Mudança climática contribuiu para enchente mortal entre China e Nepal, diz estudo
A região passou por "mudanças fundamentais e irreversíveis", destacou um dos autores, o hidrólogo Walter Immerzeel, da Universidade de Utrecht, na Holanda. Segundo ele, o recuo das geleiras e do permafrost, a camada de solo que permanece congelada, comprometeu a estabilidade da montanha.
"Concluímos que esta encosta era geologicamente vulnerável, talvez em parte devido ao terremoto de 2015, e que essa fragilidade foi amplificada pelo recuo da geleira e do permafrost", declarou Immerzeel à imprensa, em referência ao sismo de magnitude 7,8 que abalou o país naquele ano.
O estudo confirmou que os meses de julho e agosto de 2026 foram os mais quentes já registrados na região e que as fortes nevascas do fim de 2025 aumentaram o volume de água proveniente do degelo.
"Não há dúvida de que a mudança climática é um dos fatores-chave" do desastre, afirmou Friederike Otto, climatologista do Imperial College London.
"A catástrofe do rio Bhote Koshi é um alerta contundente para os riscos crescentes que o rápido aquecimento do Himalaia representa para as populações", ressaltou outro autor do estudo, Manjeet Dhakal, da Climate Analytics South Asia.
No Nepal, a avalanche deixou mais de 1.400 mortos, e 6.150 pessoas continuam desaparecidas. Na China, o balanço é de 43 mortos e 519 desaparecidos, segundo a imprensa estatal.
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