Brasil e China devem transformar descarbonização em estratégia, diz ex-embaixador
Brasil e China devem enfocar a descarbonização não apenas como um objetivo ambiental, mas como uma verdadeira estratégia de desenvolvimento capaz de transformar as vantagens ecológicas em empregos de qualidade, inovação e competitividade.
A afirmação foi feita pelo presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o diplomata Luiz Augusto de Castro Neves, durante uma conversa na quarta edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde, organizado pela Agência EFE, em São Paulo.
Durante sua participação, o também ex-embaixador do Brasil na China destacou a profunda complementaridade entre ambas as nações: enquanto o Brasil aporta energia limpa, biodiversidade, água e capacidade agroindustrial, a China oferece escala produtiva, tecnologia, financiamento e experiência em infraestrutura verde.
Castro Neves sustentou que o debate global sofre de "muito discurso sobre os fins e pouco sobre os meios" devido a um contexto de transição da ordem internacional, no qual as referências geopolíticas posteriores à Segunda Guerra Mundial perderam validade.
"O desafio não é apenas reduzir emissões, mas transformar isso em produtividade, inovação e empregos de maior qualidade", afirmou o presidente do Conselho, que advertiu, ainda, que a mera abundância de energia limpa não garante competitividade se o Brasil não investir em redes de transmissão, armazenamento e digitalização.
Segundo dados expostos por ele no Fórum, a China se consolidou como a maior fornecedora de insumos para a transição energética no Brasil, representando no primeiro semestre deste ano 88% dos veículos eletrificados importados, 99% dos painéis solares e 63% das baterias elétricas.
Da mesma forma, Castro Neves destacou o crescente alinhamento dos investimentos chineses com a agenda verde, lembrando que em 2025 foram registrados 31 projetos diretamente vinculados a setores como energia solar, eólica e eletromobilidade, o número mais alto desde que o CEBC começou seu monitoramento, em 2007.
Nos últimos 20 anos, o setor elétrico concentrou 44% dos capitais chineses no Brasil, destinados quase em sua totalidade a energias limpas.
Ele também pediu um olhar de longo prazo ao abordar setores tradicionais como o do petróleo, que representou 22% dos investimentos chineses acumulados, ao classificá-lo como um recurso vital que pode servir precisamente para "financiar a transição energética" em um ambiente de incerteza geopolítica mundial.
O IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde foi realizado no dia 3 de setembro e também contou com painéis sobre temas como descarbonização, resiliência urbana, turismo e bioeconomia, com a participação de referências internacionais dos setores público e privado, representantes de organismos multilaterais, acadêmicos e membros da sociedade civil.
O evento contou com o patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do WWF-Brasil, e com o apoio da AYA Earth Partners, do Imaflora e do Observatório do Clima. EFE
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