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Wednesday, October 7, 2026

BCE deve ajudar França? "Bancos centrais controlam inflação"

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“Os bancos centrais existem para controlar a inflação“, afirma Álvaro Santos Pereira, questionado sobre se o BCE deve intervir nos mercados de dívida, com a compra de títulos de França para atenuar a grande pressão sob a qual o país está nos mercados financeiros. Ainda assim, para já, o Banco de Portugal não está a antecipar que se gere uma crise da dívida soberana em França ou a nível europeu, pelo que não incluiu esse risco nas previsões (mais otimistas) divulgadas nesta quarta-feira.

Na conferência de imprensa de apresentação do boletim económico trimestral do Banco de Portugal, o governador salientou que “a questão fiscal [orçamental] de França tem de ser resolvida de duas maneiras: tem de haver uma descida do défice (para permitir, mais tarde, descida de dívida) e tem de haver reformas”.

“Quando temos um endividamento muito elevado temos de criar condições para crescer mais, através de reformas estruturais, e tem de haver consolidação e prudência orçamental. Quando isso acontece, mais cedo ou mais tarde, as taxas de juro refletem isso”, afirmou Álvaro Santos Pereira, recusando fazer comentários sobre se o BCE deve ou não ativar, pela primeira vez, o mecanismo que lançou em 2022 e que permite a compra de dívida dos países quando existe pressão excessiva nos mercados financeiros.

“Não vou estar a comentar sobre essa questão, se há questões orçamentais têm de ser levadas em linha de conta pelos governos com consolidação orçamental e com reformas – os bancos centrais existem para controlar a inflação“, frisou Álvaro Santos Pereira.

Mercados pressionam França como na crise da dívida soberana (mas veem com bons olhos eleições antecipadas em Espanha)

Relativamente a possíveis impactos em Portugal, o Banco de Portugal leva “em linha de conta o crescimento da economia europeia, porque haver uma crise em França afetaria o crescimento da Europa”. Mas “não está nos nossos cenários“, esclareceu.

A poucas semanas de o BCE voltar a reunir-se para definir a política monetária na zona euro, Santos Pereira sinalizou que “neste momento não vemos efeitos de segunda ordem [contágio dos preços da energia a outras áreas da economia] nem desancoragem das expectativas de inflação”, uma declaração que pode ser lida como um sinal de que as taxas de juro não deverão subir em outubro.

“No entanto, há riscos que devem preocupar”, incluindo uma eventual subida dos preços do gás natural “se tivermos um inverno frio”, que poderia agravar o ritmo de aumentos dos preços.

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