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Monday, September 28, 2026

Protestos e voos caros: será o fim do turismo?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Não se fala de outra coisa, Luís. Ontem não se falou de outra coisa, foi o Dia Mundial do Turismo. Hoje, em Lisboa, decorre a oitava Cimeira do Turismo Português, promovida pela Confederação do Turismo. O tema é: Portugal e Turismo, uma relação de crescimento. E já todos percebemos, o turismo está a mudar. O Bruno que o diga, que ainda esta madrugada teve uma experiência com o turismo. Com o turismo. É muitos turistas. E um grande abraço para os nossos ouvintes dos Açores. Estiveste lá este fim de semana. Estive lá este fim de semana e então um grande abraço pra eles. Temos ouvintes, claro, nos Açores, em todo o mundo.

Exato.

E por falar em turismo, os Açores estão a sofrer também uma reconfiguração.

Precisamente.

Por causa, sobretudo, da Ryanair ter deixado de fazer voos pra ilha. Vamos ver qual será o efeito.

E precisamente um dos fatores é a subida do preço dos combustíveis, que pode tornar mais caros os preços das viagens de avião e as saídas também das low costs estão a mudar um bocadinho o turismo e por isso o Fugas do Público perguntava este fim de semana se estamos perto do fim do turismo para todos. E dá alguns exemplos de alguns limites que são colocados a quem quer viajar. Por exemplo, Amsterdão cobra a mais alta taxa turística do mundo, não sabia disto, são 12% do custo do alojamento.

12% é uma taxa em porcentagem.

É em porcentagem do custo do alojamento. Ou seja, não é aquele valor fixo.

Quando eu estive lá há dois anos ou três, era fixo. Um quarto por 100 euros, paga 12 euros.

Exatamente.

É dinheiro.

Em Itália, a visita à Fontana di Trevi em Roma passou a ser paga. Veneza cobra entrada de abril a julho, a quem não pernoita na cidade.

Na entrada, é uma espécie de portagem.

Exatamente.

Se não passar lá a noite.

Exatamente. E as companhias aéreas low cost estão a reduzir a oferta de voos, como falávamos há pouco dos Açores, e a subir preços devido ao aumento de custos operacionais. Uma das especialistas ouvidas pelo Fugas defende que o turismo de massas é uma conquista social, que veio com as férias pagas, com a liberalização da aviação. Considera até que a classe média vai se adaptar e continuar a resistir com viagens, no entanto, mais curtas e mais próximas, no fundo, é a alternativa. De resto, não há evidência que mostra que as taxas turísticas afastem os visitantes, antes pelo contrário, eles não se importam de pagar se perceberem pra onde esse dinheiro é canalizado, ou seja, se perceberem que é uma taxa para melhorar a qualidade da própria experiência. E sobretudo, explicam as especialistas, não se podem aplicar essas taxas de forma a transformar o turismo em algo apenas para ricos. O certo é que eles consideram que o turismo na Europa continua a crescer, as pessoas continuam a viajar, mas vão ter que se adaptar. E a avaliação deve ser feita não apenas no que toca ao volume de turismo, mas sim ao valor acrescentado que esse turismo leva aos locais. No fundo, em vez de mais turismo, os especialistas apostam em melhor turismo, um turismo, digamos assim, regenerativo, em que o destino fique melhor depois da partida do turista, seja em termos de paisagens, de qualidade de vida para os residentes ou até o consumo de experiências e de produtos locais. Mas também do lado dos turistas, é preciso maior responsabilidade, por exemplo, atos de maior sustentabilidade durante as visitas, reciclagem, é um dos exemplos apontados. O certo é que há espaço para todos no turismo, desde o campismo até ao turismo de luxo, mas estes especialistas consideram que é preciso apostar, sobretudo, no turismo de qualidade e sem cair no elitismo.

