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Wednesday, September 16, 2026

Céline Dion, a nossa Carrie Bradshaw da vida real

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Margarida, eu juro que pensei vir de fato de banho para a rua esta semana.

Maria, mas isto tudo por causa deste calor em setembro?

Não, isto tudo por causa da Céline Dion. Do Avesso, um podcast sobre moda com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva.

Assim já faz mais sentido. Tu estás claramente a inspirar-te naquele conjunto off-white grafitado que a cantora usou nas ruas de Paris. Eu acho que foi ali durante a semana de moda de 2019.

Exatamente. Mas que outra pessoa e que outras pernas podiam desfilar assim com um fato de banho subido até cá acima e um blazer oversized com saltos altos?

Só se fala de Céline Dion esta semana, e por boas razões. Seis anos depois, a cantora voltou aos palcos em Paris e há mesmo quem fale do maior regresso depois do de Charles, o lolo.

Pois é.

Se calhar é um bocadinho exagerado, mas a verdade é que nos tem dado.

Sim, tem sido incrível.

E tem dado ótimas lições de estilo.

Tem. Ou como tu dizias, a Céline Dion é a Carrie Bradshaw da vida real, que me parece uma boa imagem.

Ela usa a roupa com a mesma confiança e o mesmo atrevimento que a protagonista de "Sexo e a Cidade". Se reparares bem, não há uma única presença pública de Céline em que ela não esteja incrível e em que não nos surpreenda. E tem-se tornado uma verdadeira referência de estilo por causa disto. E não é só na entrada de desfiles.

Nada. Tu até usas uma expressão também muito apropriada, que é como se ela estivesse sempre on duty.

Está sempre em modo de trabalho.

É, sim, preparada.

Sempre preparada, superprofissional, até se a virmos a caminho do supermercado. É daquelas mulheres que não sai de casa sem se arranjar, ou se sai é tão discreta.

Que já não a vemos.

Nem sequer vemos por ela.

Convém lembrar que estamos já em pleno mês da moda, a começar por Nova Iorque, Madrid, mas na verdade, nos últimos dias, a Céline conseguiu captar as atenções numa passarela ou palco inesperado, lá está, que é a porta do Hotel Le Royal Monceau, onde se instalou para esta maratona de 24 concertos ao longo de oito meses.

É, há fãs que madrugam ou fazem serão, uma vez cada vez, podem escolher a perspectiva, só para ver a estrela chegar e sair do hotel.

Isto tudo uma experiência muito analógica. O que é interessante, porque as imagens podem e costumam ir parar às redes sociais, mas estas pessoas saem realmente de casa para estar perto da estrela e ela vive esse estatuto com enorme gozo.

Até porque não se sabe o que é que ela vai fazer. Ora canta, ora dança.

Parece sempre um mini show, e gratuito, o que é extraordinário, ao contrário de inúmeras celebridades que muitas vezes não gostam nada de ser apanhadas a entrar e a sair do hotel. Ela parece que vive para aquilo. Adora aquele momento.

E eu acho que também por isso é que ela usa sempre os seus melhores looks, uma coisa de alto nível, já que a Céline Dion aproveita estas ocasiões para estar vestida com os grandes nomes da moda da atualidade.

Ou o grande cabide.

Desta vez já tivemos Loewe com um mini vestido preto assimétrico em cabedal, Givenchy também em cabedal, mas em tons de azul, confesso que este foi dos meus preferidos, e até tiveste um look Saint Laurent completamente inesperado, que metia ali uma saia de renda amarelo mostarda.

Vale tudo. Ela aproveita para estar vestida e para fazer duetos com esta multidão que a adora, também extraordinário. E que celebra, sobretudo, o facto de a verem de boa saúde.

Isto é que é um bom motivo.

Ela que já falou abertamente no documentário "Eu sou Céline Dion", sobre essa rara condição neurológica de que sofre, conhecida como síndrome da pessoa rígida, e que causa dores e rigidez muscular absolutamente insuportáveis.

É, esse documentário de 2024 entra no mundo mais restrito da cantora canadiana, mas também no seu closet.

Ainda bem. Também queremos ver.

Ou melhor, nem sei se se chama aquilo closet. Na verdade, estamos a falar de um enorme armazém que mantém nos arredores da sua casa em Las Vegas, onde também já fez a sua residência. Ela confessa que aí guarda peças especiais. Mas peças especiais vai desde os brinquedos dos filhos, que é de facto uma coisa especial, até aos figurinos megalómanos dos espetáculos.

E guarda, segundo dizem, 10 mil pares de sapatos.

Imagina.

Pois, imagina.

Eu li algo também, que não sei se é verdade ou não, mas que ela tem uma vitrine que faz girar os sapatos por cores.

