Andrew Watt fala sobre seu insano ano de 2026: Madonna, Paul McCartney, Rolling Stones e Lady Gaga

Início » Música » Andrew Watt fala sobre seu insano ano de 2026: Madonna, Paul McCartney, Rolling Stones e Lady Gaga
O produtor e compositor conta em detalhes como reuniu Madonna e Charli XCX, fala sobre trabalhar com Michael Stipe, explica por que o Black Sabbath não gravou mais um álbum e muito mais
Rolling Stone
O produtor e compositor Andrew Watt passou mais um ano frenético, com uma agenda lotada de compromissos, trabalhando ao lado de lendas da música. Ele produziu The Boys of Dungeon Lane, mais recente disco de estúdio de Paul McCartney, e Foreign Tongues, álbum dos Rolling Stones — seu segundo com a banda —, além de coproduzir Returning to Myself, de Brandi Carlile, e duas músicas de Confessions II, de Madonna.
Dando continuidade à parceria amplamente elogiada com Lady Gaga em Mayhem, Watt também trabalhou com a cantora em diversas novas músicas, incluindo faixas para O Diabo Veste Prada 2. Ele ainda coescreveu e coproduziu “I Played the Fool”, de Michael Stipe, e está trabalhando com o músico em seu aguardado álbum solo de estreia. Na agenda, há também um novo disco com Elton John.
Em um novo episódio do The Rolling Stone Studio, Watt conversa com Brian Hiatt sobre todas essas colaborações e muito mais. Assista ao episódio no YouTube ou no vídeo abaixo. Confira alguns dos destaques da conversa após o player:
Watt foi o responsável por aproximar Madonna e Charli XCX para o remix de “Danceteria”, no qual trabalhou. “Na verdade, coloquei as duas em um grupo de mensagens para que pudessem se conhecer e conversar antes mesmo de fazerem uma música juntas, porque elas precisavam ser amigas. As duas são incríveis, muito legais e pessoas realmente especiais na minha vida”, conta Watt. “Eu estava em um casamento com Charli e perguntei: ‘Você já conheceu Madonna?’. E ela respondeu: ‘Não, na verdade, não nos conhecemos’. Então, pensei que aquilo precisava acontecer.”
A versão original de “Danceteria” surgiu a partir das histórias de Madonna sobre a casa noturna do centro de Nova York “onde tudo começou para ela”. “Ela nos contava coisas como: ‘Você olha ao redor e vê Nile Rodgers, vê David Byrne’”, diz Watt. “E, obviamente, ela inventou a ideia de falar em uma música pop, certo? […] Então colocamos a batida e ela começou a falar sobre a própria vida. É a história de suas origens.”
Sobre o remix, ele explica: “Charli gravou sua parte, mas depois as duas trabalharam juntas na faixa e na produção. […] É uma música completamente diferente da original”.
Watt chama Lady Gaga de “minha irmã mais velha” e conta que as sessões de gravação com a cantora já o levaram às lágrimas. “A melhor sensação do mundo é quando você faz um projeto com um artista, tudo termina, todos ficam tristes, vocês sabem que vão sentir falta uns dos outros e, então, a pessoa liga de volta e diz: ‘Vamos fazer mais coisas’”, afirma.
“Ela e eu somos do mesmo lugar. Somos de Nova York. Nós dois crescemos tocando no Bitter End e caminhávamos pelas mesmas ruas, frequentávamos as mesmas cenas musicais, com apenas alguns anos de diferença. […] Então, é como se ela fosse minha irmã, sabe? Minha irmã mais velha, alguns anos mais velha do que eu. Quando nos sentamos para desconstruir uma música, mesmo que seja eletrônica, e eu estou com o violão enquanto ela toca piano, sentados frente a frente e passando pela composição, é uma das experiências mais bonitas da minha vida. Já me levou às lágrimas várias vezes.”
Watt está trabalhando no próximo álbum de Elton John e, como o cantor perdeu grande parte da visão, os dois precisaram reconstruir a maneira como ele compõe músicas. (O letrista Bernie Taupin já havia contado à Rolling Stone que o novo processo representa “um jogo completamente diferente” para John.) “É sabido que Elton compõe músicas lendo uma letra”, explica Watt. “Ele está passando pela vida de uma maneira completamente diferente de tudo o que já viveu e, meu Deus, o espírito desse homem é incomparável. 99,9999999% das pessoas teriam simplesmente desistido, mas ele continua em frente. […] Ele quer fazer música, então tivemos que nos adaptar.”
Ele continua: “A maneira como invertemos o processo foi aproveitar o fato de que ele é um dos maiores criadores de melodias de todos os tempos. Podíamos colocar algumas baterias para ele, criando uma sensação específica, e então ele tocava acompanhando a bateria, criava primeiro as melodias e encontrava uma atmosfera. Ou dizíamos: ‘Vamos fazer algo que tenha a sonoridade de um grande disco de soul’. […] Bernie também é muito imaginativo, então conseguia ouvir aquilo, escutar uma melodia básica, ainda em estágio inicial, criada por Elton, e desenvolver ideias a partir do que ele estava fazendo.”
“Depois, Elton é mestre em encaixar as letras de Bernie na música. Quando Bernie terminava a letra, nós a colocávamos em uma tela enorme para Elton. Ele percorria o texto, decidia onde queria encaixar cada trecho e avançava aos poucos. Ficou perfeito.”
