Golpista perde R$ 24 milhões após sofrer ataque hacker na sua carteira cripto
Uma investigação conduzida pela Chainalysis revelou que uma das maiores vítimas no ataque hacker à Ledger da semana passada curiosamente foi um golpista. O criminoso teve mais de 60 bitcoins roubados, o que equivale a US$ 4,8 milhões ou R$ 24,4 milhões.
Analisando dados que ficam públicos em blockchain, a empresa afirmou que uma das carteiras de criptomoedas drenadas pertencia a um endereço ligado aos chamados "golpes de tarefas".
O criminoso atraía pessoas com uma promessa de emprego para fazer vendas falsas. No entanto, a plataforma de vendas de repente mostrava um "saldo negativo" e as vítimas eram obrigadas a depositar dinheiro para continuar vendendo. O golpista, então, desaparecia com esses valores.
De acordo com a Chainalysis, em 22 de setembro a pessoa responsável por esse golpe movimentou criptomoedas para três carteiras Ledger diferentes. Porém, todas elas foram completamente drenadas em 9 de outubro, quando ocorreu o ataque à Ledger.
One of the biggest victims of the Ledger theft was a scammer themselves. They lost more than 60BTC, about $4.8M. The funds were from a task scam.
In this task scam, people were paid to fake sales and reviews of real items. Then a "negative balance" appeared, and they were told to add their own money in order to get paid.
On Sep 22, the person behind the scam moved the proceeds into three separate Ledger addresses. On Oct 9, thieves emptied all three. One transfer each, into the same wallet. The wallet is reported as stolen funds.
— Chainalysis (@chainalysis) October 15, 2026
O que foi o ataque hacker à Ledger?
Maior fabricante de carteiras físicas para armazenamento de criptomoedas do mundo, a Ledger admitiu no começo desta semana que dispositivos fabricados por ela e revendidos por uma loja do Sudeste Asiático chamada CryptoBilis foram adulterados.
Os cibercriminosos desmontaram as carteiras cripto e implantaram um chip dentro delas que lia diversas informações, entre elas a chave de 24 palavras que os clientes usavam para poder desbloquear a carteira. O chip, então, enviava um sinal via redes de telefonia para os hackers, que conseguiam usar as senhas pessoais dos investidores para roubar as criptomoedas.
A história ganhou contornos ainda mais complexos quando o fundador da CryptoBilis, Arravind Prabu, afirmou em postagem na rede social LinkedIn que vendeu a loja em março deste ano, mas por contrato não pôde revelar a operação até este mês, quando o incidente de adulteração ocorreu.
Diversas pessoas na comunidade cripto começaram a suspeitar que os compradores da CryptoBilis adquiriram a loja justamente para poder adulterar as carteiras Ledger e executar o roubo, mas isso não foi confirmado pelas investigações.
Investigadores estimam que pelo menos US$ 86 milhões foram roubados nesse esquema de adulteração das carteiras.
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