Quem é Peggy Flanagan, a primeira pessoa indígena eleita ao Senado dos EUA?
A democrata Peggy Flanagan foi eleita a primeira mulher indígena para o Senado dos Estados Unidos após derrotar a republicana Michele Tafoya em Minnesota, segundo projeções da Associated Press (AP) e da NBC News divulgadas nesta quarta-feira, 4.
Flanagan, de 47 anos, ocupa o cargo de vice-governadora de Minnesota desde 2019 e disputou a vaga deixada pela senadora democrata Tina Smith, que decidiu não buscar a reeleição.
A disputa foi mais apertada do que o esperado. Tafoya, ex-comentarista esportiva, chegou a liderar parte da apuração, mas Flanagan conseguiu reverter a vantagem e manteve a cadeira do estado sob controle democrata.
A vitória ocorre em uma eleição de meio de mandato marcada pelo avanço do Partido Democrata no Congresso americano, com conquistas em estados tradicionalmente republicanos.
Quem é Peggy Flanagan?
Peggy Flanagan é integrante da comunidade indígena americana e construiu sua carreira política em Minnesota, onde atua há mais de duas décadas.
Antes de assumir o cargo de vice-governadora, foi integrante do Conselho de Escolas Públicas de Minneapolis, entre 2005 e 2009, e deputada estadual de 2015 a 2019. Também trabalhou como ativista comunitária.
Desde 2019, integra o governo de Tim Walz, que foi candidato a vice-presidente dos Estados Unidos na chapa de Kamala Harris em 2024.
Se Harris tivesse vencido a eleição presidencial, Flanagan teria assumido o governo de Minnesota no lugar de Walz, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo no estado.
Durante a campanha ao Senado, a democrata defendeu uma agenda progressista, com propostas como a ampliação do acesso à saúde por meio do programa Medicare for All, um salário mínimo federal de US$ 17 e mudanças nas políticas de fiscalização migratória.
Flanagan também se posicionou contra a venda de armas americanas a Israel e classificou as ações israelenses na Faixa de Gaza como genocídio, segundo a agência EFE.
Polêmica sobre fraudes marcou campanha em Minnesota
A campanha de Flanagan foi marcada por questionamentos sobre sua atuação no governo estadual diante de fraudes em programas de assistência social.
Segundo o New York Times, promotores e parlamentares democratas e republicanos acusaram a administração de Tim Walz de demorar a reagir a esquemas que desviaram centenas de milhões de dólares de programas destinados à alimentação de crianças de baixa renda, ao atendimento de menores com autismo e à assistência de pessoas em risco de perder a moradia.
Flanagan procurou se distanciar das acusações e afirmou que Walz havia liderado as ações do governo para enfrentar os problemas.
A controvérsia foi explorada pela republicana Michele Tafoya, que tentou associar a adversária às falhas de fiscalização dos recursos públicos.
De acordo com a EFE, as investigações também alimentaram acusações contra creches e pré-escolas administradas por integrantes da comunidade somali em Minnesota, em um ambiente de tensão com as políticas migratórias do governo Donald Trump.
Em janeiro, uma operação federal de imigração no estado terminou com a morte de dois cidadãos americanos por agentes federais, segundo a agência espanhola.
Vitória democrata mantém cadeira no Senado
A eleição de Minnesota ganhou importância nas últimas semanas da campanha, quando pesquisas passaram a indicar uma disputa mais equilibrada entre Flanagan e Tafoya.
Segundo o New York Times, a republicana se beneficiou da insatisfação de parte dos eleitores com o aumento de impostos e os casos de fraude nos programas estaduais. Suas posições relativamente moderadas sobre temas como o aborto também contribuíram para tornar a disputa competitiva.
Flanagan, por outro lado, associou a adversária à agenda de Donald Trump e criticou seu apoio à guerra no Irã.
Durante a campanha, a democrata também questionou a permanência de Chuck Schumer na liderança do Partido Democrata no Senado após as eleições.
"O povo quer uma grande mudança", afirmou em entrevista citada pela EFE.
Além da vitória de Flanagan, Minnesota elegeu a democrata Amy Klobuchar para o governo estadual, em substituição a Tim Walz.
Glossário
O que é Minnesota?
Estado dos EUA onde Peggy Flanagan foi eleita para o Senado, conhecido por sua grande população indigenous americana e disputas políticas recentes.
O que é Tim Walz?
Ex-governador de Minnesota e candidato à vice-presidência dos EUA em 2024, que nomeou Flanagan como vice-governadora em 2019.
O que é Israel?
País no Oriente Médio cuja política exterior Flanagan criticou, especialmente em relação às ações na Faixa de Gaza.
O que é Faixa de Gaza?
Território palestino sob controle israelense, onde Flanagan classificou as ações israelenses como genocídio durante sua campanha.
O que é comunidade somali?
Grupo étnico em Minnesota envolvido em controvérsias sobre fraudes em programas sociais durante a campanha eleitoral.
O que é guerra no Irã?
Conflito regional que Flanagan criticou ao se posicionar contra o apoio americano a posições republicanas durante a campanha senatorial.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.