Omonia x Benfica. "A bola vai ter com Pavlidis e entra…"

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Omonia 1, Benfica 4, terceira jornada da Liga Europa. Mais uma vitória encarnada, terceira consecutiva de Marco Silva e primeira vez que o Benfica arranca uma fase oficial de uma competição europeia com um arranque de três vitórias consecutivas. Muita coisa boa a acontecer por lado do Benfica, numa primeira parte em que o Benfica começou até na sua medida, mesmo apesar das sete mudanças face ao último 11 e também a ausências de prestígio e de alguns jogadores fundamentais. Começou bem, mas logo depois começou a adormecer um pouco e foi deixando a equipa do Omonia ter alguma esperança neste jogo. A segunda parte, como vimos, foi demolidora. Deve ter sido bem quente a conversa de Marco Silva com os jogadores ao intervalo.
Eu diria que se os nossos ouvintes estiveram a ouvir o relato e os nossos comentários e quando foram ouvir os comentários do Marco Silva, foi exatamente aquilo que nós vimos e que transmitimos. Uns 20 minutos muito bons na primeira parte do Benfica, com muita dinâmica, muita entrega, muita intensidade e acima de tudo uma pressão alta muito grande. E depois o Benfica marcaram o golo, o Benfica relaxou, adormeceu no jogo, deu a oportunidade do adversário poder acreditar que podia discutir o resultado. E o que é certo é que o Benfica depois sofre um golo um a um e fica uns 25 minutos em que se notava perfeitamente bem que o Benfica tirou o pé do acelerador, não porque os jogadores não estivessem bem fisicamente, mas porque talvez a equipa em si pensasse-
Estava um pouquinho desorientada, de alguma forma.
Não pensasse que o jogo estava fácil e que mais minuto, menos minuto, não é preciso correr muito, não é preciso trabalhar muito para fazermos o segundo golo. O que é certo é que as coisas é assim que se complica e é assim que as coisas às vezes tornam-se difíceis. Na segunda parte, as coisas foram diferentes. Provavelmente, aí sim, entra aquilo que tu acabaste de dizer, uma palestra do treinador. Não é preciso muito. O Sache, com o intervalo, tem 15 minutos. Basta só teres ali-
Eu, enquanto federado de outro desporto, às vezes eu recebi palestras com os olhos. Às vezes há isso também.
Estava eu a dizer, tens 15 minutos de intervalo, mas basta três, quatro minutos, não mais do que isso, para dizeres aquilo que tens para dizer, para os jogadores ficarem com os olhos a arder e para pensarem exatamente aquilo que o treinador está a pensar que a equipa podia fazer. O que é certo é que o Benfica veio realmente com uma dinâmica igual àquela que tinha entrado na primeira parte. Viu-se que o Benfica estava dono e senhor do jogo, não permitiu realmente confiança ao adversário. E depois quando entra o Prestianni, quando entra depois o Palhinha e quando entra depois o Sudakov, eu diria que o Benfica cresceu no jogo, já estava crescido com o jogo que estava a fazer.
Já estava com o jogo resolvido.
Mas cresceu ainda mais e qualidade com essas entradas. O Benfica depois faz 3 x 1, não tem culpa do desejo do adversário. Soube aproveitar bem através de uma pressão muito alta de um passe mal feito de um jogador do Almonia para o Alexandre fazer o terceiro golo. E é fácil dizer que foi oferecido. Foi oferecido na atenção, mas o Alexandre fez um excelente remate. Não deu qualquer hipótese ao Fabiano.
E também, de alguma forma, o Benfica ofereceu o primeiro golo ao Almonia, com uma grande desatenção na parte de trás, um cabrito.
Isso.
Foi um chapéu, mas foi um chapéu do mago.