E que deve ter ali a temperatura certa, imagina. A Céline tem uma paixão tão grande pelos sapatos, segundo se sabe, que diz que quando vai comprar qualquer coisa à sapateira e lhe perguntam o tamanho, ela responde: "Tanto faz, porque do 35 ao 40", ela brinca que consegue espremer o pé só para poder ficar com o sapato.

Quem nunca usou uma peça maior ou mais pequena só porque não tínhamos outro número para escolher.

É um facto. Mas para estes concertos na capital francesa, não devem faltar opções. Eu acho que há ali sapatos para todos os números, roupa também. Só pelos primeiros looks usados pela cantora, nós temos uma autêntica volta ao mundo da alta costura.

Para a abertura do concerto, a Céline escolheu um Dior feito para ela e inspirado no famoso vestido da maison da coleção primavera-verão 1950, que era um vestido plissado, todo feito com superposições de tecido cortado em forma de pétala.

Muito bonito.

Isto é o original, que tem vindo a ser revisitado por Jonathan Anderson em coleções já anteriores da Dior.

E joias também, não podiam faltar.

Sim, isto tudo juntou o colar da Boucheron com uma forma octogonal, uma homenagem à Place Vendôme.

Olha aquela capa cor-de-rosa da Givenchy, uma majestosa capa de organza desfiada, para sermos mais rigorosas, que pareciam plumas em tom rosa pastel. É um vestido que ao longe parecia quase um brocado prateado, mas que era, na verdade, inteiramente bordado com miçangas prateadas.

Adorei, acho que é dos meus preferidos.

Mesmo para palco.

Mas também gostei muito do fato da Schiaparelli, que também foi inspirado num casaco de 1930, desenhado pela própria Elsa Schiaparelli. E depois ainda tivemos um vestido bustier da Alaïa e um vestido com um comprido assimétrico da Tom Ford que tinha uns abrigos.

Ela vai a todas, ela consegue de facto ir ali todos os anos.

Aquilo é mesmo uma semana de moda condensada ali num par de horas em cima do palco.

É verdade. Nos últimos anos muito se tem comentado deste estilo arrojado da Céline Dion, em especial pelo trabalho dos novos stylists, que têm ajudado nesta construção. Mas o facto é que o arquivo da internet mostra-nos como ela sempre foi icônica nas suas escolhas de moda. Nós hoje olhamos para aqueles conjuntos muito fiéis à imagem dos anos 80 e na verdade são autênticas pérolas vintage.

É, mas apesar disso, há ali uma fase nos anos 90 em que ela surge associada Não é stylist, provavelmente.

Pois, é verdade.

Em que surge associada também a um certo estilo piroso, não sendo tão transversal como é agora. Que é uma coisa que a torna única, porque é de facto raro entre as celebridades conseguires abranger tantas marcas como ela. Por exemplo, na cerimónia dos Oscars de 1998, ela até usou uma réplica da safira azul que aparece no filme. Curiosamente, foi também nos Oscars, no ano a seguir, que deu que falar com o famoso smoking invertido do Galliano.

Aquele branco.

Na verdade, era um smoking normal, mas que vestiram ao contrário.

À frente para trás.

Exatamente. Era Christian Dior, lá está, com a assinatura do Galliano, ainda o designer não tinha caído em desgraça nessa altura.

Outra coisa que é importante lembrar é que a Celine Dion tem 58 anos. As suas escolhas mostram-nos, sobretudo, que também é possível ousar e arriscar em qualquer fase da vida. Mesmo naquelas em que à partida se imaginaria mais contenção, erradamente, digo eu. E não é preciso ir para a rua com o tal fato banho, aquilo serve apenas de fórmula, de embalo para as pessoas depois seguirem o seu próprio estilo sem medos.

Sim, é um ótimo guião de confiança.

É mesmo.

E talvez isso também se explique pelas raízes da cantora. Ela contou uma vez à Vogue França que tinha 13 irmãs e irmãos. Meu Deus.

Muita gente para vestir.

Exatamente. E portanto, a roupa, como é lógico, ia passando de uns para os outros e acho que a mãe dela, coitada, passava a vida agarrada à máquina de costura, a remendar meias, luvas, fazer bainhas, imagina, perto daquelas coisas. Então ela quando recebeu o primeiro cheque, foi uma forma de poder comprar as suas próprias roupas, o que na verdade, foi uma forma de emancipação. A roupa tem aqui sempre um papel muito especial na vida dela.

Ela revelava também que foi o primeiro álbum em inglês que pôde finalmente abrir essas portas, em termos de projeção e de retorno material, conseguiu comprar a casa para ela e para a família e começou a investir em roupa de designers e a interessar-se por moda, revistas de moda. E Margarida, há uma razão extra para ela ter o tal grande armazém. Nessa altura até já deve ter mais, calculo eu.

Uma rua inteira.

