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Sunday, November 8, 2026

Todas as participações do último show da carreira do Sepultura

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Banda trouxe convidados de diferentes gerações, incluindo João Gordo, o ex-integrante Jairo Guedz e os jovens do Chained Saint

Igor Miranda (@igormirandasite)

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João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, durante show de despedida do Sepultura em 2026 (Foto: Igor Miranda @igormirandasite)
João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, durante show de despedida do Sepultura em 2026 (Foto: Igor Miranda @igormirandasite)

Como noticiado, o Sepultura realizou, na noite do último sábado, 7, o último show de sua carreira. A apresentação ocorreu na Suhai Music Hall, em São Paulo, para um público estimado em 9 mil pessoas.

Inicialmente, a performance ocorreria na Mercado Livre Arena Pacaembu, para pelo menos o triplo de fãs. O evento foi realocado, sem explicações sobre os motivos.

Na abertura, tocaram, em ordem, a banda americana Sacred Reich, o trio brasileiro Krisiun e o supergrupo Metal Allegiance, composto por figurinhas conhecidas do heavy metal internacional, como Chuck Billy e Alex Skolnick (ambos do Testament), Troy Sanders (Mastodon) e Mike Portnoy (Dream Theater).

Durante sua apresentação, com cerca de duas horas e meia de duração, o Sepultura destinou uma série de músicas para trazer convidados especiais. Os primeiros foram Sean Sterling e Ethan Kahn, da jovem banda de thrash metal Chained Saint. Os representantes do grupo americano definido como “mini-Sepulturinha” pelo guitarrista Andreas Kisser executaram a música “Propaganda”, sétima do repertório.

Logo na sequência, vieram mais duas participações. Alan Wallace, guitarrista da banda mineira Eminence, subiu ao palco para tocar “Dusted”. Yohan Kisser, filho de Andreas, assumiu o mesmo instrumento em “Convicted in Life”. O integrante do grupo veterano fez um discurso emotivo ao apresentar o também músico, de 29 anos, ao exaltar seu nascimento justamente em 1997, ano em que o Sepultura buscava um novo vocalista e pretendia reconquistar sua gravadora. “É, obviamente, uma pessoa muito importante para mim. Veio num momento difícil e trouxe uma nova luz, um novo caminho. Ele simboliza muito o Sepultura a partir do álbum Against”, declarou o Kisser mais velho.

“Itsári”, instrumental do álbum Roots, ganhou uma versão com Moyses Kolesne, do Krisiun. Ele ocupou o palco sozinho junto de Andreas, para uma performance de violão de sete cordas. Moyses permaneceu e viu a entrada dos demais integrantes, além do técnico de guitarra Dante Rozalini, para uma execução de “Kaiowas”. A parte final, com percussão, trouxe dezenas de convidados — até mesmo o apresentador Serginho Groisman, da TV Globo.

“Beneath the Remains” teve a única participação de um baterista na noite: Amilcar Christófaro, membro do Torture Squad, parceiro de Andreas no Kisser Clan e substituto no instrumento quando, nas palavras do próprio guitarrista, “nos ajudou na estrada quando tivemos problemas com bateristas — que não foram poucos”. Jean Dolabella, membro do grupo entre 2006 e 2011, teve sua presença anunciada meses antes do evento, mas não compareceu.

Mais adiante, João Gordo, da banda “irmã” Ratos de Porão, subiu ao palco para cantar “Reza”, música do Sepultura que rendeu ao vocalista uma briga de anos com Max Cavalera, já fora da formação. Gordo permaneceu e contou com o acréscimo de Jão nas performances de “Crucificados pelo Sistema” e “Beber Até Morrer”, ambas de sua própria banda, também executadas naquela noite pelos donos da festa.

O único ex-integrante do Sepultura a participar do show foi Jairo Guedz. O guitarrista original do grupo teve sua parceria exaltada por Andreas: em 1987, Guedz lhe emprestou seu instrumento e ainda lhe ofereceu hospedagem em sua casa, em Belo Horizonte, mesmo sabendo que aquele jovem estava entrando justamente em seu lugar na formação. Com sua presença no palco, o grupo executou “Biotech is Godzilla”, “Slave New World” e “Troops of Doom”, esta última de sua fase na banda.

Os ex-integrantes que não compareceram foram citados nominalmente por Andreas Kisser perto do fim do show. O guitarrista exaltou Jean Dolabella e Eloy Casagrande, além de Max e Iggor Cavalera, que, em suas palavras, “sempre serão Sepultura”. Ele ainda mencionou sua falecida esposa, Patrícia Kisser, e a mãe de Max e Iggor, a também saudosa Vânia, como figuras fundamentais para a existência da banda.

