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Wednesday, September 23, 2026

Escalas de trabalho, salário fixo, delivery e atacado: grupo que traficava drogas e fuzis em ‘ritmo empresarial’ é alvo de operação no PR e SC

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Segundo a polícia, 12 pessoas foram presas e outras três estão foragidas. Os agentes também encontraram armas, munições, além de uma grande quantidade de maconha, crack e cocaína. Parte das drogas já estava fracionada e embalada para a venda. Os entorpecentes foram encontrados em dois endereços.

Ao todo, foram 15 ordens de prisão e 25 mandados de busca e apreensão emitidos para suspeitos em Curitiba, Colombo e Guaratuba, no Paraná, e nos municípios de Itapema e Itapoá, em Santa Catarina. Também houve bloqueios de 15 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além da apreensão de veículos.

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

Segundo o delegado Victor Loureiro Mattar Assad, a organização criminosa atuava nos moldes de uma empresa, com escalas de trabalho, dias de folga e pagamento de salários fixos aos integrantes. A polícia identificou que o líder do grupo definia diariamente, por meio de um grupo de mensagens, as rotas de entrega, os clientes, os tipos de droga e os valores a serem cobrados, além de fornecer os veículos utilizados na distribuição.

“Eles tinham um ritmo empresarial, onde esse líder sempre impulsionava os seus funcionários para que eles pudessem cada vez produzir mais e mais drogas e negociar mais e mais armas”, disse.

Conforme o delegado, o líder da organização morava no litoral de Santa Catarina para que “não fosse alcançado em um eventual flagrante”. “De longe, ele dominava todo esse esquema. E há suspeitas de que traficantes de Santa Catarina também recebessem esse tipo de produto, sejam armas e sejam drogas”, detalha Assad.

De acordo com o delegado, o grupo fazia a venda das drogas por delivery, com entrega feita por motoristas, e também no atacado. “Chamavam os traficantes para se associarem a esses, a esse grupo principal, seja para pegar drogas fracionadas, seja para pegar drogas em quilo, que é o famoso venda no atacado”, descreve.

Drogas, dinheiro em espécie e armas foram apreendidos — Foto: Polícia Civil do Paraná

Organização “empresarial” para o tráfico de drogas

A polícia afirma que os materiais encontrados durante as investigações apontam que o grupo atuava como uma empresa e que a esposa do líder da organização o auxiliava na gestão dos motoristas que faziam as entregas por delivery.

O grupo contava ainda com um “gerente” responsável pelo armazenamento das drogas, pessoas encarregadas pelo fracionamento e pesagem dos entorpecentes e uma rede de “revendedores finais”. A polícia afirma que conversas interceptadas mostram a negociação de fuzis e pistolas, e a intenção de instalar compartimentos escondidos em veículos para o transporte dos itens.

Lavagem de dinheiro e empresas de fachada

A Polícia Civil identificou um esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, sem registro de funcionários. Uma delas se trata de uma revenda de veículos, que recebia pagamentos por Pix, e outra que movimentou mais de R$ 2 milhões.

Há também um imóvel adquirido pelo grupo que, inclusive, tem um contrato de locação vigente. Segundo a polícia, a documentação foi simulada para dar “aparência de legalidade” ao patrimônio.

Início das investigações

O grupo começou a ser investigado em novembro de 2025. Segundo a polícia, à época, o gerente da operação criminosa foi preso pela Polícia Militar no bairro Vila Izabel, em Curitiba, dirigindo um veículo com fundo falso, com drogas e dinheiro.

Na ocasião, foram apreendidos 36 quilos de maconha, 72 quilos de cocaína, porções de crack, metanfetamina, óleo de THC, comprimidos de ecstasy e LSD, além de um fuzil, munições de diversos calibres, 16 carregadores, balanças de precisão e cadernos com a contabilidade do tráfico, em uma casa no bairro Mercês.

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