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Wednesday, October 14, 2026

‘Dino’ encontrado enterrado no quintal de casa na Califórnia não era um fóssil, mas uma Ferrari esmeralda em ‘boas condições’

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Em 1978, o Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles contou à imprensa que duas crianças haviam encontrado uma Ferrari enterrada no quintal de uma casa na cidade. O tesouro era uma Ferrari Dino 246 GTS de cor verde metálica, embalada em plástico e em condições aparentemente boas.

Após investigação, o dono do carro foi revelado, além do boletim de ocorrência que havia alertado sobre seu furto quatro anos antes.

A história é real e foi registrada pela jornalista Priscilla Painton para o Los Angeles Times – mas anos depois, novas descobertas colocaram em xeque detalhes divulgados pelos agentes policiais.

Um presente para a esposa

Na revista Autoweek em 1986, Greg Sharp relatou o que descobriu sobre a Ferrari Dino enterrada. O veículo de chassi 07862 e placa 832 LJQ pertencia a Rosendo Cruz, um encanador com planos de presentear a esposa.

O carro foi comprado em uma concessionária famosa, a Hollywood Sports Car, autorizada pela Ferrari com clientes famosos como Frank Sinatra, Sharon Tate e Jayne Mansfield. O negócio foi fechado por US$ 22,5 mil em outubro de 1974.

A senhora Cruz só teve direito a dois meses com seu carro novo. Em dezembro, o casal havia saído para celebrar seu aniversário de casamento em um restaurante; quando voltaram ao local onde estacionaram, no entanto, encontraram uma vaga vazia.

O encanador denunciou o furto ao xerife do condado, mas nunca conseguiu recuperar o veículo.

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Em 1978, um grupo de crianças estava brincando na lama na região de West Athens, em Los Angeles, na Califórnia. Enquanto cavavam o quintal de uma casa com pás, sentiram algo com a mesma dureza do teto de um carro. Então, sinalizaram uma viatura policial para reportar a descoberta.

Dois detetives, Joe Sabas e Lenny Carroll, lideraram a pequena equipe de trabalhadores que usaram um trator para expor completamente o veículo enterrado a poucos centímetros da superfície arenosa.

Os inquilinos da casa onde o carro estava enterrado rapidamente explicaram não saber de sua existência, tendo se mudado para lá apenas três meses antes. Nenhum dos vizinhos alegou ter visto movimentações suspeitas na área, seja na época da descoberta ou do furto, em 1974.

As autoridades teorizaram que quem a enterrou tentou "mumificá-la", embalando em cobertores plásticos e posicionando toalhas em todos os orifícios para impedir a entrada de bichos. A nota inicial no Los Angeles Times descreve a Ferrari como "em condição surpreendentemente boa", estimando seu valor em US$ 18 mil.

Depois da publicação, o Departamento do Xerife passou a receber ligações incessantes de compradores interessados. Um inspetor de seguro que havia lido a história no jornal decidiu investigar o valor real do carro, e encontrou-o num estado muito diferente do que havia sido relatado.

A reportagem da Autoweek em 1986 conta que a Dino tinha fungos em todas as suas camadas de pintura, buracos de ferrugem em toda a carroceria e corrosão até no revestimento interno de couro. "Os ladrões idiotas tiveram a ideia brilhante de colocar toalhas nas janelas, mas não lembraram de fechar os vidros totalmente", escreveu Sharp.

As rodas e calotas foram destruídas pela erosão, e os exaustores estavam totalmente preenchidos por lama. O processo de retirada do buraco também amassou o capô, quebrou o para-brisas e deixou arranhões por todo o teto.

"Era tudo tão triste que Tom Underwood concluiu sua investigação em tempo recorde. A ideia de que qualquer um, além da própria fábrica da Ferrari, poderia trazer o Dino a um estado próximo ao original, parecia maluca", conta o jornalista.

Mesmo nestas condições, o "fóssil" de carro atraiu interessados. Em um leilão, um jovem mecânico no Vale de San Fernando levou-o para casa por um lance entre US$ 5 mil e US$ 9 mil.

Uma reviravolta revela a história real

Outro jornalista a investigar o conto da Ferrari foi Mike Spinelli, no site Jalopnik. Em 2012, ele teria ouvido do detetive Dennis Carroll, já aposentado, que a versão sobre as crianças encontrando o carro espontaneamente foi inventada pelos policiais para despistar o Los Angeles Times.

Na realidade, o Departamento do Xerife havia recebido uma denúncia anônima sobre um carro enterrado em um esquema de fraude – o dono, Rosendo Cruz, teria recrutado capangas para fingir um furto, esconder a Ferrari e, depois, desmontá-la. Assim, ele denunciaria o crime e receberia o dinheiro do seguro.

A equipe de homens contratados pelas autoridades havia ido direto ao local e cavado até encontrar o carro, sem crianças envolvidas. Para proteger a fonte da denúncia e continuar investigando, Carroll e seu parceiro teriam decidido mentir.

Ferrari Dino 246 GTS encontrada em 1978 em quintal nos EUA agora renovada na garagem do atual dono • Reprodução/YouTube

Que fim levou a Ferrari enterrada num quintal em Los Angeles?

Hoje, o carro continua sob posse do comprador Bradley Howard, que deu mais detalhes da história ao canal Ridiculous Rides no YouTube.

Para ele, o Dino só sobreviveu ao "túmulo" por conta do período de seca que instaurou-se em Los Angeles na década de 1970. Em uma região mais úmida, não teria sido possível recuperá-lo.

Mas Brad comprou o desafio de ressuscitar a Ferrari, e a mantém em sua garagem desde então. "Muitas pessoas, amigos meus, quiseram comprar o carro. E eu disse que não o comprei para vender depois", disse no vídeo.

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