Mudança na redação do Enem precisa ser muito bem pensada, diz ministro
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, confirmou que a redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tende a ser alterada a partir de 2028. A declaração foi dada nesta quarta-feira (23), durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, em São Paulo.
"O Inep [órgão responsável pela prova], sim, está debruçado sobre essa avaliação, sobre formas de atualizá-la. Há o estudo para que a forma de cobrar leitura e escrita, por exemplo, mude. Então, a própria redação tende a ser alterada", disse ele.
O ministro opinou, no entanto, que eventuais mudanças precisam ser adotadas com cautela, devido à importância do exame para estudantes e instituições de ensino.
"Obviamente, toda vez que a gente mexe com o Enem, precisa ter muito cuidado. Estão fazendo um estudo técnico, tem um grupo técnico trabalhando com isso, ouvindo a sociedade e vendo experiências internacionais para que a gente faça uma prova melhor em 2028 e o Enem continue evoluindo", afirmou. "Isso precisa ser muito bem pensado e está sendo."
A Folha revelou na semana passada que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) discute um novo modelo de redação para o Enem. A proposta preliminar prevê substituir o atual texto dissertativo-argumentativo de 30 linhas por uma avaliação escrita dividida entre as quatro áreas do conhecimento.
Nesse desenho, o candidato produziria 20 linhas sobre linguagens, 10 sobre ciências humanas, 10 sobre ciências da natureza e 10 sobre matemática —50 linhas ao todo. A intenção seria avaliar uma diversidade maior de raciocínios, em vez de concentrar a produção textual em um único tema.
Questionado pela Folha à época, o Inep afirmou que ainda não havia "deliberação final ou posição consolidada" sobre os pontos específicos do novo modelo. O órgão disse que a proposta preliminar seria discutida e finalizada até o fim deste ano.
Barchini diz que espera a apresentação da proposta ao MEC (Ministério da Educação).
A reformulação está relacionada à decisão do governo de usar o Enem também para avaliar a aprendizagem dos estudantes ao final do ensino médio, em integração com o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).
O exame continuará sendo utilizado como forma de ingresso no ensino superior por programas como Sisu, Prouni e Fies. Segundo o MEC, o objetivo é que, a partir de 2028, a prova também produza diagnósticos sobre a qualidade da educação básica e permita acompanhar desigualdades e metas de aprendizagem.
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