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Sunday, October 18, 2026

A corrida para levar energia solar a todo o planeta

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A corrida para levar energia solar a todo o planeta - Líderes climáticos lançam iniciativa em prol de energia limpa e acessível a todos até 2030. "Ideia de que a energia renovável é cara, difícil e pouco confiável não corresponde mais à realidade."Em um mundo marcado por guerras, aquecimento global e desastres climáticos cada vez mais severos, como incêndios florestais na Europa e o derretimento acelerado de geleiras no Nepal, a energia solar desponta como uma solução limpa e acessível a todos.

Esta é a mensagem de uma carta aberta assinada por nomes de destaque quando o assunto é clima: o ambientalista Bill McKibben, a ex-secretária da ONU para o clima Christiana Figueres e a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Canadá Catherine McKenna.

O grupo pede que governos, empresas, instituições e cidadãos se unam para garantir energia limpa e acessível "a todos, em todos os lugares, até 2030".

O objetivo é beneficiar tanto pessoas que ainda não têm acesso confiável à eletricidade quanto bilhões de pessoas que continuam dependentes de combustíveis fósseis caros e poluentes.

Energia solar avança em ritmo recorde

Mas com 2030 logo aí, o objetivo não seria irrealista? "É uma meta ambiciosa, mas a expansão da energia solar e das renováveis superou todas as expectativas", disse McKenna à DW. "Precisamos continuar avançando."

Segundo o centro de pesquisas energéticas Ember, a geração de energia solar registrou em 2025 seu crescimento mais acelerado em oito anos. A capacidade instalada aumentou 30% em relação ao ano anterior e já é mais de dez vezes maior do que em 2015.

McKenna destaca que a energia solar é hoje "a forma mais barata de eletricidade da história" e continua crescendo em ritmo muito superior ao previsto.

O mesmo ocorre com as baterias usadas para armazenar energia renovável. A queda dos custos vem tornando a combinação entre gerar energia a partir do Sol e conseguir armazená-la cada vez mais competitiva.

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"As baterias ficaram mais baratas, assim como os módulos solares", corrobora o físico alemão Eicke Weber, ex-diretor do Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar e fundador do Conselho Europeu da Indústria Solar.

Segundo Weber, as tecnologias necessárias já existem e os recursos financeiros para bancar a expansão também estão disponíveis.

Além disso, 2025 marcou um momento simbólico: pela primeira vez em um século, as fontes renováveis superaram o carvão na matriz global de eletricidade, segundo a Ember.

O caminho para a energia solar para todos

Atualmente, a energia soltar produzida no mundo chega a cerca de 3 terawatts (TW). Para efeito de comparação, 1 TW equivale a 1.000 gigawatts (GW), enquanto uma usina nuclear típica tem capacidade próxima de 1 GW.

Hoje, o planeta adiciona aproximadamente 1 TW em nova capacidade fotovoltaica por ano, a maior parte na China.

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Segundo Weber, se o mundo todo passasse a utilizar energia vindas de fontes renováveis, precisaríamos de algo em torno de 50 TW.

Cerca de 655 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à eletricidade.

McKenna avalia que o ritmo da eletrificação na África Subsaariana precisaria triplicar para que o acesso à energia elétrica seja universal até 2030. E o caminho mais rápido até lá, segundo ela, é a aposta na energia solar.

A vantagem é que muitas regiões sem infraestrutura elétrica podem migrar diretamente para tecnologias limpas, sem passar pela etapa de expansão dos combustíveis fósseis.

McKenna rebate críticas frequentes ao setor. "Existe a ideia, muitas vezes promovida pela indústria dos combustíveis fósseis, de que a energia renovável é cara, difícil e pouco confiável. Isso simplesmente não corresponde mais à realidade", afirma.

As chances de alcançar a meta

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Hans-Josef Fell, considerado um dos pioneiros das energias renováveis na Alemanha, acredita que grandes transformações costumam ser subestimadas. Responsável por elaborar a Lei alemã de Energias Renováveis, que impulsionou a expansão do setor no país, Fell lembra que o crescimento das fontes limpas superou repetidamente as projeções dos especialistas. "A realidade acabou superando todas as expectativas", afirma.

Atualmente à frente do instituto Energy Watch Group, ele argumenta que a transição energética depende principalmente de vontade política e apoio social, fatores que ainda considera insuficientes em muitas partes do mundo.

Segundo estimativas do grupo, um sistema energético global baseado integralmente em renováveis teria entre 60% e 70% de sua oferta proveniente da energia solar. O restante viria principalmente da energia eólica, além de fontes como hidrelétricas e bioenergia.

O que precisa acontecer agora?

Especialistas apontam que alguns países já mostraram o potencial dessa transformação, entre eles China e Paquistão.

Para Weber, não faltam tecnologias nem conhecimento científico. O desafio é mobilizar governos e investimentos em uma escala nunca vista antes. "É possível atingir esse objetivo, mas seria necessário um programa de mobilização comparável aos grandes projetos históricos", afirma.

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Na avaliação dele, uma participação de 80% a 90% de eletricidade renovável no mundo poderia ser alcançada por volta de 2040.

Fell concorda que a meta é desafiadora, mas defende que vale a pena persegui-la. "Se a sociedade global enfrentar essa questão de forma adequada, talvez consiga torná-la realidade. E mesmo que alcancemos apenas 90% do objetivo, isso já seria um feito extraordinário."

McKenna ressalta a importância de ampliar o financiamento internacional, envolvendo governos, bancos multilaterais de desenvolvimento e o setor privado. "O irracional é continuar apostando nos combustíveis fósseis", afirma. "Eles trazem custos, riscos e impactos crescentes. Trata-se de uma tecnologia do passado."

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