Diretor de documentário sobre Elizabeth Holmes explica nu frontal que surpreendeu espectadores

Em entrevista à GQ, o diretor Lance Oppenheim (Primetime) explicou como a situação aconteceu
Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)
Uma das cenas mais inesperadas de Tudo Pode Ser Visto, documentário sobre Elizabeth Holmes, fundadora da empresa de biotecnologia Theranos, envolve uma aparição completamente nua de Billy Evans, companheiro da empresária. Em determinado momento da produção, ele entra no chuveiro e aparece em uma sequência de nudez frontal, registrada sem grandes cerimônias pela equipe de filmagem.
Em entrevista à GQ, o diretor Lance Oppenheim (Primetime) explicou como a situação aconteceu e garantiu que a iniciativa partiu do próprio Evans. Segundo o cineasta, os dois estavam voltando da academia quando ele comentou que daria um tempo para que Billy pudesse tomar banho.
“Estávamos no carro, voltando da academia, e eu disse ao Billy: ‘Vamos dar um tempo para você tomar banho’. E Billy respondeu: ‘Quer me filmar tomando banho?’”, contou Oppenheim.
O diretor afirmou que chegou a sugerir uma maneira de registrar o momento sem mostrar os genitais de Evans, mas o companheiro de Holmes não demonstrou preocupação com a possibilidade de aparecer nu. “Ofereci filmá-lo de uma maneira que evitasse mostrar seus genitais, mas Billy disse que não se importava em ser visto nu”, revelou.
A sequência foi capturada na própria casa de Elizabeth Holmes e Billy Evans, onde a equipe permaneceu instalada durante os 34 dias que antecederam a entrada da empresária na prisão. Oppenheim também detalhou a disposição das câmeras no ambiente: havia um equipamento no banheiro, outro acompanhando Nathan Fielder, um terceiro do lado de fora e registros da interação que acontece depois que Evans deixa o chuveiro.
Em determinado momento, Billy olha para uma das câmeras e sorri. Para Oppenheim, o comportamento pode indicar que ele estava confortável com a exposição, embora o cineasta não tenha uma explicação definitiva.
“Não sei o que isso significa, mas acho que há elementos suficientes ali que me dão a impressão de que talvez ele estivesse empolgado com a possibilidade de as pessoas verem tudo e de haver acesso total. Mas, sinceramente, não faço ideia”, comentou.
Qual é a história real de Elizabeth Holmes?
Elizabeth Holmes fundou a Theranos em 2003, aos 19 anos, após abandonar seus estudos em Stanford. A ideia da empresária era criar uma máquina capaz de realizar dezenas de exames médicos utilizando apenas uma gota de sangue. A proposta atraiu inúmeros investidores de grande porte, e a empresa chegou a ser avaliada em mais de US$ 9 bilhões em seu auge.
Em 2015, entretanto, uma série de reportagens do The Wall Street Journal expôs que a tecnologia era uma farsa. Foi descoberto que o dispositivo idealizado por Holmes nunca funcionou de verdade: a Theranos usava máquinas comerciais tradicionais adulteradas para processar os testes, terceirizava parte dos exames para outras empresas e, em alguns casos, simplesmente dava resultados errados.
A empresa faliu em 2018 e a empresária foi condenada em 2022 a mais de 11 anos de prisão por fraude, iniciando o cumprimento da pena em 2023. Seu ex-namorado e ex-COO da Theranos, Ramesh “Sunny” Balwani, também foi condenado. Juntos, os dois precisariam pagar US$ 452 milhões (em torno de R$ 2,3 bilhões, na cotação atual do dólar) às vítimas da fraude.
Do que se trata Tudo Pode Ser Visto?
Trinta e quatro dias antes de ser presa, em 2023, Holmes convidou uma equipe cinematográfica para dentro de sua casa “para documentar cada um de seus passos”, sob o pretexto de mostrar que nunca mentiu. “O que começa como um retrato íntimo de uma condenada enigmática transforma-se em uma jornada alucinante de três anos rumo ao abismo“, afirma a sinopse.
Quando estreia Tudo Pode Ser Visto?
O documentário estreia em 26 de novembro de 2026 nos cinemas brasileiros. Assista ao trailer da novidade a seguir:
Fonte: EW
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Angelo Cordeiro é repórter do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, escreve sobre filmes desde 2014. São-paulino, pisciano, paulistano do bairro de Interlagos e fanático por Fórmula 1, listas e rankings.
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