Sumiço e bloqueio: Quem é o namorado de Isabelle, jovem morta em Fortaleza


A Polícia Civil do Ceará tenta há três dias localizar, sem sucesso, o bacharel em direito João Munhoz Neto, 34, namorado da universitária Isabelle Caracristi, 22, jovem que morreu no último dia 13 após cair do 23º andar de um condomínio de luxo onde vivia em Fortaleza. Ele desapareceu após deletar perfil de rede social e bloquear número de telefone.
Quem é ele
A fuga de João tornou-se um dos pontos centrais do caso, que ainda não foi esclarecido pelas autoridades —que buscam ouvir a versão dele sobre o caso inicialmente tratado como suicídio, mas que agora está sendo alvo de apuração.
João graduou-se em direito no ano de 2023 por uma faculdade privada da capital cearense, mas não conseguiu ser aprovado em exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Nas redes sociais, após a repercussão do caso, fotos dele passaram a ser compartilhadas em perfis pedindo ajuda para localização.
Em seu perfil na rede profissional LinkedIn, ele informa atuar como correspondente jurídico, além de possuir pós-graduação em Direito Civil e Processual Civil e estar cursando especializações em Direito Digital, Direito Médico e Direito Previdenciário.
João chefiava um setor em um escritório de advocacia que contratou Isabelle como estagiária este ano. Foi no ambiente de trabalho que os dois se conheceram e, em julho, iniciaram o namoro. O bacharel desligou-se do escritório em agosto com o objetivo de abrir um negócio próprio.

De acordo com a família, Isabelle estava motivada pelo relacionamento e decidiu, ainda no início do namoro, mudar-se para o apartamento dele no condomínio La Piazza, no bairro da Aldeota, local onde foi encontrada morta no dia 13. João era o segundo namorado de sua vida.
Sumiço intriga
João sumiu sem deixar vestígios logo após a morte da namorada: ele excluiu sua conta no Instagram e não entrou em contato com os familiares de Isabelle para comunicar o falecimento da universitária.
A mãe de Isabelle conta em vídeo gravado na sexta-feira ter descoberto a morte da filha apenas no dia seguinte ao fato, ao ir ao condomínio da jovem —quando o corpo já havia sido transferido para o IML (Instituto Médico Legal).
Ela disse que tentou contato com o genro em busca de explicações, mas o número de telefone teria sido bloqueado por ele.
O irmão da vítima, Rafael Magalhães, relatou que Isabelle vivia um relacionamento controlador com o companheiro.
"Quando estávamos em família, víamos a Isabelle direto no celular. Ela não tinha a oportunidade de ficar com a família sem estar sendo rastreada pelo próprio namorado. E a gente se questionava", afirmou em entrevista à rádio CBN O Povo.
Participação investigada
A SSPDS (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social) mantém as investigações sob sigilo e não confirma formalmente se João figura como suspeito de envolvimento direto na morte. O caso é apurado pela 2ª Delegacia de Polícia da Capital.
Imagens de câmeras de segurança do edifício indicam que nem João nem sua mãe estavam no apartamento no momento em que a universitária subiu ao rooftop do prédio, no 23º andar, onde permaneceu por cerca de uma hora e meia antes da queda.
Conforme os registros das câmeras de monitoramento, ambos teriam retornado ao edifício cerca de duas horas após o ocorrido. A família de Isabelle contestou a versão divulgada, afirmando que o material veiculado contempla apenas trechos das gravações, e aguarda a conclusão da perícia oficial.
A mãe do bacharel, Sara Regina Alexandre Munhoz, foi localizada por policiais civis na noite de domingo, no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão e levaram um celular e um tablet dela. Segundo apurou a coluna, há também um mandado pendente de cumprimento contra João.
Sara é policial penal e ocupa o cargo comissionado de coordenadora de Execução da Saúde Prisional na Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Ela encontra-se afastada de suas funções desde agosto para tratamento de saúde.
A reportagem tentou contato com João Munhoz Neto e com eventuais representantes legais de sua defesa, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.
Entenda o caso
Isabelle estava no prédio onde morava com o namorado e pessoas da família dele, quando foi achada morta no pátio do condomínio. Exames realizados na estudante de direito indicam que as lesões são compatíveis com impacto no chão, sem marcas de brigas ou agressões anteriores.
Segundo Isorlanda Caracristi, mãe da estudante, a filha escreveu em uma mensagem "Mãe, eu te amo" por volta das 19h do último domingo. Isorlanda respondeu que também amava Isabelle e pediu que ela tomasse um relaxante muscular, já que a jovem reclamava de dores no pescoço. Depois disso, a mãe afirma que não recebeu mais notícias dela.
Sem notícias da filha até o dia seguinte e bloqueada nas redes sociais pelo namorado dela, a mãe foi até o condomínio em busca de informações. Isorlanda conta que percebeu uma movimentação incomum entre funcionários e pediu informações sobre Isabelle. Segundo o relato, foi informada pela síndica de que a jovem havia morrido na noite anterior e que o corpo já estava no IML (Instituto Médico Legal).
Reportagem
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