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Wednesday, September 16, 2026

Billy Corgan: melancolia juvenil ou musical para gente séria

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Seguimos por Beautiful e Muzzle, alguém grita “Bra-vô” e, de facto, já não estamos no Kansas, mas na ópera. Lily (My One and Only) é um dos momentos mais felizes, antes de irmos a Stumbleine, abrindo caminho à segunda aparição de Billy, já lá vai quase toda a primeira parte do concerto: “God is empty just like me” e Zero também está transformada em banda sonora de um filme de muito maior orçamento do que recorda a nossa melancolia. A segunda parte seguirá a mesma receita, com momentos indiscutivelmente grandiosos, como Bullet With Butterfly Wings, ou Porcelina of the Vast Oceans, mas nenhuma da angst juvenil de um dos discos definidores da década de 90, “icónico”, como dizem os termos batidos da promotora. “Despite all my rage”, cantam, imaculadamente, os intérpretes, “I am still just a rat in a cage”. E é inevitável sentir a ironia: quanto mais perfeito é “A Night of Mellon Collie & Infinite Sadness”, mais se afasta da verdade. Qual raiva? Onde está ela? A ratazana, que de vez em quando vem a palco, no hábito negro e curvado com que se oferece como uma das poucas ligações directas à memória original, até pode estar numa gaiola, mas é uma gaiola dourada como nunca. Brilhante, luxuosa.

Em 1979, a plateia saca dos telemóveis para filmar Billy no momento mais parecido com o que talvez alguns tivessem antecipado para esta noite. O artista convidado para a sua própria festa volta em To Forgive e volta a tremer no tom, mas equilibra-se no arame. Terminaremos, todos juntos, às onze mais ou menos em ponto, para o épico prometido de Tonight, Tonight. De fora, ficou praticamente um terço do disco e mais de dois da lembrança, às vezes, nalguns dos seus momentos mais felizes: Here is no Why, Take Me Down, We Only Come Out at Night ou Farwell and Goodnight. O Coliseu adorou, explodiu em várias ovações, termina de pé, aplaudindo entusiasticamente um encore que não está previsto nem há-de vir, como natural na ópera. A noite foi a espaços muito bela, mas o vampiro desaparece debaixo de tanta luz. O rock era sujo e imperfeito como a melancolia e a adolescência. Teremos de levar outras canções quando precisarmos de voltar a contemplar o abismo.

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