Após Arnault e Mbappé, Nike apresenta tênis que pode ser seu salva-vidas
A Nike colocou à venda no dia 17 de setembro a quarta geração do Alphafly, seu tênis de alta performance para maratonas, em um lote limitado que esgotou no mesmo dia pelo site da marca. O preço oficial nos Estados Unidos é de US$ 280 (cerca de R$ 1.454), abaixo do cobrado pela versão anterior, e alguns pares já apareceram no eBay com pedidos de até US$ 1.400 (R$ 7,3 mil).
O lançamento veio no meio de uma sequência de notícias pouco favoráveis para a empresa americana, que perdeu o atacante Kylian Mbappé para a suíça On, deixou o índice S&P 100 e levou Alexandre Arnault, filho de Bernard Arnault, presidente da LVMH, para o seu conselho de administração. Em meio à pressão, a corrida segue como uma das poucas áreas em alta no portfólio, com cinco trimestres consecutivos de crescimento de dois dígitos e cerca de US$ 1 bilhão adicionados à receita, segundo o CEO Elliott Hill.
O que muda no tênis

Protótipo do modelo foi usado por Jacob Kiplimo em Londres, onde o recorde abaixo de duas horas ficou com um atleta da Adidas (Divulgação)
Segundo a Nike, o Alphafly 4 é 5% mais leve e tem 10% mais retorno de energia que o antecessor. A entressola combina a espuma ZoomX com a nova ZoomX LT, até 17% mais leve, e mantém a placa de carbono Flyplate e as unidades Air Zoom.
O modelo ganhou ainda cabedal em Atomknit e antepé mais largo, e chega às lojas, ao site da marca e a varejistas parceiros em 29 de outubro, depois de uma venda em Chicago nos dias que antecedem a maratona da cidade, marcada para 11 de outubro.
Reforço no conselho

Alexandre Arnault, de 34 anos, é o novo nome no conselho da Nike. Ele acumula passagens por Rimowa, Tiffany e Moët Hennessy (Divulgação)
Arnault, de 34 anos, assumiu em 15 de setembro uma cadeira no conselho, que passou a ter 12 integrantes. Vice-CEO da Moët Hennessy, divisão de vinhos e destilados da LVMH, desde fevereiro de 2025, ele passou quatro anos como vice-presidente executivo de produto e comunicação da Tiffany & Co. e comandou a Rimowa depois da compra da marca de malas pelo grupo francês. Ao anunciar a nomeação, Hill destacou a experiência do executivo em inovação, transformação digital e construção de marca.
A chegada coincidiu com a saída da Nike do S&P 100 em 21 de setembro, depois de quase 18 anos no índice. As ações da companhia acumulam queda superior a 40% em 2026, e o valor de mercado encolheu cerca de US$ 200 bilhões desde o pico, em 2021. No quarto trimestre fiscal, encerrado em 31 de maio, a receita caiu 1%, para US$ 11 bilhões.
Mbappé na On
Em 18 de setembro, a On anunciou Mbappé como embaixador global e rosto de sua estreia no futebol, encerrando uma relação do jogador com a Nike que vinha desde 2006. O acordo, com valores não divulgados, inclui dinheiro e participação acionária, modelo parecido com o adotado com Roger Federer em 2019. Thierry Henry foi confirmado como diretor de futebol da marca, que pretende lançar suas primeiras chuteiras em 2027. Dois dias depois, no clássico contra o Atlético de Madrid, o francês ainda entrou em campo com chuteiras Mercurial, da Nike, totalmente brancas.
No evento com investidores realizado em Zurique no dia 22, a On anunciou a entrada no golfe, a meta de alcançar ao menos 5,6 bilhões de francos suíços (R$ 35,3 bilhões) em vendas líquidas até 2029 e um programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).
O recorde que escapou
Na corrida de rua, o revés mais recente da Nike aconteceu em 26 de abril, quando o queniano Sabastian Sawe venceu a Maratona de Londres em 1h59min30s e se tornou o primeiro atleta a completar a distância abaixo de duas horas em uma prova válida para recorde, usando o Adizero Adios Pro Evo 3, da Adidas. O ugandense Jacob Kiplimo, terceiro colocado com 2h00min28s, corria com um protótipo do Alphafly 4.
Em entrevista ao Business of Fashion, Bret Schoolmeester, vice-presidente da categoria de corrida da Nike, chamou a derrota de "um soco na cara" e contou que foi ao Quênia em julho trabalhar com Kiplimo na próxima versão dos calçados. "Há dez anos, tínhamos uma vantagem enorme, e isso inspirou as pessoas a correr atrás. Agora, nosso trabalho é manter e ampliar essa liderança", disse.
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