Empresas colocam tributação no topo da lista de prioridades para o próximo governo, diz FGV
Rio de Janeiro Empresas colocam a tributação no topo da lista de prioridades que deveriam ser atacadas pelo governo a ser eleito no Brasil, aponta sondagem do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). A Folha teve acesso ao levantamento com exclusividade.
A pesquisa perguntou a cerca de 4.000 empresas quais deveriam ser as prioridades do próximo governo para o sucesso dos seus negócios ou dos setores em que estão inseridas. Cada informante pôde marcar até três opções de resposta.
A sondagem foi aplicada em agosto, antes do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). A votação confirmou a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno do pleito presidencial, que ocorre em 25 de outubro.
Na visão de 54,2% das empresas consultadas pelo FGV Ibre (mais da metade), a tributação deve ser considerada prioridade pelo próximo governo, mesmo com a transição do país para o novo sistema de cobrança de impostos previsto na reforma tributária.
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Em seguida, três temas de preocupação mostram percentuais próximos a 25%. São os casos de contas públicas (27,1%), redução da burocracia (24,8%) e infraestrutura e logística (24,7%).
A lista ainda abrange segurança pública (18,2%), acesso ao crédito (15,6%), qualificação da mão de obra (15%), proteção à concorrência (12,8%), abertura comercial (8%) e outras prioridades (8,4%).
A reforma tributária é uma das principais bandeiras do governo Lula. A promessa é simplificar o sistema atual por meio da unificação de tributos.
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A reforma elimina milhares de legislações conflitantes, mas a transição de regime pode ter custos elevados e exige planejamento para as empresas, como mostrou a Folha. A vigência integral do novo modelo tributário é prevista para 2033.
"Por mais que se fale da reforma, os empresários ainda não estão enxergando uma solução para esse problema", diz o economista Rodolpho Tobler, coordenador das sondagens do FGV Ibre.
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Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesEm seu programa de governo, Flávio Bolsonaro promete "promover a revisão e o redimensionamento da reforma tributária". Para ele, o texto defendido por Lula "foi entregue ao sabor dos lobbies".
Já o plano do atual presidente afirma que a reforma amplia a transparência, acaba com a cumulatividade e elimina a guerra fiscal entre os entes subnacionais (estados, Distrito Federal e municípios). O documento fala em assegurar "tratamento tributário justo" na implementação do projeto.
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A sondagem do FGV Ibre consultou empresários de quatro grandes setores: indústria de transformação, serviços, comércio e construção.
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A tributação é a prioridade número um das quatro atividades. Contas públicas, infraestrutura e logística e redução de burocracia também tiveram destaque nas respostas dos setores.
A qualificação da mão de obra só aparece entre as três prioridades indicadas pela construção. Essa opção foi citada por 26,8% das empresas do ramo, atrás de tributação (54%) e infraestrutura e logística (27,7%).
Conforme Tobler, a perda de ritmo da construção talvez não seja tão rápida quanto a sentida neste momento por outros setores da economia, o que ajudaria a manter o apetite por contratações de trabalhadores para obras.
O ponto é que nem sempre há mão de obra disponível para atender a essa demanda, pondera o economista.
"Tem uma questão estrutural também da construção. É um tipo de ocupação que talvez as pessoas estejam evitando um pouco mais", diz Tobler. Ele cita obstáculos como a carga horária "mais difícil" e o trabalho "mais pesado" no setor.
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