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Saturday, September 19, 2026

Mulher faz quimioterapia por 11 anos até descobrir que nunca teve câncer

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A britânica Becky Jones, hoje com 34 anos, passou mais de uma década fazendo quimioterapia após receber um diagnóstico de câncer cerebral que, segundo uma reavaliação independente de seus exames feita por neurocirurgiões e radiologistas, estava errado.

Aos 21 anos, Jones foi informada de que tinha um glioblastoma de grau 4, tipo agressivo de tumor cerebral, e que poderia ter apenas alguns meses de vida. Em 2025, porém, especialistas que reavaliaram seus exames concluíram que ela sofria de desmielinização tumefativa, condição inflamatória que pode produzir lesões semelhantes a tumores em exames de imagem.

O caso foi relatado pela BBC e faz parte de uma ação judicial envolvendo mais de 40 pacientes contra o University Hospitals Coventry and Warwickshire (UHCW) NHS Trust, no Reino Unido.

Quimioterapia se estendeu por mais de uma década

Jones afirma que recebeu a orientação de tomar temozolomida (TMZ), medicamento utilizado no tratamento de determinados tumores cerebrais, pelo restante da vida.

Segundo a BBC, diretrizes citadas no caso recomendavam seis ciclos do medicamento ao longo de cerca de seis meses, mas o tratamento de Jones continuou por aproximadamente 11 anos.

Durante esse período, ela relata ter enfrentado náuseas, dores de estômago, aftas e cansaço constante. O tratamento também interferiu em sua rotina social e em seus planos profissionais. "Disseram-me repetidas vezes que sem a quimioterapia eu morreria", afirmou Jones à BBC.

Revisão concluiu que câncer cerebral nunca existiu

A mudança começou em 2024, quando Jones foi informada de que o tratamento seria interrompido após a aposentadoria do médico responsável por seu acompanhamento.

Em maio de 2025, neurocirurgiões e radiologistas realizaram uma revisão independente dos exames e concluíram que ela não havia tido um tumor cerebral.

O diagnóstico apontado posteriormente foi de desmielinização tumefativa, processo inflamatório que provoca lesões no cérebro e pode, em determinadas situações, ter aparência semelhante à de um tumor nos exames.

No caso de Jones, segundo o relato, a condição poderia ter sido tratada com esteroides, em vez da quimioterapia prolongada que recebeu.

Outros pacientes tiveram tratamentos considerados insatisfatórios

O caso ocorre em meio a uma investigação mais ampla sobre o atendimento prestado pela instituição britânica.

Uma revisão preliminar realizada pelo Royal College of Physicians (RCP) avaliou 20 casos e classificou 15 como "insatisfatórios no geral". O documento não identificou nominalmente o médico citado por Jones.

A análise apontou casos de tratamentos prolongados com pouca ou nenhuma evidência de benefício, além de problemas na avaliação dos riscos e na colaboração entre profissionais de diferentes especialidades.

Mais de 40 pacientes participam de uma ação judicial contra o UHCW NHS Trust relacionada aos tratamentos recebidos.

Hospital diz ter reforçado supervisão

De acordo com a BBC, o UHCW afirmou que não comenta casos individuais, mas informou ter adotado medidas para ampliar a supervisão sobre a prescrição e o uso da temozolomida.

A instituição também declarou que os pacientes afetados foram avaliados por médicos experientes e que uma investigação independente sobre seus procedimentos internos está em andamento.

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