Já lá vamos ao negativo. Eu diria que o Benfica depois fez o 4 x 1, com o Luque Aback a fazer um sprint de 70 metros e oferecer o gol ao Prestianni. Diria que o Benfica acaba em grande e diria que o Benfica, na segunda parte, foi um Benfica muito mais consistente e muito mais dono e senhor do jogo do que foi na primeira parte.
E a titular, do lado da equipe do Benfica, esteve Manu Silva, que é um jogador que parece estar já há algum tempo com algumas dificuldades a encontrar-se nesta equipa do Benfica. Em que posição poderá jogar? É um seis de raiz, mas aqui hoje a jogar de alguma forma precisamente nesse lugar de trinco, mas sem grande impacto no jogo, com algumas bolas longas bem colocadas, mas não é um jogador com o mesmo impacto que Palhinha.
Às vezes as pessoas fazem uma grande confusão, o que é isto, o seis. O seis, o que é o seis? O seis é aquele que é o médio mais defensivo. Mas se jogares num sistema de 4-3-3, o seis é aquele que joga sozinho à frente dos centrais. Quando tu jogas em 4-2-3-1, o seis joga com um ao lado e o espaço e o percorrer esses mesmos espaços é completamente diferente daquilo quando jogas sozinho à frente dos centrais. Eu diria que o Manu estava mais confortável se jogasse sozinho à frente dos centrais, que é assim que ele estava habituado, do que jogar com dois. Além da falta de ritmo competitivo e dessas oportunidades que não lhe têm surgido, jogar também assim desta forma, também o obriga a se adaptar a uma situação que ele já fez esse tipo de jogo, atenção, isto não é nenhuma novidade para ele, mas claramente, o que é que falta a ele? Falta confiança e falta realmente aposta assídua. O Manu sabe que tem o Palhinha à frente dele, mas com a operação do Berenha Cheia, o Manu pode também ter mais oportunidades do que se tivesse o Berenha Cheia bem. Diria que o Manu, o que tem que fazer? É aproveitar todos os minutos que tiver ao seu dispor, que o treinador lhe dá, para ele poder demonstrar que realmente também é um jogador com que o treinador pode contar. Se o treinador não contasse com ele, não o colocaria a jogar, mas nota-se que o Marco Silva conta com ele e ele só tem que aproveitar essas oportunidades e dizer ao treinador: "Olhe, mister, eu estou aqui."
E Pelápidis marcou o 16º gol em 16 jogos esta época, oito deles em contexto europeu, portanto, são oito jogos na Liga Europa, oito gols. Números astronômicos para este avançado grego do Benfica, que o ano passado esteve um pouco mais irregular, apesar dos bons números. A certa altura da época, esteve num longo período sem marcar. Agora está de regresso a esta época e marca, assiste, joga, faz 30 por uma linha, no bom sentido de 30 por uma linha.
Sim, os jogadores são mais valorizados também quando a equipa está bem.
Claro.
Quando a equipa não está bem-
Desponencia os jogadores.
Exatamente. E nesse sentido, o Pablo Idís torna-se, e já o ano passado foi e este ano também o é, um jogador muito importante para aquilo que é a forma de jogar do Benfica. É um jogador que está a passar por um bom período, um período de grande confiança, um período em que parece que a bola depois vai ter com ele e a bola entra. Ele também procura isso, é verdade. Há momentos e há jogos em que também procuras e não consegues encontrar o caminho da baliza. Os avançados, os pontas de lança, os que marcam gols, têm esses períodos, mas o que eu digo a um tipo de jogador desses, como a todos os outros que marcam muitos gols: olha, aproveita bem o momento que está a dar, porque vocês estão a marcar gols, continuem a marcar gols, porque quando não conseguirem marcar gols, também serão capazes de ter algum período que isso também não possa acontecer.