Em resenha para Rolling Stone Brasil, o jornalista Igor Miranda destacou:

“Por razões distintas, o show de sábado, 7, não pareceu o fim do Sepultura. Seja por soar muito bem — na última década, vivenciou seus melhores momentos desde o traumático rompimento com Max Cavalera — ou por não ter tido um momento ‘full circle’, de estar em plena paz com seu passado. As ausências de Max e Iggor foram sentidas, de modo a fazer com que a apresentação na Suhai parecesse apenas a conclusão de uma turnê.

Mas é o fim. Tretas à parte, o Sepultura encerra suas atividades com uma série de méritos artísticos e comerciais. Foi imprevisível até mesmo em seus momentos derradeiros. Permanece, agora, um legado inestimável para a música como um todo. Ainda está para nascer um grupo que tenha feito tanto, numa história que passou por um início no thrash/death metal, incorporação de elementos do hardcore punk, groove metal e industrial, aproximação a percussões tribais e elementos culturais tipicamente brasileiros, exploração de elementos característicos do progressivo e até do erudito, com direito a letras críticas à sociedade que seguem atuais. E tudo isso foi feito por uma banda do Brasil. Sepultura do Brasil.”

Confira, abaixo, todas as participações do show final do Sepultura, além do setlist completo.

Participações:

  • “Propaganda”: com Sean Sterling e Ethan Kahn, do Chained Saint (7ª música)
  • “Dusted”: com Alan Wallace, do Eminence (8ª música)
  • “Convicted in Life”: com Yohan Kisser (9ª música)
  • “Itsári”: com Moyses Kolesne, do Krisiun (14ª música)
  • “Kaiowas”: jam percussão; com vários convidados (15ª música)
  • “Beneath the Remains”: com Amilcar Christófaro, do Torture Squad (17ª música)
  • “Reza”: com João Gordo (21ª música)
  • “Crucificados Pelo Sistema” (Ratos de Porão): com João Gordo e Jão (22ª música)
  • “Beber Até Morrer” (Ratos de Porão): com João Gordo e Jão (23ª música)
  • “Biotech is Godzilla”: com Jairo Guedz (24ª música)
  • “Slave New World”: com Jairo Guedz (25ª música)
  • “Troops of Doom”: com Jairo Guedz (26ª música)

Sepultura — setlist do show de despedida:

Intros: War Pigs (Black Sabbath) + Polícia (Titãs)
1. Arise
2. Altered State
3. Desperate Cry
4. All Souls Rising
5. Kairos
6. Means to an End
7. Propaganda (com Sean Sterling e Ethan Kahn, do Chained Saint)
8. Dusted (com Alan Wallace, do Eminence)
9. Convicted in Life (com Yohan Kisser)
10. Attitude
11. We’ve Lost You
12. Against
13. The Place
14. Itsári (com Moyses Kolesne, do Krisiun)
15. Kaiowas (jam percussão; com vários convidados)
16. Dead Embryonic Cells
17. Beneath the Remains (com Amilcar Christófaro, do Torture Squad)
18. Breed Apart
19. Solo de guitarra + pintura ao vivo
20. Sepulnation
21. Reza (com João Gordo)
22. Crucificados Pelo Sistema (Ratos de Porão; com João Gordo e Jão)
23. Beber Até Morrer (Ratos de Porão; com João Gordo e Jão)
24. Biotech is Godzilla (com Jairo Guedz)
25. Slave New World (com Jairo Guedz)
26. Troops of Doom (com Jairo Guedz)
27. Beyond the Dream
28. Territory
29. Refuse/Resist
30. Solo de bateria
31. Ratamahatta + Roots Bloody Roots
Outro: Easy Lover (Philip Bailey & Phil Collins)

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Igor Miranda (@igormirandasite)

Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduado em Jornalismo Digital. Começou em 2007 a escrever sobre música, com foco em rock e heavy metal. É colaborador da Rolling Stone Brasil desde 2022 e mantém o site próprio IgorMiranda.com.br. Também trabalhou para veículos como Whiplash.Net, revista Roadie Crew, portal Cifras, site/canal Ei Nerd e revista Guitarload, entre outros. Instagram e outras redes: @igormirandasite.

TAGS: Alan Wallace, Amilcar Christófaro, Chained Saint, eminence, Fotos Igor Miranda, Jairo Guedz, jao, joão gordo, krisiun, moyses kolesne, ratos de porão, sepultura, Yohan Kisser
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