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Saturday, September 12, 2026

Agro brasileiro ainda enfrenta desafios de sustentabilidade, segundo especialistas

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A agropecuária brasileira ainda tem muito caminho pela frente para ser mais sustentável e lidar melhor com desafios climáticos como o El Niño, segundo especialistas que participaram do IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), que a Agência EFE realizou em São Paulo.

"O modelo de monoculturas e agroexportador mostra cada vez mais os seus limites", afirmou Thiago Reis, líder da estratégia de mercados livres de desmatamento e conversão do WWF-Brasil.

Por um lado, o país avançou com projetos que buscam rastrear as origens do gado bovino e de uma variedade de culturas para prevenir o desmatamento e garantir a segurança sanitária.

Acordos como a moratória da soja, assinada entre grandes comercializadoras de grãos em 2006 para frear as compras de produtos cultivados em áreas desmatadas, ajudaram a reduzir drasticamente as derrubadas na Amazônia.

"O setor fez um esforço para a rastreabilidade, para um uso ambientalmente correto e para atender às exigências do mercado internacional", disse Gabriel Chelis, especialista em Promoção de Exportações e Atração de Investimentos na ApexBrasil.

Apesar desses esforços, a União Europeia suspendeu, a partir desta quinta-feira, a importação de carne brasileira devido ao uso de antibióticos na produção.

Além disso, as empresas comercializadoras de soja retiraram-se da moratória neste ano, e há sinais de que os esforços de rastreabilidade são insuficientes.

"O cacau está 100% rastreado, mas há outras cadeias de produção, como a da soja, que estão muito atrasadas", apontou Eduardo Trevisan, diretor de Certificação da ONG Imaflora.

A este cenário se soma a chegada do fenômeno El Niño, que aumenta as temperaturas e reduz as precipitações na região amazônica e pode ter um impacto importante na agropecuária.

Certificados e práticas sustentáveis

Neste contexto, os especialistas destacaram a necessidade de continuar avançando rumo à sustentabilidade.

Para Thiago Reis, do WWF-Brasil, a solução está na própria floresta amazônica, que classificou como "fazenda da bioeconomia" devido à presença de plantas endêmicas que dão frutos como o açaí, o cacau e o guaraná e que os povos indígenas cultivam há gerações.

"A floresta é um ativo do Brasil, e é preciso aprender com a tecnologia dos povos originários", afirmou.

Por sua vez, Trevisan, do Imaflora, apontou para a utilidade de certificados e selos para produtores que adotam boas práticas, diante de sanções, como a da União Europeia, contra a carne.

"São ferramentas para proteger os produtores de possíveis barreiras sanitárias e para enviar uma mensagem", disse.

Mas as soluções não podem se limitar aos limites nacionais e devem ser regionais, segundo Heithel Silva, coordenador do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

"O Brasil é uma referência na produção de alimentos, mas essas ferramentas têm que ser colocadas a serviço de outros países vizinhos para criar uma agenda regional", afirmou. EFE

O IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde foi realizado no dia 3 de setembro e também contou com painéis sobre temas como descarbonização, resiliência urbana, turismo e bioeconomia, com a participação de referências internacionais dos setores público e privado, de representantes de organismos multilaterais, de acadêmicos e de membros da sociedade civil.

O evento contou com o patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do WWF-Brasil, e com o apoio da AYA Earth Partners, do Imaflora e do Observatório do Clima. EFE

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