Lula explora violência e sobe tom contra Flávio na TV; veja vídeo


Com as pesquisas mostrando uma distância cada vez menor entre Lula e Flávio Bolsonaro, a campanha do PT vai subir o tom contra o adversário e tentar atingi-lo em um terreno caro para o bolsonarismo: a segurança pública. A coordenação da campanha considera que o programa que estreia esta noite no horário eleitoral marca um ponto de virada na estratégia, agora mais ofensiva, entremeando ataques e propostas.
Na peça de abertura, uma mulher e a filha caminham pela rua ao som de tiros disparados a esmo. Enquanto a cena mostra as duas assustadas, o narrador fala que "a família Bolsonaro deixou o Brasil mais violento", com uma política que colocou um milhão de armas e um bilhão de munições nas ruas. O vídeo, ao qual a coluna teve acesso antecipado, dialoga diretamente com as mulheres, segmento em que a rejeição a Flávio é maior.
A ideia do PT é atacar a capacidade de Flávio de melhorar a segurança pública. O tema é central entre as preocupações dos brasileiros e é uma bandeira da direita e extrema direita pelo mundo. A propaganda fala que Lula pede investigação, repete seu "doa a quem doer" e afirma que, em seu governo, Jair Bolsonaro ameaçou demitir chefes da PF que afrontassem seus filhos. Traz também propostas para a segurança. Diz que vai combater de roubos de celular a "magnatas do crime". Segundo Lula, "combate ao crime tem que ir da esquina ao andar de cima".
Se o horário eleitoral começa com as balas perdidas, os lulistas encerram o programa mostrando ligações de Flávio Bolsonaro com nomes como o banqueiro preso Daniel Vorcaro, Rodrigo Bacellar (União) — deputado cassado e preso — TH Joias (sem partido), ex-deputado do Rio de Janeiro tornado réu sob acusação de integrar o Comando Vermelho. Assim, o foco sai do filme Dark Horse para tentar compor um mosaico mais intricado de aliados de Flávio.
No miolo do programa, o PT faz mais uma ofensiva na guerra de preços que Lula e os bolsonaristas têm travado nas redes. A campanha afirma que o presidente vai zerar os impostos da cesta básica e mostra números sobre a inflação em seu governo ser menor do que a da gestão de Bolsonaro.
Lula e o PT têm sentido dificuldade de sair do tema da crise no Supremo Tribunal Federal. A preocupação dos dirigentes é que a eleição se torne um plebiscito sobre os ministros do STF. Mesmo com o envolvimento direto de Flávio com Vorcaro, ao pedir R$ 134 milhões ao banqueiro para supostamente custear o filme sobre seu pai, a conta dessa guerra cai sobre o presidente, já que o Planalto acaba arrastado pela crise institucional, além de sua proximidade com o principal nome atingido, o ministro Alexandre de Moraes.
Reportagem
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