseguia bloquear os cruzamentos e teria mais tranquilidade. Só que é o fator novo para ele também, que é diferente da posição original dele, foi uma necessidade de final de jogo, ele está com dificuldade de entender esse início, e aí depois que ele entendeu, a gente conseguiu diminuir bem ali nos últimos cinco minutos. Mas a ideia foi essa, não foi uma intenção de recuar a equipe, foi de responder ao que o professor Felipão fez do outro lado, e que explorava muito a qualidade ofensiva deles, que é o que eles têm de fortaleza, botar essas bolas na área para o Carlos Vinícius ou para o Braithwaite.
Atuações de Montoro na vitória
- Obviamente eu vinha trabalhando, como eu vinha falando, bastante situações da gente melhorar nossas qualidades de finalização. Então, acho que isso a gente conseguiu hoje. A gente teve dez finalizações, sete foram no gol. Então, acho que isso é importante para a gente destacar, que a gente estava com um volume muito grande, mas não estava tendo qualidade nas finalizações, e hoje a gente conseguiu colocar. E foram muitos ajustes de trabalho, não foi só um trabalho para hoje, para o jogo de hoje, foi a sequência do que eu vim trabalhando. Foi uma ideia do Montoro, como eu falei, ele pegar a bola mais numa região que ele ficasse mais livre, mas quando a jogada se desenrolasse, ele pisar mais na área.
- E eu fico muito feliz, acho que ele teve um crescimento muito grande no decorrer das jogadas, tanto defensivamente. Então, todo mundo pode ver o Montoro muito comprometido defensivamente nesse momento, e ele conseguindo também criar situações como assistência e gols, é muito importante para ele na carreira dele, é uma coisa que eu falo muito para ele.
Atuação de Danilo, autor de dois gols
- E o Danilo também é uma situação dele estar se adaptando a esse retorno, à confiança do que ele precisa para ele jogar bem. É uma coisa que eu estava pedindo muito para ele pisar na área. Eu estou muito feliz que ele conseguiu fazer isso. Até no intervalo eu corrigi ele num sentido que achei que ele estava vindo muito lateralizar pelo lado para buscar bola. Como o jogo estava muito fechado no centro, eu entendo às vezes a impaciência do jogador que joga no meio-campo, querer não ficar dentro, porque a bola não chega mesmo e ele quer pegar na bola. Mas é o que eu tenho dito para ele, até mesmo para o Montoro, uma coisa é você receber, de dez bolas, três, quatro pelo lado, porque você consegue espaço, aí o adversário vê que você está recebendo pelo lado, ele vai se abrir dentro e você consegue receber dentro. Só que o Danilo, de dez, estava fazendo oito bolas pelo lado, e aí estava faltando ele por dentro. Inclusive, acho que no primeiro tempo, o momento que a gente sofreu, foi porque ele estava fora pelo lado, o Edenílson às vezes também estava caindo mais à frente, porque o espaço do Edenílson estava à frente, e a gente ficava só contra dois, três, e a gente perdia a segunda bola.
- E aí, no segundo tempo, a gente conseguiu ajustar isso, e a gente conseguiu desencantar bem o jogo, fiquei muito feliz por essa situação. Mas acho que passa também muito, não só trabalhar, porque eles são dois jogadores que trabalham muito, mas é também adquirir confiança para conseguir executar. E aí acho que tem esse lado também, o torcedor espera, a torcida, a mídia critica em geral, espera muito do jogador sem olhar o que o jogo pede. Então, tem vezes que o time está fechado dentro e você não consegue receber dentro. Não é eu fazer uma linha de cinco porque eu boto uma linha de cinco, eu até gosto, mas é muito por uma necessidade do que o adversário impõe para a gente.
Mudanças no intervalo
- Em relação às substituições, o Monzón passou mal à noite, está com febre, uma situação talvez de virose. Eu estava ciente, mas foi muito legal tentar vê-lo querer tentar jogar pela importância do jogo. Ele foi bem, entregou tudo que pode. A mesma coisa o Edenílson. Ele sentiu um pequeno desconforto no treinamento, mas veio no sacrifício. Eu precisava muito da experiência dele neste momento. Acho que ele é um jogador multifunções. Foi muito importante tê-lo em campo com a experiência e qualidade dele. Pela experiência dele, me avisou: "acho que é importante não voltar pode ser que não consiga ajudar no segundo tempo como o time precisa". Aí você vê a grandeza do atleta, é o espírito que o time tem. Sobre os jogadores que estão retornando, eu preciso me atualizar. Teve um treino com jogadores que não foram relacionados, mas eu não me aprofundo porque estou concentrado no jogo. Amanhã eu vou ter uma reunião com o núcleo de saúde e performance e vou me inteirar.
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