Memorável, 'Control Resonant' reforça caráter inventivo da Remedy
Nova sequência da Remedy, desenvolvedora conhecida por jogos de visuais marcantes e tramas sombrias, "Control Resonant" reforça o status da empresa entre os grandes nomes do setor.
Para dar continuidade à franquia iniciada pelo cultuado jogo de 2019, a empresa aposta em um novo estilo de combate e exploração, um mapa mais robusto e maior diversidade de inimigos e cenários, em busca de repetir o impacto do primeiro título.
Em mais de 40 horas de jogatina, a impressão que fica é de que a jogabilidade frenética e a narrativa, com alusões ao clássico "Akira", evoluíram. O conjunto se mostra capaz de manter a base fiel de fãs da franquia e coloca novamente a série entre os jogos com potencial para indicações no The Game Awards, principal premiação da indústria —em 2019, o primeiro jogo faturou o prêmio de melhor direção de arte.
O enredo acompanha um novo personagem principal. O jogador controla Dylan Faden, irmão da protagonista do primeiro jogo, Jesse Faden, que está desaparecida. Os dois têm relação com o Departamento Federal de Controle —uma espécie de FBI para casos sobrenaturais— e tentam, cada um à sua maneira, evitar que a disputa entre as entidades paranormais Ruído e Hedron destrua o mundo.
A primeira foi a principal antagonista do jogo anterior, enquanto o outro é um vilão inédito, responsável pela criação de monstros poderosos chamados "ressonantes". Além disso, Hedron fragmenta Manhattan em cenários distorcidos, com ruas e prédios clonados que abrem rotas de exploração.
Há inimigos que evoluem com o jogador, causam danos de fogo, corte, tóxicos e outros, refletindo características das sete áreas diferentes do mapa. A progressão se dá pela exploração do mapa. Além das missões principais, vencer chefes rende habilidades em combates variados.
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O game introduz combates corpo a corpo frenéticos —o estilo chamado "hack and slash"— à franquia. Em vez de ser um game de tiro em terceira pessoa como o antecessor, agora o centro está na "aberrante", uma arma mutante que vira martelo, foice, lâminas ou chicote.
Os combates são fluidos, e cada arma atende a situações distintas, como grupos ou inimigos com escudos; a escolha afeta a dificuldade de áreas.
A inovação também aparece na interação com o mundo, com combates que podem ocorrer em ambientes verticais e horizontais. Na prática, o jogador pode correr por superfícies, paredes e teto como se fossem o chão, desafiando a gravidade.
Os visuais ganham escala em uma Manhattan tomada por inversões da realidade, em vez da sede do Departamento Federal de Controle, o cenário mais contido do primeiro jogo.
"Resonant" amplia ainda o universo subterrâneo de "Control" para uma Nova York corrompida que remete aos sonhos de "A Origem", de Christopher Nolan. A escala e o cuidado estético reafirmam a capacidade da Remedy de criar mundos originais. Cenários como o parque e a subpassagem provam isso, combinando cenários tridimensionais, narrativa e beleza.
A rejogabilidade —isto é, a vida útil do jogo para quem quer mais conteúdo—, porém, tem seus limites. Embora menos linear que o recente "Marvel's Wolverine", da Insomniac Games, o jogo concentra recompensas na missão principal e nos chefes, sem grandes atrativos na parte secundária do game.
Ao subir de nível, o jogador enfrenta inimigos mais fortes. Sem níveis de dificuldade, o jogo pode exigir a repetição de combates.
Com "Resonant", a Remedy busca não repetir parte da experiência de "Alan Wake 2". Apesar do sucesso de crítica, a continuação do jogo que acompanha o escritor paranormal que dá nome à franquia teve dificuldade para recuperar os custos de € 70 milhões.
Publicado pela Epic Games, que financiou o projeto em troca de exclusividade para PC, o game recuperou o investimento após mais de um ano e 2 milhões de cópias vendidas no fim de 2024, segundo a Remedy.
"Control Resonant" custou inicialmente € 50 milhões e teve metade da produção cofinanciada pela Annapurna Pictures, que terá direitos de adaptação para cinema e televisão.
A nítida impressão é de que a Remedy busca novos jogadores para a franquia. O jogo oferece uma retrospectiva do primeiro jogo para apresentar a história dos irmãos Faden e tem nas novidades de combate e na maior escala de seu mundo uma justificativa para se sustentar por si só.
Para quem está chegando, "Resonant" oferece visuais marcantes, uma mecânica inovadora que combina exploração vertical e horizontal dos ambientes, além de uma história com elementos surrealistas e de ficção científica. Para quem já conhece o universo, a sensação é de frescor —as novidades funcionam bem sem abandonar o estranhismo da desenvolvedora.
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