O primeiro-ministro levou um "carrinho" do Sporting?

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Está a ser um problema. A vida não está a correr nada bem a Luís Montenegro. Já não basta algumas coisas, ninguém o avisou que não se pode misturar política com futebol.
E agora, àquela boa maneira que há alguns anos uma determinada entidade desportiva, não quero aqui introduzir o desporto como a metáfora mais habitual, mas lembram-se de há alguns anos, quando uma determinada coletividade não atingia os seus objetivos, dizia sempre: "Para o ano é que vai ser". E as coisas foram correndo e passado muito tempo lá aconteceu, mas foi muito tempo. Já aconteceu com outros, de resto.
A que determinada coletividade é que estaria a referir o primeiro-ministro? Pois, o Montenegro não perdeu pela resposta.
Eu vejo que foi uma graçola. Eu não teria feito, sabendo que há milhões de potenciais eleitores sportinguistas, eu não a teria feito. Mas também sobre essa graçola, deixa-me só dizer que nós do Sporting estivemos 18 anos e depois 19 anos sem vencer. Mas eu posso lhe dizer que preferia estar mais 19 anos sem vencer do que se o presidente de uma coletividade vencedora tivesse sido apanhado em escutas a corromper árbitros. Isso teria sido pior.
Isto é muito perigoso, levar o futebol para a política e a política para o futebol.
Já me perdi.
Ainda não te perdeste, Paulo, porque quase tão perigoso é assistir a um debate num estúdio de televisão. No "Now", o proprietário de uma casa que alegadamente alojava dezenas de pessoas ilegais, começa a ser acusado pelo advogado Pedro Proença de cometer vários crimes. Vão ver como um debate sereno, profundo, pode ser esclarecedor.
Deixe-me só dizer uma coisa, que o senhor estava aqui todo exaltado a dizer que a Carolina entrou na sua propriedade sem autorização. Para já, devo dizer que isso é uma mentira redonda. O senhor pode fazer a queixa que quiser, que o senhor vai levar sopa. E vou lhe dizer porque é que o senhor vai levar sopa. Porque nós temos imagens em que o senhor conversa amavelmente com a Carolina dentro da sua casa. O senhor não veio de lá a correr: "Fora daqui, a senhora está em propriedade privada". Não veio. O senhor conversou amavelmente, esteve lá dentro com a senhora Carolina, prestou explicações, denunciou os funcionários da CAME. O senhor pode fazer a queixa até ao Papa que o senhor não tem pó de senhora. Eu vou acabar, porque o senhor vai deixar acabar. E vou lhe dizer outra coisa.
O senhor não me deixou acabar.
Não, vai deixar acabar.
O senhor não me deixou acabar. O senhor confessa a prática de outros crimes. Sabe o que é que o senhor confessa?
Prática do crime. Sabe do quê? Tráfico de pessoas.
Tráfico de pessoas? Querem que eu trafique pessoas? O senhor está me acusando o quê?
O senhor vai aqui dizer que estas pessoas têm que ter uma autorização para estar em sua casa.
O senhor está me acusar de tráfico de pessoas? O senhor está me acusar.
Vamos ver.
Portanto, aqui a Carolina...
Sopa. Vai levar sopa. Linguagem jurídica.
Isto tem a ver com uma entrevista gravada na casa do alegado criminoso, que finalmente o suspeito vai falar ou tentar falar.
Ainda bem. Agora o senhor deixa-me falar.
Não, eu não deixo. Não deixa acabar. Deus diz que não, Amadeu. Senhor Amadeu.
Tráfico de pessoas pode ser, senhor? Tráfico de pessoas pode ser, senhor? Porque eu não trafico ninguém e não admito que o senhor venha para aqui, que não vai entrar portas de pescada sem saber a realidade deste país.
O senhor não autoriza que estas pessoas estão a ser recebidas em sua casa sem sua autorização. Sabe o que é que isso é? Tráfico de pessoas, senhor Amadeu. Boa noite.
E pronto, e foi assim que acabou. O senhor Amadeu abandonou o estúdio do "Now". Ainda bem que as suspeitas ficaram esclarecidas. E agora, será que incomoda ser sempre conhecido por ser o filho de alguém?
Há uma frase que eu digo sempre sobre isto, que é: não há nada mais triste do que ver alguém a negar o próprio privilégio. Ser filho de um político, crescer no contexto em que eu cresci, é sempre um espaço de privilégio. Tem coisas que são desagradáveis, como tudo na vida. Herdamos ódios que não são nossos e que não motivamos, que um dia nos vêm bater na cara. Já me tem acontecido algumas vezes.
Aqui é Pedro Costa, filho de António Costa. Herdamos avós também. Ele está bem com o apelido. A antiga dirigente do Bloco de Esquerda, Ana Drago, já tem uma experiência completamente diferente.
Eu cresci, apesar de tudo, na zona de Alvalade, Avenida de Roma, durante os anos 80, anos 90, que era um hotspot da direita, do PSD e do CDS. E obviamente, essas amizades com os pares tiveram uma enorme influência. Eu conto as histórias mais comprometedoras era eu e uma colega de turma do Rainha Dona Leonor, descobrimos que os nossos pais, os dois, eram próximos do PCP e fizemos quase um juramento de sangue, que jamais iríamos divulgar isso aos nossos amigos quando tínhamos 15 ou 16 anos. Ninguém podia saber.
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