De reciclagem a agrofloresta: como a Heineken faturou R$ 560 milhões com negócios de impacto
Ser uma das maiores compradoras e vendedoras de embalagens de vidro do Brasil colocou o Grupo Heineken diante de um dilema que precisava de solução: parte das garrafas termina nas ruas, praias e aterros ou é descartada de forma inadequada após grandes eventos, em uma cadeia na qual a reciclagem ainda enfrenta entraves econômicos e logísticos.
Foi a partir de desafios como esse que a gigante de bebidas começou a estruturar o HEINEKEN Spin, ecossistema de negócios de impacto lançado em maio de 2024. A proposta é desenvolver operações que enfrentem problemas ambientais e sociais, mas que também gerem receita e consigam se sustentar sem depender continuamente de novos aportes.
“Nascemos com a missão de ser parte da solução, e não do problema”, afirma Rafael Rizzi, que assumiu em junho de 2026 a vice-presidência de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos do Grupo HEINEKEN e lidera a iniciativa, em entrevista exclusiva à EXAME.
Criado com um investimento inicial de R$ 150 milhões, o ecossistema acumulou mais de R$ 560 milhões em faturamento nos primeiros dois anos.
O valor representa a receita conjunta das diferentes operações, e não o lucro. A companhia não abre o resultado líquido, mas afirma que todas as frentes já atingiram o ponto de equilíbrio e que a operação se consolidou como lucrativa.
Para o VP, o diferencial do Spin em relação a um projeto tradicional de sustentabilidade está na formação de um ecossistema em que uma frente ajuda a financiar a outra.
Negócios com retorno mais rápido sustentam iniciativas de longo prazo, enquanto parceiros alimentam o ecossistema da HEINEKEN, estruturado em quatro pilares: marcas de impacto, circularidade, energia renovável e agricultura regenerativa.
Um quinto pilar, ainda mantido em sigilo, está em desenvolvimento e deverá ser anunciado pela companhia em breve.
“Se eu faço um projeto de apoio à reciclagem, quanto maior o volume reciclado, mais caro ele fica. Se é um negócio, acontece o contrário: quanto mais volume reciclado, mais eu ganho. Todo mundo ganha", exemplifica Rizzi.
A lógica do ecossistema também envolve dividir responsabilidades. Enquanto a HEINEKEN contribui com escala, estrutura comercial e acesso aos pontos de venda, os parceiros trazem sua expertise.
“Cada um coloca aquilo que tem de melhor, sua fortaleza e seu talento. A gente sabe que não consegue fazer nada sozinho”, afirma o VP.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.