Pois, não sabemos. É que a Celine Dion diz que não gosta que lhe emprestem roupa, ou melhor, prefere comprar, porque é um sinal de respeito pelo trabalho dos criadores. Ela própria é uma criadora, portanto entenderá isto melhor que ninguém. E se isto de facto for verdade, é ótimo. Claro que ela pode fazê-lo.

E é de facto também uma coisa muito única nesta era da internet.

Em que tudo é tão efémero e as coisas são cedidas normalmente, mas é interessante esta relação que ela tem com a roupa.

É, ela tem uma ligação muito especial à moda. Aliás, um dos encontros que ela recorda com mais carinho foi precisamente com Karl Lagerfeld, que olhou para ela e acho que lhe disse que ela fazia lembrar a Maria Callas.

Com aquele nariz, aquele perfil.

Exatamente. Ela comprou logo ali um casaco do senhor, como se estivesse a comprar diamantes, esta ligação emocional.

E sabes que esse episódio me faz pensar no efeito terapêutico da roupa, que escolhemos usar. Que é matéria para todo um outro episódio mais por diante, portanto nem me vou estender muito.

E já que falamos de terapia mental e física, é inevitável falarmos do corpo da Celine. Porque ela é supermagra, mas é uma ferramenta que ela trabalha também em sintonia com o vestuário. Ela usa o corpo dela, não propriamente para o exibir, mas para o explorar com volumes. Aproveita o seu tipo de corpo para arriscar na moda, isso é muito interessante.

E depois aquele vozeirão, claro. Eu não sei o que é que conquista mais as pessoas quando falamos de Dion. Mas o The Guardian esta semana contou uma história que ilustra bem o poder da diva.

Estás a falar daquele esquema de romance online?

Estou, tal e qual. Tu imagina que um pobre de um belga foi enganado na internet e andava a enviar milhares em vales do Carrefour para uma falsa Celine Dion, vá-se lá saber porquê, ele acreditava que estava genuinamente numa relação com a Celine Dion.

Ai meu Deus, Maria, isso é horrível.

É terrível. A história é ótima, mas coitada da senhora, é dramático.

Mas olha, que se calhar os vales do Carrefour até eram para comprar roupa.

Quem sabe? Sim, é verdade.

É que há ótimas pechinchas nos supermercados, até te digo que temos de dedicar um episódio a isso.

Isso é um outro episódio, sim, já vamos em dois extras. E já agora, para os fãs da Celine Dion que andarem por Paris, há imensas edições especiais e pop-ups por estes dias que assinalam os concertos, incluindo um espaço nas Galerias Lafayette, caixas de macarons com os sabores preferidos da cantora ou até uma T-shirt da marca francesa Maje por 125 € com uma frase sobre a corrida aos bilhetes, que foi acima daquelas tiradas divertidas de internet, andou ali tudo maluco a tentar arranjar bilhete.

Isto tudo sem a Celine Dion ser muito dada a merchandising.

É, nem era assim muito.

Que é assim o merchandising, não sei se sabes, mas o mercado mundial atinge 16,3 mil milhões de dólares, é a previsão até 2030, de acordo com o relatório de uma empresa londrina Media Research, que é especializada nesta indústria. Portanto, se ela começa a vender T-shirts, imagina a loucura.

Isto agora já deve ter valores absolutamente estratosféricos. Mas é dada a roupa que nos lembra a música do Titanic, como daquela vez que usou um hoodie da Vetements, que tinha estampado os rostos do Rose e do Jack, os protagonistas do Titanic a afundar. Isto já foi em 2016, mas três anos depois voltou à referência, desta vez com um colar da Bvlgari com um grande coração azul.

É que ela diz que custou € 10 nas ruas de Paris e afiou-lhe a sensação da T-shirt.

Ela usa isto com muita graça.

É preciso ter sentido de humor.

Ela também tem, é muito divertida.

Eu acho que isso é um dos grandes segredos dela e também dos stylists, é que não têm medo do ridículo e sabem que isso gera interesse e notícias. Que no fundo também é para estas coisas que serve a moda.

E que ela vai ficar chateada com isto. Brinca com isto. Tem conseguido com sucesso, prova disso é que já estamos aqui há um largo bocado a falar da Celine Dion, ainda fica tanto por dizer.

Olha, mesmo, nem sequer tivemos tempo de falar do Carpool Karaoke.

Ai, esse momento foi ótimo.

É ótimo. E eu matando a senhora de coração quando começaram a dar os sapatos dela.

Ela tem 10 mil.

Fizeram um arranjinho com os stylists e surrupiaram uns quantos sapatinhos, então o carro ia parando e dando os sapatos às pessoas na rua. Olha, a reação dela é ótima, vale a pena ir ver.

Eu calculo. Se me fizessem isso, tinha um fanico. Só de pensar já fico nervosa, imagina. Margarida, é melhor terminarmos por aqui.

É, que eu não quero que te dê uma coisa má.

E por ficarmos aí com os sapatos nos pés. Até para a semana.

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