Tivemos um jogo em que o Benfica também foi fazendo algumas alterações. Marco Silva foi mexendo no jogo, sobretudo na segunda parte, e talvez aquilo que mais tenha saltado à vista tenha sido Prestianni, não tanto pelo que fez hoje em campo, apesar de ter marcado um gol que, de resto, é muito mérito de Lukebakio, também recém-entrado, a conduzir a bola para a frente do ataque para depois dar a Prestianni para encostar. Mas Prestianni, a diferença de qualidade do jogo do Benfica, o perigo que o Benfica é capaz de criar, a maneira como o ataque do Benfica se torna imprevisível, muda significativamente com a ausência ou com a presença de Prestianni, que, recordo, entrou neste jogo e logo a primeira bola que recebeu, depois de uma belíssima jogada de Karavani, logo à entrada da área, foi um remate meio passe para a baliza, muito venenoso para o guarda-redes da equipa adversária. É um jogador que está mesmo com uma espécie de fogo que muitos já lhe reconheciam, mas que agora aqueles que não aceitavam que isso pudesse ser assim, têm mesmo de reconhecer. Não há como contornar o bom jogador que é Prestianni.
Eu atrevo-me a dizer que há um Benfica com o Prestianni e há um outro Benfica sem Prestianni. E já estou a valorizar o jogador aqui nesse aspecto, porque Prestianni é daqueles jogadores que realmente marca a diferença. E desde o início da época até agora, que é o momento que estamos a falar, o Prestianni tem tido um comportamento e tem tido uma prestação de elevado nível, ao ponto de ir já à seleção do seu país, a Argentina, e também de jogar com o Scaloni. Eu diria que o Benfica, com o Prestianni, tem um outro envolvimento, tem um outro perigo, tem uma outra capacidade, tem uma magia diferente com o Prestianni em campo e por isso o Benfica e o Marco Silva estão a aproveitar bem o momento que o Prestianni está a ter e o Prestianni está a dar ao Benfica e ao seu treinador aquilo que também se pede dele. Por isso, é aproveitar também o momento e o grande momento que o Prestianni está tendo neste momento no Benfica.
E temos aqui Marco Silva, que volta a operar uma série significativa de substituições para a entrada do jogo, volta a alinhar com Trubin na baliza. Tem conseguido aproveitar a Liga Europa não só para aumentar a confiança da equipa, que neste momento é a primeira classificada, mas também para dar alguma profundidade ao plantel, no sentido em que está à procura dos jogadores, de os potenciar e de contar com eles para o resto desta época. Sabe Marco Silva que é fundamental ter um plantel profundo para confirmar este favoritismo, quer na Liga Europa, quer também alimentar o desejo de ainda fazer alguma coisa no campeonato.
Pois, a vida de treinador também não é fácil, porque no meio de 26, 27 jogadores, teres que escolher 11 e depois contentar todos, não é fácil. De qualquer das maneiras, o Marco Silva está a dar, dentro daquilo que é possível, as oportunidades para aqueles que também, no treino, no dia a dia, que a gente não vê, mas que trabalham com o treinador, e o treinador às vezes fica com pena, diz assim: "Eu gostava de colocar este jogador a jogar, mas por isso ou por aquilo, não deu para colocá-lo a jogar." E é o próprio treinador que fica realmente triste e não fica contente por não dar essa oportunidade, mas o momento assim o exigiu. Por isso, os jogadores, a sua obrigação é treinar, trabalhar, e depois o treinador tenta compensá-los com isto ou com aquilo, com alguns minutos, com um jogo, seja na Liga Europa, seja com o Benfica a ganhar no campeonato, tendo o resultado já seguro, colocar este ou aquele jogador. O que é certo é que eu olho para o Benfica, eu disse ainda há bocadinho, o Benfica não tem só 11, nem 12, nem 13 jogadores, tem 17 ou 19. Diria que se calhar neste momento o Benfica tem esses 19 ou mais, porque até hoje, sinceramente, foi pouco tempo, foram poucos minutos, mas eu gostei muito do Anísio. A movimentação dele, a forma como ele já segura a bola de costas para a baliza, como ele espera pelo apoio. Eu acho que o Benfica tem ali um excelente ponta de lança. De qualquer maneira, tal e qual como eu tinha dito aqui, e eu estou contente porque eu acertei, de que quando o Benfica tivesse o terceiro gol garantido, que o Anísio iria entrar para o lugar de Pablo Idís. Precisamente isso que o Marco Silva disse na conferência de imprensa após terminar o jogo, que estava à espera do terceiro gol para colocar o Anísio a jogar em cheio. Diria que o Anísio também está à espera da sua oportunidade. É verdade que Turan está lesionado e foi a oportunidade do Anísio, mas eu olho para este menino com umas capacidades muito boas para o futuro.
