Pagamentos e propaganda: o vale-tudo de Trump para tentar manter a maioria


Com popularidade em baixa e pesquisas apontando derrotas nas eleições de hoje, Donald Trump intensificou ações e promessas às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA para tentar manter os republicanos no controle da Câmara e do Senado.
Quais foram as ações de Trump
Trump prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto se os republicanos mantiverem a maioria no Congresso. Ele fez o anúncio em uma convenção do partido e disse que o dinheiro teria de ser gasto dentro dos EUA, sem explicar como financiaria a medida.
O presidente vinculou o pagamento à vitória republicana na Câmara dos Representantes e no Senado. "Se os republicanos vencerem a Câmara dos Representantes e o Senado, por causa da nossa enorme força e sucesso econômico, eu darei 5 mil dólares para cada cidadão adulto dos Estados Unidos", disse Trump.
Trump também pediu que eleitores tratem a votação legislativa como um pleito sobre seu próprio governo. No mesmo discurso, ele afirmou que os eleitores deveriam "fingir" que ele está na cédula nas eleições que escolhem deputados e senadores em novembro.
O governo bancou comerciais de TV que exaltavam feitos da gestão e mostravam imagens de Trump antes de anunciar que a conta mudaria. Os anúncios começaram a ir ao ar em setembro em programas populares e transmissões esportivas com a frase "financiado pelo governo dos Estados Unidos".
Após a reação, Trump disse que os comerciais deixariam de ser pagos com dinheiro público e passariam a usar doações de apoiadores. "A esquerda radical está indignada porque estou pagando comerciais que considero uma propaganda positiva para os nossos grandiosos Estados Unidos com recursos públicos", escreveu Trump na rede TruthSocial.
Como foram os anúncios e por que viraram alvo de críticas
As peças misturavam imagens de ações do governo e mensagens políticas com ataques à "classe política" e a "belicistas". Os vídeos traziam declarações em que Trump dizia que expulsaria "belicistas" e a "classe política doente" da administração pública e impediria que o país virasse um Estado comunista.
Adversários e ONGs criticaram a campanha por verem propaganda eleitoral paga por contribuintes, algo proibido nos EUA. A ONG Public Citizen afirmou que a lei veda o uso de recursos públicos para autopromoção e publicidade política em favor de um partido.
O caso ganhou dimensão após a divulgação de que o Departamento de Segurança Interna teria pago US$ 20 milhões a uma agência por uma campanha nacional. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que o problema se agrava por ocorrer a poucas semanas das midterms.
Disputa apertada e tentativa de mobilizar candidatos
As eleições de hoje renovam todos os 435 assentos da Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado, colocando em jogo o controle do Congresso. Atualmente, os republicanos têm 53 senadores e 219 deputados, o que facilita a aprovação de parte da agenda de Trump.
Principais pesquisas indicam risco de virada, com democratas mais fortes entre eleitores mais jovens. Um levantamento Ipsos/Reuters divulgado em 5 de outubro apontou disputa apertada entre eleitores acima de 50 anos, enquanto democratas apareciam com vantagem ampla entre os mais jovens.
Mesmo com o esforço de Trump para dar visibilidade ao partido, parte dos candidatos republicanos evitou aparecer ao lado do presidente. Ausências foram notadas em convenção organizada por Trump em setembro, inclusive de senadores como Susan Collins e Dan Sullivan e de candidatos de estados competitivos.
* Com informações de reportagens publicadas em 10/09/2026 e 12/10/2026.
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