BdP está mais otimista sobre economia. PIB pode crescer 2,3%

A economia portuguesa deverá crescer 2,3% em 2026, de acordo com as projeções divulgadas nesta quarta-feira pelo Banco de Portugal, que está mais otimista em relação ao crescimento deste ano já que em junho tinha sido prevista uma expansão do produto de (apenas) 1,8%. A nova previsão alinha-se exatamente com os 2,3% que são a previsão de crescimento feita pelo Governo no Orçamento do Estado que está em execução.
O próprio Governo tinha, entretanto, admitido que a economia poderia crescer um pouco menos do que aquilo que estava no Orçamento do Estado de 2026, entre 2,1% e 2,2%. Outras organizações internacionais, como a Comissão Europeia, a OCDE e o FMI preveem todos crescimentos inferiores a 2%.
Além disso, mesmo partindo-se de uma base de produto maior no final de 2026, a confirmar-se a previsão do Banco de Portugal, a economia deverá crescer a um ritmo maior do que o supervisor previa também em 2027: 1,8% e não apenas 1,6%, como se previu em junho.
No Boletim Económico de outubro, mais recente atualização da análise feita trimestralmente pelo supervisor financeiro, o Banco de Portugal aponta que “a economia portuguesa deverá acelerar em 2026, para 2,3%, impulsionada pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pelas medidas orçamentais e por um desempenho mais positivo das exportações”.
Após a forte recuperação da atividade económica no segundo trimestre, projeta-se um crescimento mais moderado no terceiro trimestre e uma nova aceleração no final do ano”, afirma o supervisor financeiro.
Já “nos anos seguintes, projeta-se que a atividade cresça 1,8%”, acrescenta o Banco de Portugal, salientando que “o crescimento da atividade no período 2026–28 situa-se acima do projetado para a área do euro”.
Relativamente à inflação, esta deve acelerar em 2026 para 3,1%, “devendo convergir posteriormente para valores compatíveis com a estabilidade de preços (2,4% em 2027 e 2,0% em 2028)”, admite o supervisor financeiro. O Banco de Portugal salienta que “o enquadramento externo permanece condicionado pelo choque energético provocado pelo conflito no Médio Oriente, que se traduz em preços mais elevados das matérias-primas energéticas, maior incerteza geopolítica e condições financeiras menos favoráveis”.
Porém, “o maior ritmo de crescimento em 2026 reflete o impulso dos fundos do PRR e das medidas orçamentais, bem como um desempenho mais positivo das exportações, após a perda significativa de quota observada em 2025″. Por outro lado, “a situação do mercado de trabalho permanece favorável, mas o emprego deverá abrandar ao longo do horizonte, num contexto de fluxos migratórios inferiores aos observados em 2021–24”.
A composição do crescimento deverá alterar-se, com uma redução do contributo do consumo privado e um maior contributo das exportações. O rendimento real das famílias deverá abrandar, refletindo a desaceleração das remunerações e, em 2026, também o impacto da subida não antecipada dos preços”, afirma o Banco de Portugal.
Apesar do maior otimismo das novas previsões, o supervisor salienta que “os riscos são predominantemente em baixa para a atividade e em alta para a inflação, sendo condicionados principalmente pela evolução das tensões geopolíticas no Médio Oriente”. “A intensificação ou o prolongamento do conflito poderão gerar novos aumentos dos preços da energia, perturbar as cadeias de abastecimento e deteriorar a confiança, penalizando a atividade e aumentando as pressões sobre os preços”, admite-se.
Por outro lado, existe “a possibilidade de uma correção abrupta dos mercados financeiros, desencadeada por uma reavaliação das expetativas de rendibilidade dos investimentos em inteligência artificial ou por receios relativamente à situação orçamental de diversas economias”, pode ler-se no relatório.
A economia portuguesa tem demonstrado resiliência perante os choques recentes, beneficiando de transformações estruturais, incluindo a melhoria das qualificações, o aumento do peso de exportações de serviços de maior valor acrescentado e a redução do endividamento. No entanto, os desafios demográficos e a transição energética e digital requerem progressos adicionais no reforço do capital produtivo e tecnológico, na adequação das competências da população e na remoção de obstáculos a uma afetação eficiente dos recursos”, afirma o Banco de Portugal.
O supervisor avisa, também, que “a recente instabilidade nos mercados internacionais de dívida reforça ainda a importância de preservar o equilíbrio orçamental e a trajetória de redução do endividamento público em Portugal”.
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