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Saturday, October 31, 2026

Empresas ampliam programas de reciclagem de embalagens e buscam fidelizar clientes

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São Paulo Empresas brasileiras investem em iniciativas de coleta de embalagens descartadas na tentativa de ampliar a chamada logística reversa, sistema que envolve a destinação ambientalmente correta dos resíduos gerados após o consumo dos produtos.

O Boticário mantém desde 2006 o programa Boti Recicla, que soma mais de 4.000 pontos de recebimento no país. Ao completar 20 anos de atividades, a iniciativa destinou à reciclagem 39% das embalagens produzidas em 2025, com a participação de 2,8 milhões de consumidores, afirma a companhia.

Segundo a empresa, o volume de resíduos que vai para a reciclagem cresceu 48% de 2024 para 2025. O vidro é o material mais coletado (36% do total), seguido pelo papel (28%).

Diversos frascos e embalagens de cosméticos, como cremes, loções e esmaltes, empilhados de forma desorganizada. As embalagens apresentam cores variadas, incluindo tons de rosa, roxo, branco, amarelo e preto, e estão em diferentes estados de uso.
Embalagens descartadas de produtos de beleza em central de triagem em Curitiba - Divulgação Mão Colorida/O Boticário

Um dos pontos-chave do programa é que a devolução das embalagens gera retorno financeiro aos clientes: quem entrega três ou mais frascos vazios recebe R$ 15 de desconto em compras acima de R$ 220.

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O Boticário atua em parceria com 17 cooperativas, que vendem os materiais para as indústrias recicladoras. O trabalho envolve 700 profissionais na triagem dos resíduos, e o sistema também está presente nas lojas em Portugal.

Luís Meyer, diretor de ESG (ambiental, social e governança) do Grupo Boticário, diz que o desafio agora é fortalecer a atuação das cooperativas e engajar ainda mais consumidores. Ele afirma que o aumento de 48% do volume de embalagens recolhidas se deve ao fortalecimento da governança e à integração da iniciativa à estratégia do negócio.

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"Esse resultado reflete a combinação de engajamento do público, gestão operacional e fortalecimento contínuo da cadeia. O sucesso de um programa de logística reversa exige integrar conveniência para o consumidor, conscientização e capacidade para processar volumes crescentes", diz.

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O diretor afirma que a prioridade é transformar os resíduos em novas embalagens. Materiais difíceis de serem reciclados, como restos de maquiagem, isopor e plásticos que misturam resinas, viram chapas para projetos de arquitetura e móveis: a companhia diz que 142 lojas têm mobiliário de plástico descartado, com 147 toneladas de resíduos reaproveitados.

"Diante da complexidade da cadeia de reciclagem no Brasil, seguimos investindo no aprimoramento operacional, na qualificação de parceiros e na rastreabilidade dos materiais para garantir uma contribuição contínua para a economia circular", afirma, em referência ao sistema no qual os materiais voltam a ser usados na fabricação de novos produtos.

ECONOMIA CIRCULAR NO BRASIL

De forma geral, o país não vai bem nesse quesito: apenas 1,3% das matérias-primas consumidas são reutilizadas, enquanto a média mundial é de 6,9% de reaproveitamento. Os dados são do relatório Circularity Gap Report, produzido pela organização internacional Circular Economy e pela consultoria Deloitte.

A Natura, concorrente do Boticário, também ampliou a coleta de embalagens com o programa NaturaRecicla, criado em 2020. Em outubro deste ano, a marca anunciou a expansão da iniciativa para todas as lojas no país.

O consumidor que entrega três embalagens, de qualquer marca, recebe R$ 15 de desconto em compras a partir de R$ 150.

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"Em 2025, a Natura recuperou 17,9 mil toneladas de embalagens pós-consumo por meio do programa Elos, que promove uma rede de responsabilidade compartilhada ao conectar a Natura, cooperativas, recicladores e fabricantes em torno da logística reversa e do fortalecimento da cadeia de reciclagem", diz Ângela Pinhati, diretora de sustentabilidade da companhia.

A empresa tem parceria com 53 cooperativas, além de outras 11 exclusivas do NaturaRecicla. Ao todo, o trabalho envolve mais de 3.000 cooperados.

"O engajamento dos consumidores é parte importante dessa estratégia. A Natura observa que os participantes das iniciativas de logística reversa visitam as lojas físicas com maior frequência em comparação aos demais consumidores", afirma Pinhati.

No ano passado, a empresa afirma ter incorporado 30% de plástico reciclado pós-consumo em todas as embalagens da marca comercializadas na América Latina, se antecipando em relação às obrigações do decreto federal do plástico.

NESPRESSO

A Nespresso tem 400 pontos de coleta de cápsula de café no Brasil e também recebe os resíduos por correio. Em agosto, a empresa passou a permitir que clientes devolvam cápsulas usadas quando recebem em casa pedidos feitos pelo site ou aplicativo da marca. O serviço abrange consumidores da cidade de São Paulo e região metropolitana.

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"Nesta primeira fase, mais de 22 mil CEPs passam a contar com a solução, que torna o descarte correto mais simples e integrado à jornada de compra", diz Marina Gargiulo, gerente de branding, comunicação e sustentabilidade na Nespresso Brasil.

A empresa não informa o percentual de reciclagem de cápsulas no país nem o volume coletado. A taxa global está em cerca de 33%, e a meta é alcançar 50% até 2030.

"O que garantimos é que a empresa trabalha continuamente para ampliar o engajamento dos consumidores na logística reversa e economia circular das cápsulas de alumínio", afirma Gargiulo.

Todo o material recolhido vai para o centro de reciclagem da Nespresso em Valinhos (SP), gerenciado em parceria com a empresa Crivellaro Ambiental.

O alumínio das cápsulas volta para a indústria siderúrgica e serve de matéria-prima para bicicletas, canetas e bisnagas de creme de mão da linha Natura Ekos Castanha. A borra do café é usada para produzir biometano, uma fonte renovável de energia.

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