Retrato de Carlos V e Isabel de Portugal exposto em Madrid

A Galeria das Coleções Reais em Madrid apresentou a sua nova obra convidada Os imperadores Carlos V e Isabel de Portugal, de Pedro Pablo Rubens, que estará exposta até 17 de janeiro de 2027.
A obra de Rubens, datada de 1628 e que pertence à coleção da Fundação Casa de Alba, está habitualmente exposta no Salão Flamengo do Palácio de Liria.
Rubens inspirou-se diretamente no retrato original pintado por Ticiano em 1548, por encomenda do imperador.
Assim, o retrato imperial do pintor flamengo constitui a única referência conservada do original de Ticiano, que desapareceu no incêndio do Alcázar de Madrid em 1734.
A encomenda foi feita a título póstumo, uma vez que Isabel de Portugal falecera em 1539.
Como Carlos não dispunha de um retrato que considerasse digno da memória dela, confiou ao mestre Ticiano a responsabilidade de preservar a lembrança de Isabel por meio de uma imagem idealizada, mais fiel às recordações do imperador do que aos traços reais da imperatriz.
No entanto, o retrato foi transferido para o quarto do rei no Alcázar de Madrid, depois de ter acompanhado o imperador durante os seus últimos anos em Yuste.
Foi no Alcázar que, devido ao incêndio de 1734, a obra de Ticiano se perdeu para sempre.
A perenidade deste retrato ao longo dos tempos deve-se ao trabalho de Rubens que, depois de visitar as coleções reais e as obras de Ticiano na sua primeira viagem diplomática à corte de Filipe IV, pintou o quadro que, a partir de quarta-feira, se encontra exposto na Galeria das Coleções Reais.
A obra destaca-se pelo contraste entre as vestes negras dos imperadores e a cor vermelha predominante na toalha de mesa e nas cortinas atrás das silhuetas, cortinas que se abrem para revelar o que parece ser a paisagem da Serra de Guadarrama.
No centro da mesa, um relógio simboliza a passagem do tempo, o tempo que Carlos V vive sem a mulher e o tempo que resta até a reencontrar.
Após a morte do pintor flamengo em 1640, a obra foi adquirida por Carlos I de Inglaterra e permaneceu no Reino Unido até ser comprada, em 1936, pelo 17.º Duque de Alba, Jacobo Fitz-James Stuart y Falcó, avô do atual duque.
O diretor das Coleções Reais, Víctor Cageao, agradeceu a colaboração da Fundação Casa de Alba por ter proporcionado à Sala dos Habsburgos (Sala de los Austrias, em espanhol) “uma peça fundamental para compreender a figura dos imperadores no quinto aniversário do seu casamento”.
A sua apresentação foi complementada por uma série de documentos da Biblioteca Real do Palácio Real, destinados a contextualizar a figura dos imperadores.
Entre eles, destacam-se vistas de Sevilha e Granada dessa época, cidades intimamente ligadas à celebração do casamento imperial e à lua de mel do casal, bem como uma gravura do túmulo da imperatriz e uma cédula real assinada pela mesma.
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