Empresas que usam IA para crescimento têm vantagem sobre as que buscam só eficiência, diz McKinsey
A adoção de inteligência artificial nas empresas começa a ganhar uma nova dimensão: em vez de usar a tecnologia apenas para fazer tarefas existentes de forma mais rápida ou barata, organizações de maior desempenho estão recorrendo à IA também para buscar crescimento e inovação.
É o que mostra a edição de 2026 do estudo The State of AI, da McKinsey. Segundo o levantamento, cerca de 80% das empresas dizem buscar ganhos de eficiência com IA. Entre as organizações consideradas de alto desempenho, porém, é mais comum encontrar também objetivos relacionados a crescimento e inovação.
Por que eficiência não é suficiente
Reduzir custos, automatizar tarefas e aumentar a produtividade estão entre os usos mais comuns da inteligência artificial no ambiente corporativo. Esses ganhos podem liberar tempo das equipes e reduzir etapas de processos.
O problema aparece quando a tecnologia fica restrita a esse papel. Para a McKinsey, as empresas que conseguem capturar mais valor com IA tendem a usá-la para transformar o negócio, e não apenas acelerar atividades que já existiam.
Na prática, isso pode significar utilizar IA para desenvolver produtos, melhorar a experiência do cliente, identificar novas oportunidades comerciais ou modificar completamente uma operação.
A diferença também aparece na forma como as empresas reorganizam o trabalho. O estudo de 2025 da McKinsey já apontava que organizações de maior desempenho eram quase três vezes mais propensas a redesenhar fluxos de trabalho de maneira fundamental para incorporar IA.
Como a IA pode ser usada para crescer
A aplicação da tecnologia com foco em crescimento pode aparecer em diferentes áreas de uma empresa. Entre os exemplos estão:
- Desenvolvimento de produtos: análise de dados e criação de novas funcionalidades
- Marketing e vendas: identificação de oportunidades e personalização da comunicação
- Atendimento: automação e melhoria da experiência do cliente
- Estratégia: análise de cenários e apoio à tomada de decisões
- Operações: redesenho de processos inteiros, em vez da simples automação de tarefas
Esse movimento também aparece no levantamento Global Tech Agenda 2026, da McKinsey. A pesquisa, que ouviu 632 líderes de tecnologia e negócios, aponta que empresas de melhor desempenho estão incorporando IA e dados aos modelos operacionais para criar valor e impulsionar o crescimento.
O desafio é transformar tecnologia em resultado
Ter acesso às mesmas ferramentas de IA não garante vantagem competitiva. A própria McKinsey destaca que os modelos e tecnologias estão amplamente disponíveis. O diferencial está na capacidade de uma organização de aplicá-los rapidamente a problemas relevantes e em escala.
Esse processo exige mudanças nos fluxos de trabalho, nas equipes e na forma como as decisões são tomadas. Em outro estudo publicado em 2026, a consultoria afirma que empresas que usam IA de forma disseminada em diferentes áreas apresentam desempenho financeiro superior às que concentram a tecnologia em poucos departamentos.
Ainda assim, transformar adoção em resultado continua sendo um desafio. Na pesquisa mais recente da McKinsey, apenas 6% dos participantes se enquadraram na categoria de organizações de alto desempenho em IA, definida pelo impacto significativo atribuído à tecnologia e por um impacto de pelo menos 5% no EBIT.
Para o profissional, a mudança significa que entender IA não envolve apenas aprender a utilizar ferramentas. Também passa por identificar onde a tecnologia pode gerar valor, seja reduzindo uma etapa, melhorando uma decisão, criando um produto ou abrindo uma nova possibilidade de negócio.
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