Watt diz que Stipe está determinado a fazer com que seu álbum solo fique exatamente como deseja. “Ele é extremamente exigente consigo mesmo”, afirma Watt. “Trabalha muito em seu ofício e, de certa forma, acho que se cobra bastante, de uma maneira saudável. Já o vi escrever letras, descartá-las e escrevê-las novamente, sempre por iniciativa própria. Acho que ele quer ter certeza de que vai dizer exatamente o que deseja e criar uma sonoridade que corresponda precisamente àquilo que tem em mente.”
“Ele está trabalhando com várias pessoas diferentes, experimentando diferentes atmosferas e bases musicais para depois encontrar seu caminho dentro delas. Mas é um dos grandes nomes de todos os tempos: um grande compositor, um grande letrista e um grande melodista. E é muito divertido estar com ele.”
Para Watt, acompanhar o processo criativo de Paul McCartney foi como frequentar uma faculdade. “O tempo que ele passa sozinho é extremamente importante”, conta. “Ele se recolhe, muitas vezes em um espaço pequeno, e escreve. Leva as coisas para casa e compõe pela manhã. Não tem medo de nada. […] Ele estava, de certa forma, me ensinando como trabalha.”
“Você pode compor uma música a partir de qualquer coisa e, às vezes, mudar tudo e partir para uma ideia estranha, que muda de forma um milhão de vezes. Depois, ela vira um trecho de rock. Em seguida, entra uma seção de guitarra com influência do blues. […] Era como se ele estivesse me mostrando como podemos usar o estúdio.”
McCartney também gosta de interpretar personagens, como em “Rocky Raccoon”. “A imaginação dele é incomparável. É como Mozart, sabe? […] Ele fica circulando pelo estúdio e tocando todos os instrumentos possíveis. Vê-lo arranjar os vocais de apoio é impressionante. Ele faz isso ao piano ou com o violão nas mãos, diante do microfone, passando pelas notas, cantando e escolhendo e organizando cada uma delas.”
“Ele é incrível na hora de encontrar a parte perfeita para cada instrumento, sem fazer você sentir que toca algum deles pior do que os outros. Quero dizer, soa simplesmente como alguém que domina todos os instrumentos. Parece uma banda.”
Nos álbuns dos Rolling Stones, Watt ficava na mesma sala que a banda e indicava as diferentes partes das músicas como um maestro. “Eu sempre ficava na sala de gravação ao vivo enquanto a banda tocava, mais ou menos à mesma distância de Keith que estou de você agora, com Mick bem à minha frente. Ficava naquele círculo para observar como eles interagiam uns com os outros”, conta Watt.
“Você não quer que o processo seja cansativo com uma banda como essa. Eles são mágicos. Se você já assistiu a um show dos Stones, sabe o que acontece quando eles atingem um momento mágico. […] Então, meu trabalho era pegar um microfone como este e indicar as partes: ‘Parte B’. […] ‘Certo, vamos voltar à parte A. Termine nessa seção’. […] Eles estão tocando a música que criaram, e eu vou organizando tudo enquanto acontece, naquele exato momento.”
Haverá outro álbum dos Stones? “Não sei. Eu também não sabia se haveria um segundo depois do primeiro. Se eles ligarem, estarei lá”, afirma. “Estar perto dessa banda é a maior honra da minha vida.”
Recentemente, o guitarrista do Black Sabbath, Tony Iommi, disse que recusou a possibilidade de gravar um último álbum da banda porque Watt estava “animado demais” com a ideia. O produtor afirma que Iommi não estava falando sério. “Você me conhece. Sou definitivamente um músico e uma pessoa empolgados. […] Essa afirmação seria verdadeira”, diz Watt. “Mas não foi por isso que o projeto não aconteceu.”
“[Ozzy] simplesmente disse: ‘Vamos fazer um álbum do Sabbath’. Ele falou: ‘Nunca fizemos um disco com [o baterista] Bill Ward’. Como Ozzy costumava fazer, ele me deu as ordens: ‘Ligue para Tony. Depois, ligue para Geezer. Em seguida, ligue para Bill’.”
“Então, liguei para Tony. ‘Você gostaria de fazer isso?’ Ele respondeu: ‘Sim, parece legal. Se Bill topar, sim’. Geezer disse a mesma coisa: ‘Se Bill topar, sim’. Tudo girava em torno disso: ‘Se Bill topar, sim’.”
Watt conta que precisou conversar com Ward, descrevendo o encontro como uma das conversas mais estranhas, engraçadas e interessantes que já teve, tudo ao mesmo tempo, porque estava falando com Bill Ward.
O baterista “não pôde fazer o álbum por motivos pessoais”, o que acabou encerrando o projeto. Sobre o comentário de Iommi, Watt acrescenta: “Acho que ele só está tirando sarro. […] E qualquer pessoa que queira fazer isso comigo está absolutamente à vontade para fazê-lo.”
Watt confirma que trabalhou em músicas inéditas de Ozzy Osbourne e que existem planos, “de certa forma”, para elas. “Existem algumas músicas que fizemos por um motivo específico e, sim, é tudo o que posso dizer”, afirma Watt. “É difícil para mim ouvi-las. Ainda não as escutei.”
Na noite anterior ao show de despedida de Osbourne, ele acrescenta, os dois se sentaram para ouvir o material que haviam produzido e fazer anotações.
“Naquela noite e no dia seguinte foram as últimas vezes que pude vê-lo. […] Mas tivemos uma sessão de audição linda e conversamos sobre muitas coisas. É difícil pensar nisso, mas sinto falta dele todos os dias.”
+++LEIA MAIS: Voz de Madonna desafia limites da idade, diz pesquisa
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.