E para fecharmos este relatório de jogo, Augusto Inácio, e antes de terminarmos em nota de beleza, vamos só ao que foi o pior. O que foi o pior para ti esta noite em Chipre, neste jogo em Nicósia, entre Omonia e Benfica?
Duas coisas. Os últimos 25 minutos da primeira parte, em que o Benfica adormeceu no jogo. Como eu disse nos comentários, estava a nanar no jogo e isso deu a oportunidade do adversário crescer, acreditar e até fazer o gol da igualdade, e o Benfica correu riscos que não devia ter corrido. E depois, é o gol. O Sirica é central do Benfica, que é um grande clube. Não pode ir como vai um menino, um juvenil, a uma bola daquelas, porque está sujeito a levar aquele cabritão que o jogador do Omonia fez e ainda por cima deu o gol do empate. Por isso, o Sirica tem que ter mais calma, porque este tipo de jogadas às vezes correm mal e correu mal para o lado dele, correu bem para o lado do Omonia.
E para fechar, Augusto Inácio, o que foi o melhor esta noite em Chipre?
O melhor desta noite foi realmente a segunda parte do Benfica, não deu possibilidades nenhumas do Omonia poder sequer se aproximar muito da baliza do Benfica. Diria que também aquela cavalgada do Lukebakio, as pessoas pensam que é fácil: "Ah, ele correu 70 minutos com a bola no pé." Pois, mas tens que ter a coordenação corrida e foco, não deixar de perder o controle da bola. E depois, em último caso, teve o passe fantástico para oferecer o gol ao Prestianni, o que também demonstra que há ali uma grande amizade entre os jogadores do Benfica.
Está feito e entregue o relatório de jogo desta vitória encarnada, a terceira consecutiva em sede Liga Europa esta época, num Benfica que, se quiseres também só comentar, marcou neste momento 53 gols em 17 jogos. Números impressionantes que não eram alcançados desde um Benfica demolidor, um Benfica de Jorge Jesus, em 2009, 2010. Augusto Inácio, temos aqui também um caso ofensivo sério.
Não, desde o princípio da época, tirando o primeiro jogo com o Académico de Viseu, que o Benfica empatou em casa, eu diria que o Benfica, a partir daí, cavalgou para um sentido de jogo muito ofensivo, muito criativo e muito movimentado. A qualidade de jogo do Benfica, ofensivamente, é muito boa, tem muitas variações. Diria que faltava ali o equilíbrio meio-campo e defesa, em termos defensivos, que o Benfica se expunha um bocadinho, mas eu diria que em termos ofensivos, o Benfica tem ali muita qualidade, isso deve-se aos jogadores, mas deve-se, acima de tudo, ao trabalho de Marco Silva.
Está feito e entregue o relatório de jogo da vitória do Benfica em Chipre, em casa do Omonia, por quatro bolas a uma, na terceira jornada da Liga Europa. Depois de duas noites europeias com dificuldades para as equipes portuguesas, o Benfica venceu numa noite em que o Braga fez também o mesmo na Liga Conferência em casa frente ao Rennes. Contamos com os comentários do Augusto Inácio, que também pode ir ouvindo aqui na Rádio Observador, em sede de "O Campeão é", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do esporte. Augusto, um grande abraço e até breve.
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