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Monday, September 14, 2026

Ninguém quer falar sobre quanto nos custa o turismo no SNS?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom fala de um problema de que sabemos pouco.

Sim, o bom é a nova presidente do Conselho de Administração do Hospital Amadora-Sintra. Sandra Cavaca assumiu funções há cerca de seis meses e deu agora uma entrevista ao Observador sobre tudo o que está a correr mal no hospital, que tem tido tempos de espera absolutamente impensáveis. Fala também sobre algumas soluções para esses problemas e a dada altura fala de um tema que não temos discutido o suficiente, que é o turismo de saúde. E eu vou citá-la: “Há muitas pessoas que chegam ao aeroporto e vêm pra aqui. Já têm familiares na zona e vêm. As pessoas vêm e não podemos negar assistência a ninguém.” E isto acontece, nomeadamente, na obstetrícia. Há muita gente que vem a Portugal só pra ter filhos. E o problema, claro, é saber quem paga. E eu vou citá-la outra vez: “Nós prestamos os cuidados, somos obrigados a prestá-los, mas depois cobramos a quem? Nós sabemos a quem prestamos os cuidados, o problema é depois fazer o rastreamento e saber quem vai pagar. Se a pessoa não desconta...” E aí sim, acaba a citação. Sendo que atenção, só para os mais precipitados, nós não estamos a falar de imigrantes, sejam eles legais, ilegais, não são imigrantes. Nós estamos a falar de pessoas que vêm cá apenas pra resolverem uma questão de saúde, sem pagarem, e que depois se vão embora. Pronto, vão embora, vão à vida delas, já está feito. E, portanto, se calhar, um dia destes, os políticos vão ter de se dar ao trabalho de falarem conosco sobre este assunto, porque se nós temos a presidente do Conselho de Administração do hospital mais problemático do país a dizer que há aqui qualquer coisa, se calhar há, não sei. Ou então pode ser fascismo outra vez, sei lá.

Pois, o problema é que, pelos vistos, os decisores políticos nem querem saber a dimensão do problema. Pelo menos não há dados, não há nada.

Pois, certo. Se calhar devíamos começar por aí.

Melhor forma que fingir que não existe, não é?

É, exato. Pode ser que eles não dêem por isso. Se calhar não dão por isso. Já há casos de 36 horas de espera no Amadora-Sintra. Pode ser que eles não deem por isso. Pode ser que achem: "Olha, se calhar está sol e estão todos na praia." Não dão pelos problemas. Olha, dá sempre muito bom resultado.

E quem é o teu mau, Miguel?

Olha, o mau é o nosso sistema de ensino. As aulas estão a começar e, segundo o ministro da Educação, só na última semana, dois mil professores meteram baixa médica. Dois mil numa semana. E aparentemente incomodado com isto e com aquilo, o secretário-geral da FENPROF disse o seguinte na RTP, e eu vou citá-lo: “Não há dados que indiquem que os professores colocam mais atestados médicos do que qualquer outra profissão”, diz ele. Portanto, isto é tudo normal. Profissões com pessoas a meterem dois mil atestados médicos numa semana é o que mais há por aí. Esta declaração do secretário-geral da FENPROF é interessante por duas razões. Primeiro, porque a Segurança Social não cruza a emissão de baixas médicas com a profissão da pessoa que a coloca e, portanto, não há dados que indiquem uma coisa, nem há dados que indiquem o seu contrário. Quer dizer, não há números oficiais, tanto quanto sei, com um ranking das profissões que metem mais baixas médicas. Portanto, na realidade, diria que não sabemos. Mas ao mesmo tempo, de facto, nos estudos que vão sendo feitos, os professores são uma das profissões mais citadas como estando no topo das baixas médicas. Até pode haver boas razões pra isso, o ponto não é esse, mas nos estudos parcelares que vão aparecendo, realmente os professores, e além disso, ouvindo os sindicatos, não era bem um debate, mas enfim, no mesmo noticiário de televisão em que estava o secretário-geral da FENPROF, estava penso que o secretário-geral adjunto da FNE, do outro sindicato, que estava a falar do burnout dos professores, como os professores estavam sujeitos a burnout e que agora iam ter que dar aulas extra e isso também ia contribuir para o burnout. Portanto, haverá ali um problema. Mas enfim, era interessante, de qualquer forma, que o secretário-geral da FENPROF partilhasse conosco mais informação sobre tudo isto. Lá está, é como no bom. Informação é sempre muito útil pra tomarmos decisões. Por isso, toda gente que tiver informação, que a partilhe.

Pois, enquanto não houver informação, a coisa vai seguindo.

Com slogans é que não vamos lá.

Ah, sim, seguramente.

Miguel, o teu vilão afinal quer mudar a Constituição.

Olha, parece que sim. O PS, afinal, o Partido Socialista diz-nos sempre que a democracia é a coisa mais importante do mundo e que a defesa da Constituição é a segunda coisa mais importante do mundo. Da Constituição que existe neste momento, não é de uma constituição abstrata. É desta que existe, que nós temos agora. É muito importante, não se pode mexer. Só se pode mexer assim numa coisa, talvez pra permitir confinamentos, mas de resto, não toquem. Mas pelos vistos isso é só quando lhe convém, porque o Expresso desta semana explicou-nos que o PS se prepara para, à falta de melhor palavra Para subverter, para alterar, para mudar as garantias constitucionais sobre a regionalização, porque a Constituição exige que, para haver regionalização, os portugueses respondam em referendo, respondam afirmativamente a duas perguntas. Uma sobre se querem a regionalização em abstrato, se querem essa ideia de regionalização, e a outra sobre se concordam com o mapa das regiões concreto definido pelos políticos naquele momento. E o PS quer simplesmente acabar com a segunda pergunta. E há uma razão para isso: é que os socialistas acham que havendo estas duas perguntas, nunca na vida conseguirão ganhar um referendo. E é assim que se comportam estes arautos da democracia. Quando não gostam do voto dos portugueses, acabam com a parte que lhes dá jeito. "Queriam votar duas vezes?" "Nem pensei nisso. Votam uma vez e já está muito bom." E lá está, depois o PS quer que nós levemos a sério o seu amor pela Constituição. Vá levar a sério.

Pois, Constituição gostam de deles, não é?

Pois, claro, com certeza. E já agora, Paulo, só num minuto, eu vou repetir isto muitas vezes, sempre que se falar disto, porque uma das exigências do PS é que não se toque nos chamados princípios materiais da Constituição. Agora não vale a pena estar a explicar o que isso é, mas quero só deixar aqui. Eu vou falar disto muitas vezes, portanto, não há problema. Já se mudou os princípios materiais da Constituição e o PS votou essa revisão em que se mudou os princípios materiais da Constituição. Portanto, agora achar que os princípios materiais da Constituição não podem ser mudados é ou ignorância ou má-fé. Mas pronto, depois falamos sobre isto.

Temos tempo.

É, temos.

Vamos ao bom, é a nova presidente do Conselho de Administração do Hospital Amador Cintra, Sandra Cavaco. O mau é o nosso sistema de ensino e o vilão de hoje é o PS. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs de 360 e que também pode ouvir em podcast.

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