Esta notícia, sobre a qual muita gente está a falar, também está relacionada, de alguma forma, com o turismo. Estamos a falar de Espanha e de um hábito que está a mudar, que é o jantar tardio, a horas tardias em Espanha. Não é tão tarde assim. Já não é tão tarde, é verdade. Antigamente, noutros tempos, o jantar em Espanha andava ali por volta das 10:00 p.m., das 22:00 horas. Sabemos que os espanhóis, por causa da sesta também, atrasam tudo, tudo passa um bocadinho pra frente, mas aqui em agosto, o New York Times, e esta é uma notícia que parte de um estudo publicado no New York Times, entretanto o El País fez um artigo também com base nessa notícia e acabou por chegar também ao nosso jornal, o Público, em Portugal, porque depois também tem uma parte da notícia sobre os hábitos dos portugueses. Mas olhando aqui para os hábitos dos espanhóis, e isto tem que ver com esse estudo encomendado pelo New York Times à Cover Manager, que é uma empresa que analisou 330 milhões de reservas em Espanha e dados recolhidos ao longo de uma década, chegou à conclusão que cerca de metade das reservas do último ano foram feitas para antes das 21:00 horas, quando em 2016 era 27%. Portanto, em 2016 só 27% das reservas eram feitas para as 21:00 e está a ganhar, por exemplo, em relação às 22 horas, porque houve uma quebra de 30% das reservas para 15%. Depois das 23 horas, que há 10 anos as reservas cerca de 5,7% e baixaram agora para 1,9%. E então há aqui uma conclusão, o jantar tardio em Espanha está a morrer. O que interessa aqui então é saber por quê, os motivos para esta alteração. A pandemia explica muita coisa do mundo em que vivemos.

Do nosso tempo.

E vimos isso a propósito dos resultados dos testes PISA e agora vemos também aqui na alteração destes hábitos em Espanha. E como é que a pandemia mudou? Em primeiro lugar, por ter forçado um pouco a necessidade da organização dos estabelecimentos de restauração, em detrimento de uma certa dose de improviso, e também por ter obrigado ao recolher obrigatório prematuro Levando a que houvesse aqui uma troca do jantar tardio por um jantar ou uma refeição reforçada por volta das 19h, uma espécie de lanche jantado. E há aqui também outro fator que é atribuído às gerações mais jovens, que não têm exatamente os mesmos hábitos, optam por evitar o álcool, fazem esporte, levantam cedo, portanto, também se deitam mais cedo. Não vão para a cama com a barriga cheia. Nós sabemos que metabolicamente também tem efeito. E então há aqui uma alteração de hábitos que tem a ver com a própria consciência e os ritmos das novas gerações, já em contradição com aquilo que se passava nas gerações anteriores. Depois, há aqui outro fator que poderá ter a ver com o turismo, ou seja, os hábitos dos espanhóis estarem a mudar também por influência do grande número de turistas e um pouco irem a reboque dos hábitos dos turistas. Mas os dados não indicam exatamente isso, visto que 70% das reservas partiam de números de telemóveis espanhóis e esses números de telemóveis compunham cerca de 90% do total de utilizadores da plataforma. Mas também pode haver aqui o efeito dos expats, ou seja, aqueles estrangeiros que decidem ir viver para os países, seriam imigrantes, mas não são bem os imigrantes tradicionais e podem estar aqui a influenciar estes hábitos. Em Portugal, também temos alterações. Foi contactada aqui esta aplicação, The Fork, em Portugal, e há aqui uma variação também entre 2024 e 2026, com uma subida das reservas para as 19h, de 4,43%, enquanto as das 20h desceram 5,76%. Portanto, pode estar a haver aqui também uma contaminação ibérica com a alteração destes hábitos, embora em Portugal não tivéssemos a mesma tradição de jantares tão tardios quanto em Espanha. Qualquer dia até acabam com a- Com a siesta. Com a siesta em Espanha, com essas mudanças todas. Claro.

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